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A-ETPL avança com pedido de insolvência face à ausência de «soluções para a sua viabilização»

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Através de um comunicado, emitido ontem ao fim do dia, a direcção da Associação – Empresa de Trabalho Portuário (ETP) – Lisboa (A-ETPL) informou que foi tomada a decisão de, após reunião em sede de Assembleia Geral, «pedir a insolvência da Associação, face à situação financeira em que esta se encontra, e face à impossibilidade de encontrar soluções para a sua viabilização com o Sindicato representante dos trabalhadores».

Cenário de insolvência já havia sido ventilado pela auditoria da EY

A decisão, diga-se, há muito vinha sendo ventilada pela própria empresa que gere o contingente comum de estivadores a operar no porto da capital, uma vez que a instabilidade financeira não era segredo: recorde-se que, em 2018, a A-ETPL pediu à consultora Ernst & Young uma auditoria às contas da empresa, tendo sido revelada a «situação financeira crítica» da mesma, sendo, já nessa altura, a insolvência um cenário plausível.

A decisão ocorre um dia após o arranque da greve dos estivadores afectos ao SEAL no Porto de Lisboa, que durará até Março. O pedido de insolvência foi o culminar de mútuas acusações – entre sindicato e patrões – sobre o ónus da responsabilidade da fragilidade financeira da A-ETPL: o SEAL empurra a culpa para a falta de actualização dos preços cobrados aos clientes (há 27 anos inalterados) pela mão-de-obra, ao passo que a A-ETPL responsabiliza a crónica postura de dissensão do SEAL, materializada em 123 pré-avisos de greve entre 2008 e 2018, que levou à perda progressiva de proveitos. Numa tomada de posição recente, a empresa lembra mesmo que o porto lisboeta desceu para a terceira posição no ranking nacional.

Recorde-se que ambas as partes não lograram acordar uma resolução para a salvaguarda da solvência da empresa: a proposta do SEAL passava pela actualização dos preços cobrados, algo que, frisou a A-ETPL, apenas resultaria na «perda de competitividade» (interna e externa) do Porto de Lisboa. Por seu turno, os accionistas da A-ETPL sugeriram a redução de 15% nos salários e o fim das progressões automáticas, algo que foi rejeitado pelos estivadores. O impasse manteve-se, a greve arrancou, e, agora, a A-ETPL encontra-se oficialmente em insolvência.

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