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Abastecimento das ilhas em risco: estavam ontem quatro navios em ‘stand by’ no Porto de Lisboa

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O Porto de Lisboa, um dos elos mais cruciais nas cadeias de abastecimento que mantêm a economia portuguesa à tona durante o estado de excepção que se vive, tem navegado por mares turbulentos nas últimas semanas: desde a greve (agora total) dos estivadores, passando pela insolvência da A-ETPL até ao incumprimento dos serviços mínimos e consequente requisição civil (decretada no passado dia 17), a infra-estrutura portuária vê-se a braços com um diferendo que se vem arrastando no tempo e que é passível de colocar em xeque a integridade de fluxos logísticos importantes em tempo de crise. As operações têm sofrido vários handicaps, e ontem, encontravam-se quatro navios destinados às ilhas em stand by.

‘Corvo’, ‘Furnas’, ‘Pengalia’ e ‘Monte Brasil’ estavam ontem em espera

O incumprimento dos serviços mínimos foi explicado ontem pela AOPL em comunicado: na sua versão da história, a associação narrou que o SEAL levou a cabo práticas irregulares na escolha de pessoal alocado para as operações de estiva, o que acabou por prejudicar os trabalhos e redundar na requisição civil – em causa estava o abastecimento das ilhas e da região de Lisboa. Ao que a Revista Cargo conseguiu apurar, estavam ontem quatro navios com trabalhos pendentes: dois no terminal de contentores de Santa Apolónia (Sotagus) e um terceiro no terminal multipurpose (TSA). O ‘Corvo’, o ‘Furnas’ (ambos com destino a Ponta Delgada), o ‘Pengalia’ (com destino ao Caniçal) e o ‘Monte Brasil’  são os navios em questão.

O ‘Corvo’ deu entrada no Porto de Lisboa no passado dia 15 às 10:49, tendo atracado às 12 horas, proveniente de Leixões. Tinha previsto movimentar 320 contentores (carga e descarga) e 60 movimentos de carga geral. Nesse dia inicial, e, no que toca ao período das 8 às 24 horas, o total alocado de estivadores para esta operação seria de 16 pessoas, tendo o sindicato alocado 13. Destes 13 activos, faltaram 3 mas as operações ocorreram, tendo sido efectuados somente 40 movimentos, apurou a Revista Cargo. No dia 16 e no período das 8-17 horas, o total alocado de esticadores seria de 20 pessoas, tendo o SEAL alocado 16 – 5 faltaram, o que impediu a operação do navio. Entre as 17-24 horas, o navio trabalhou com 21 estivadores – faltaram 2 – tendo efectuado 63 movimentos. No dia 17, o navio esteve parado, assim como no dia 18 entre as 8-17 horas. Face à indisponibilidade de pessoal, o Terminal remeteu lista de pessoal dos quadros privativos da concessionária bem como da concessionária Liscont (operador portuário que tem licença geral para operar na área de jurisdição do porto), solicitando nomeação por parte do sindicato – este era o ponto de situação até às 17 horas.

O ‘Furnas’ entrou no Porto de Lisboa no passado dia 17 às 05:31, tendo atracado às 08.15 horas, proveniente de Ponta Delgada e com destino ao mesmo porto, tendo previsto embarcar e desembarcar contentores e carga geral fraccionada. Nesse mesmo dia foi solicitado pessoal para o turno das 17 às 24 horas, mas as operações não ocorreram. Já no dia 18, as operações não ocorreram, encontrando-se o navio parado. O ‘Pengalia’ entrou no porto no dia 16 às 06:28, tendo atracado às 07.40 horas, proveniente do porto do Caniçal, com destino ao mesmo porto, tendo previsto embarcar e desembarcar contentores e carga geral fraccionada. Nesse mesmo dia operou no primeiro e segundo turno deste dia (08-24 horas), não tendo já operado no dia 17 nem no dia 18. Ao que apurou a Revista Cargo, o terminal pretende encerrar a portaria para colocar os trabalhadores no navio, no segundo turno das 17-24 horas, dependo do SEAL tal colocação. Refira-se que terminal tem 15 trabalhadores portuários no quadro privativo da concessionária. Não obstante o Terminal ter sugerido telefonicamente ao Sindicato, este não os designou.

Já o navio ‘Monte Brasil’ (também no terminal multipurpose) proveniente do Caniçal e com destino a Ponta Delgada (outro navio que se inclui no lote daqueles que farão abastecimento às ilhas) que atracou no dia 17 de Março em Lisboa, pelas 10.30 horas, também se encontrava ontem em standy by, não tendo operado no período das 17-24 horas do dia 17 e também no dia 18 no turno das 8-17 horas. O navio espera a recepção de contentores.

Tira-teimas coloca abastecimento das ilhas em xeque

O tira-teimas que persiste em Lisboa (e que pode colocar em risco o abastecimento insular) conta também a história do SEAL: na versão do sindicato, decorre uma espécie de lock out por banda dos empregadores que impede o normal funcionamento do porto, tendo a entidade sindical reiterado que se encontra apta e disponível para levar a cabo os serviços mínimos, outrora decretados, assim as empresas o permitam. Para o SEAL, são as operadoras que forçam o actual estado de desconexão que se vem instalando em Lisboa. No epicentro da querela está também a insolvência da A-ETPL: os estivadores protestam a impossibilidade de alocar trabalhadores da mesma.

A situação tensa e fragmentada que aparenta reinar em Lisboa contrasta com a dos nossos vizinhos de Espanha: recentemente, a Associação Nacional de Empresas de Estiva e Centros Portuários de Emprego (ANESCO) dava provas de uma sintonia assinalável, elogiando o importante trabalho que os activos das empresas de estiva e dos restantes funcionários dos portos durante a crise de saúde que se alastra pela Europa e que também tem atingido fortemente a Espanha. Num comunicado (que teve eco no jornal espanhol ‘El Vigia‘), a associação enfatizou a forma «exemplar» com que os trabalhadores têm executado as suas tarefas com o intuito de garantir o correcto funcionamento da cadeia logística» em tempos críticos.

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