A-ETPL analisa «dificuldades financeiras» e «efeitos directos» dos 123 pré-avisos de greve em 10 anos

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Em resposta a uma carta enviada pelo SEAL à A-ETPL (datada de 21 de Janeiro), a empresa de trabalho portuário divulgou hoje uma missiva na qual aborda, com detalhe, a evolução negativa das finanças da mesma. A missiva conecta a situação precária da empresa à postura sistémica do sindicato, que, ressalva o comunicado, impôs 123 pré-avisos de greve no Porto de Lisboa num espaço de dez anos (2008-2018).

«A ausência de pagamento tempestivo dos salários se deve efectivamente a dificuldades financeiras da A-ETPL, dificuldades estas que só não ditaram ainda consequências mais graves, e mais cedo, devido a um árduo trabalho de gestão quer da Direcção da Associação, quer da Direcção Técnica, que tudo têm feito desde 2016 para reduzir ao mínimo indispensável a estrutura de custos da própria A-ETPL», começa por explicar a carta, assinada pela direcção da empresa, na qual são reconhecidos atrasos de pagamento aos «fornecedores».

Instabilidade crónica na origem do problema: clientes «deixaram de escalar Lisboa»

Ora, sendo «a única fonte de receitas da A-ETPL (…) a ‘venda’ de mão-de-obra às empresas portuárias que carecem de mão-de-obra», logicamente se percebe, assinala a empresa, quanto menos trabalho suplementar for facturado, menores são os valores auferidos, tanto pelo trabalhador cedido como pela entidade que o cede – «Sucede que, V. Exas. entre 2008 e 2018, emitiram 123 pré-avisos de greve (uma média de mais de um pré-aviso de greve por mês), a maioria dos quais ao trabalho suplementar», justifica a empresa.

«Tais greves tiveram 3 efeitos directos», elenca a empresa: «O Porto de Lisboa, que em 2011 era o N.º 1 em Portugal, é hoje o N.º 3; Os clientes, sobretudo de carga contentorizada, alteraram as suas cadeias logísticas e deixaram de escalar Lisboa, passando a utilizar outros Portos; a A-ETPL deixou, por redução da actividade das empresas suas clientes,de facturar os mesmos valores que facturou durante anos», pode ler-se na missiva, à qual a Revista Cargo teve acesso. Para acentuar a situação, vinca, a empresa teve de «colocar nos seus quadros 23 trabalhadores portuários em 2016, e 8 trabalhadores portuários em 2017, situação que veio ainda mais agravar a estabilidade financeira que já então se encontrava em clara degradação».

Paralisações de 2018 deram nova machadada na situação da A-ETPL

O cenário voltaria a agravar-se com as paralisações entre Agosto e Dezembro de 2018 (mais uma vez abrangendo o trabalho suplementar), facto que «que ditou mais uma perda de linhas de navegação, e mais uma redução de cargas movimentadas». O maior cliente da A-ETPL, a empresa Liscont, «não tem conseguido recuperar as cargas perdidas para outros Portos, e consequentemente tem tido muito menos trabalho, e por efeito directo, tem carecido de muito menos trabalhadores da A-ETPL», adiantou a empresa.

Apesar da redução progressiva do volume de trabalho, fruto da instabilidade gerada, «a A-ETPL (agora com mais trabalhadores) mantém a obrigatoriedade de pagar salários –mesmo não tendo trabalho para dar –a ter de ministrar formação, e a ter de progredir trabalhadores portuários de modo automático, e a pagar-lhes mais por tais progressões automáticas», realça a empresa, admitindo não possuir, actualmente, «liquidez suficiente para proceder ao pagamento integral dos salários».

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