Academia msc Enidh 2018

Academia MSC/ENIDH: «Curso ‘Shipping and Logistics’ é oferta formativa única no panorama nacional»

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A parceria entre a MSC e a ENIDH para a área da formação conta já com três edições do Curso de Especialização em
“Shipping & Logistics Management” e é chegada a hora de fazer o balanço de uma iniciativa que se tem pautado pelo
sucesso. Para tal, nada melhor que sentar à mesa com os coordenadores do projecto, Fernando Cruz Gonçalves (CG)
e Manuela Baptista (MB). Recebida nas instalações da ENIDH, a Revista Cargo procurou saber mais sobre a génese da oferta lectiva, a articulação com o mercado de trabalho e os novos horizontes a explorar.

REVISTA CARGO: Começando pela origem da parceria ENIDH/MSC – em que contexto é que é identificada a necessidade desta solução de formação? Como é que tudo germinou?

CG: A Academia MSC/ENIDH surgiu, naturalmente, da evolução de uma relação muito próxima que já existia
entre a MSC Portugal e a Escola Superior Náutica Infante D. Henrique. O que aconteceu foi que a MSC Portugal cresceu em simultâneo com o desenvolvimento dos cursos de Gestão da ENIDH, sendo sempre um dos nossos maiores empregadores. Portanto, o que acontecia é que parte significativa dos nossos alunos acabava a trabalhar na MSC, que continuava a crescer. Em 2008 fazemos um Protocolo de Cooperação e passamos a ter tudo isso formalizado – o que acaba por acontecer é que aquilo que era uma relação informal passou a parceria formal. Estamos a falar de uma parceria entre uma instituição de ensino superior que valida a vertente académica, com uma empresa – a MSC Portugal – que dá a componente empresarial.

Consideramos que o curso de Especialização em “Shipping and Logistics”, ministrado no âmbito da Academia MSC/ENIDH, é uma oferta formativa única no panorama nacional. Esta afirmação pode parecer um lugar comum,
mas não o é. Aliar formação de carácter empresarial (assegurada pelos formadores da MSC Portugal), a certificação académica (assegurada pelos professores da ENIDH) e a uma elevada possibilidade de ficar a trabalhar no seio de uma das maiores empresas nacionais do sector dos transportes marítimo, portos e logística, não é, necessariamente, apanágio das ofertas formativas convencionais. Não conhecemos mais nenhuma com estas características.

Em que consiste o Curso de Especialização em “Shipping and Logistics Management’?

CG: O Curso de Especialização em Shipping & Logistics Management tem a duração de um ano lectivo envolvendo oito módulos distintos e 320 de leccionação prática. As matérias curriculares foram determinadas em conjunto pela ENIDH e pela MSC, tendo em conta o objectivo de promover uma formação adicional direccionada para o transporte contentorizado e para a logística, com uma forte componente prática (“on job training”), centrada na actividade do agente de navegação.

Quais são os públicos para os quais está direccionado o ‘Curso de Especialização em Shipping and Logistics Management’?

MB: Nós temos três públicos diferentes, os quais necessitam de integração e resposta, com vagas específicas para cada um deles. Na prática o curso tem um limite máximo anual de 32 alunos de acordo com as seguintes percentagens de vagas: 40% das vagas reservadas a alunos finalistas e diplomados da ENIDH, 30% das vagas reservadas para quadros superiores e colaboradores da MSC Portugal e da Medway e 30% das vagas adstritas a profissionais do sector dos transportes e da logística e ainda a alunos que possuindo uma sólida formação académica pretendem reorientar a sua actividade profissional. Tradicionalmente oito a dez alunos da Academia MSC/ENIDH são quadros superiores da MSC Portugal e da Medway. O objectivo é que os mesmos tenham uma visão global do negócio em que se encontram inseridos no âmbito da sua actividade profissional. São escolhidos pela MSC Portugal que acredita que a formação académica é um valor acrescentado para a própria empresa. Assumem-se como alunos
de referência e vão passado os valores e cultura empresarial da MSC para os restantes alunos. O maior segmento de alunos da academia MSC/ENIDH são alunos finalistas da ENIDH – Escola Superior Náutica Infante D. Henrique das licenciaturas em Gestão Portuária e Gestão de Transportes e Logística. Procura-se que a MSC Portugal possa
escolher os seus futuros estagiários de uma forma mais rigorosa. Procura-se igualmente que os mesmos sejam
logo à partida um valor acrescentado para a empresa diminuindo os custos associados ao seu período de adaptação/aprendizagem.

CG: O último segmento é quem mais valoriza o curso. São pessoas que vêm com outra formação académica e procuram uma via mais profissionalizante de reconversão profissional. Sinceramente acho muito mais interessante fazer este tipo de curso mais direccionado para uma saída profissional do que optar por uma nova licenciatura, pois a formação académica já está adquirida faltando apenas complementar os conhecimentos profissionais e sectoriais. Este público tem tido muito sucesso em termos de integração profissional.

O curso conta já com três edições. Como tem evoluído a adaptação lectiva a uma realidade empresarial em constante mutação?

MB: O facto, por exemplo, da MSC ter integrado a Medway, reflectiu-se no público que temos actualmente, pois
passámos a integrar, a partir da segunda edição do curso, formandos da Medway, o que nos levou a repensar os modelos e os modelos de formação, pensando mais na vertente da intermodalidade e da logística, pensando também nas exigências do sector e olhando para dentro do próprio grupo.

CG: Temos de entender também o contexto em que o curso foi criado: numa altura em que as oportunidades escasseavam, criámos aqui uma lógica de ‘viveiro de talentos’. É importante sentirem que têm de dar algo mais do
que os colegas, e a ideia era escolher os melhores entre os melhores para terem a oportunidade de ir trabalhar
para a empresa de referência do sector. Tem havido uma evolução interessante também naquilo que é a motivação
dos nossos alunos para frequentar este curso, pois se antes eles olhavam para a Academia apenas como uma oportunidade de entrar na MSC Portugal, actualmente já valorizam o curso, muito pelo conhecimento que é
adquirido, tendo como consequência, ou não, a sua entrada na MSC Portugal. Cada vez mais empresas valorizam este curso e o facto do formando ter no currículo o curso da Academia MSC/ ENIDH é algo que é entendido como
tendo valor acrescentado.

O curso tem a reputação de deter uma elevadíssima empregabilidade…

MB: Em relação aos alunos da ENIDH podemos dizer que a taxa de empregabilidade é de 100%.

CG: O valor da empregabilidade é muito elevado igualmente para os alunos externos (aqueles que se encontram em
reconversão profissional). Muitas vezes pensamos o que é que este tipo de aluno pode vir a ganhar com este curso,
e a verdade é que de facto ganham, precisamente porque as empresas cada vez mais valorizam esta formação
ministrada no seio da Academia MSC/ENIDH.

Entrar na MSC costuma ser um objectivo partilhado por muitos?

CG: Neste momento, 50% dos funcionários da MSC Portugal são alunos da ENIDH, e é curioso verificar que, independentemente dos objectivos pessoais de cada um e da posição que ocupam na empresa, é raro o caso daquele que quer sair. Portanto são pessoas que estão satisfeitas e é também sinal de que é a MSC que acolhe muito bem. Aqui conta muito a própria imagem da empresa em si, é algo intangível, mas que faz com que as pessoas se liguem às empresas. O Dr. Carlos Vasconcelos é exímio nisso, tem qualquer coisa que não é tangível e que faz com que as pessoas ingressem e queiram ficar na MSC Portugal. A acrescentar a isso, a MSC tem também uma grande preocupação com a ética, com a questão multi-cultural e de género. Não há dúvida nenhuma que é uma empresa que cumpre aquilo que apregoa a este nível.

Na perspectiva geral da ENIDH – têm conseguido colocar outros alunos, que não da Academia MSC/ENIDH também na MSC Portugal?

MB: Sim, de facto a procura é muita e já tivemos de recorrer aos alunos de licenciatura também para preencher as
vagas que a MSC Portugal necessita. A verdade é que, hoje em dia, cada aluno destes sai daqui com duas/três propostas de emprego em mãos.

O processo de recrutamento e a captação de talentos está a mudar nos dias que correm?

CG: Nota-se que existe uma mudança de abordagem na empregabilidade. As empresas procuram os alunos.
Acredito que, no futuro, serão as empresas a pagar as formações dos potenciais talentos, de forma a cativá-los. O modelo tradicional de colocar um anúncio e esperar o envio de CV’s já não funciona – as empresas têm de pensar em novas formas de chegar aos talentos e de fidelizar as pessoas ao seu conceito. Os empregadores hoje em dia têm de arranjar novas formas de cativar talentos e formas de ter outro tipo de proximidade com os alunos.

MB: Nós pensámos inclusivamente no cenário em que os alunos passariam a estagiar durante a Academia MSC/ENIDH pelos diversos departamentos da MSC Portugal, pois acreditamos que, conhecendo as instalações, as
pessoas e os processos da empresa, se fidelizam os alunos.

Quão importante é esta simbiose entre a ENIDH e a MSC Portugal no contexto do mercado de trabalho do sector?

CG: Neste momento, de facto, uma das orientações estratégias do ensino superior é fomentar essa relação com o meio empresarial. É importante existir esta ligação entre uma Instituição de referência na formação, que é a Escola
Náutica, e o segundo maior operador marítimo internacional (segmento marítimo da carga contentorizada). Foi interessante poder aferir os nossos conteúdos programáticos através da visão pretendida pelo empregador (MSC Portugal). Para nós foi importante. Os empregadores passam a participar activamente na elaboração dos conteúdos programáticos.

Sobre o futuro – que revelações, ambições e potenciais projectos poderão estar na calha?

CG: Podemos revelar que está confirmada a quarta edição da Academia MSC, com candidaturas para a próxima edição já em Setembro. Se nos perguntarem o caminho futuro, o enfoque será cada vez mais na vertente de logística, apesar de o Shipping estar lá sempre. Pensamos que o caminho é insistir mais nessa vertente, mais horas dedicadas a logística.

MB: O nosso objectivo agora seria o de alargar a nossa área de actuação em termos geográficos. Para tal temos várias possibilidades a nível nacional (Leixões e Açores) e também em termos internacionais. No Norte há pouca oferta de formação em termos de transportes e logística e há significativa procura.

Houve também uma aproximação com os portos dos Açores (Praia da Vitória)…

MB: Sim, de facto. Pediram-nos que fossemos lá apresentar este modelo, e penso que foram unânimes em considerar que representava uma mais-valia. O que está em causa é a concessão que está para ser feita nesse
porto – de um porto de águas profundas – e a ideia passava por negociar também a mão-de-obra qualificada de forma a ser uma oferta mais atractiva. Temos também a expectativa de internacionalizar o modelo, e aí, sem dúvida que o primeiro passo seria dado nos países de língua oficial portuguesa: Cabo Verde, Brasil, etc.

Sobre a internacionalização: um dos corolários da acção da ENIDH é a parceria com o Panamá.

CG: Trata-se de um ex-líbris da ENIDH. Temos 37 alunos do Panamá a estudar na ENIDH e estamos a falar do país
que tem maior infra-estrutura marítima portuária do mundo (Canal do Panamá) e do país que o tem maior registo
mundial de navios. Nós, a Escola Superior Náutica Infante D. Henrique, a única instituição de ensino superior público nacional ligado ao sector marítimo portuário, tem a oportunidade de ministrar a formação aos futuros quadros de um país como o Panamá (tão importante no contexto mundial do sector). É algo de altamente apelativo e acho que devíamos capitalizar mais essa realidade. Tratou-se de um passo com um peso e uma relevância significativa, tal como tem relevância a escolha de Portugal.

Como acham que deveria ter sido capitalizada essa parceria?

CG: Nós nunca conseguimos capitalizar isso. Agora perguntam-me como fazê-lo e nós também gostaríamos de saber. É um desafio…mas acho que o facto de os futuros quadros da Autoridade do Canal do Panamá serem formados na Escola Náutica é quase como no caso da MSC é algo especial. Depois hão-de voltar e hão-de trabalhar em Portugal. Curiosamente as empresas portuguesas têm sido receptivas. O Grupo ETE foi logo o primeiro: arranjou
logo estágios. Mas nunca capitalizámos como deveríamos em termos de imagem. Em Angola até pode ser igual, mas o Panamá não é Angola. O Panamá tem características únicas e ter feito esta escolha é incrível, apesar de ser uma escolha com influências políticas. Pela primeira vez este ano teremos os panamianos a fazer a academia. Por outro lado, no Panamá a MSC é muito forte. E lá, não só como operador marítimo como enquanto operador portuário, estão com investimento grande associado à expansão do Canal do Panamá. Acho que seria interessante ter formadores do Panamá – os nossos alunos terem a oportunidade de estagiarem no Panamá, quer na MSC do Panamá quer no canal. Para nós, ter alunos nestas condições, era uma boa opção.

* Esta entrevista integra a edição Julho/Agosto de 2018 da edição impressa da REVISTA CARGO.

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