Rúben Eiras: «Portugal pode tonar-se ‘hub’ de ‘transhipment’ de GNL»

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Um dos oradores de peso a integrar o programa da Conferência ‘Mar em Português’ – realizada no passado dia 17 de Outubro – foi Rúben Eiras, assessor para a Energia e Indústria no Ministério do Mar. Na sua intervenção, Rúben Eiras abordou com minúcia o tema da crescente aposta no GNL (gás natural liquefeito) como produto transaccionável a uma escala global, assim como a generalização, incentivo e competitividade do seu transporte por via marítima ou o seu potencial para a descarbonização do shipping – poderá Portugal vislumbrar, nesta conjuntura, uma oportunidade de crescimento? Claramente que sim, afiança o membro do ministério tutelado por Ana Paula Vitorino.

Excelentes condições de Sines encorajam aposta futura no GNL

Sendo um produto cujo «mercado é dominado pela Rússia» mas que ganha progressivamente «novos ‘players‘ como a Austrália, a África Subsariana, o Qatar e os EUA», o GNL vem-se afirmando ultimamente como «uma resposta imediata de curto prazo em termos de sustentabilidade», assistindo-se actualmente à «criação de novos provedores marítimos de gás natural liquefeito, num mercado cada vez mais competitivo», como explicou Rúben Eiras, exemplificando com a «quintuplicação da produção de GNL por parte dos EUA».

A tendência poderá beneficiar directamente Portugal, que tem no Porto de Sines um trunfo capaz de materializar o transporte de GNL em dinamismo económico e comercial, abonou o tribuno.

Portugal como ‘hub’ de ‘transhipment’ de GNL

«A cadeia do GNL é mais complexa que a do gasoduto, mas o progresso tecnológico tem permitido que o GNL se torne mais apetecível», referiu ainda Rúben Eiras, realçando a existência de «novas tecnologias de liquefação que permitem produzir com maior eficiência e menores custos».

Para o assessor, existem fortes aspectos positivos em «encarar o GNL numa perspectiva geoestratégica», havendo o contexto ideal para o surgimento de «uma vantagem que pode ser usada por Portugal na reexportação» – «Portugal pode ser um ‘hub‘ de exportação de GNL, sendo já o segundo destino das exportações dos EUA», adiantou, aprofundando: «Portugal pode ser um ‘hub‘ de GNL e liderar a inovação na logística e comércio de GNL de pequena escala».

Serão lançados «mecanismos de financiamento de adaptação naval ao GNL»

Lembrando a plateia que o GNL «oferece uma diminuição da emissão dos gases de efeito de estufa» e «uma resposta viável em termos económicos e financeiros num sector do shipping que tem margens exigentes», Rúben Eiras traçou o motivo e a oportunidade para que Portugal entre em cena neste emergente mercado, não só actuando como «área de serviço», como «fornecendo GNL aos países do Norte da Europa», devido às «condições excepcionais» detidas pelo Porto de Sines. O assessor para a Energia e Indústria revelou ainda que serão lançados, pelo Estado, «mecanismos de financiamento de adaptação naval ao GNL».

Recorde-se que na Estratégia para o Aumento da Competitividade Portuária apresentada pela Ministra do Mar, uma das visões de futuro para os Portos nacionais passa por fazer de Portugal uma plataforma de abastecimento de navios a GNL. No fundo, aproveitando o posicionamento geográfico estratégico do país e dos Portos nacionais para ‘alimentar’ navios movidos a GNL – um combustível que deverá ganhar força no shipping dadas as exigências de sustentabilidade que o sector se prepara para enfrentar com maior intensidade nos próximos tempos.

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