Acordo do ‘Brexit’ esmagado pelos deputados: Governo de Theresa May pode cair hoje

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Presente ontem à Câmara dos Comuns, o acordo jurídico delineado para consumar a saída do Reino Unido da União Europeia (UE) foi esmagado pelos deputados – a rejeição do acordo do Brexit é um avassalador cartão vermelho às linhas de orientação que definiam o ‘divórcio’, há muitos meses alinhavado pelo Executivo de Theresa May.

O periclitante processo de definição dos termos do Brexit nunca foi menos que isso – um dossier cheio de incertezas ao qual agora se acrescenta mais um gigantesco ponto de interrogação: cairá o governo de Theresa May ainda hoje? A possibilidade é real, uma vez que a derrota total de ontem é hoje seguida de uma moção de censura ao governo.

Com 432 votos contra, proposta de Brexit foi ontem esmagada historicamente em Westminster

Em caso de aprovação  da moção interposta pelo Partido Trabalhista pela maioria, poder-se-á dizer que o Brexit afundou o Executivo de May e lançou ainda mais incerteza sobre o ‘divórcio’ mais novelístico de sempre. Ontem, os termos do Brexit contaram com 432 votos contra e 202 a favor em votação na câmara baixa de Westminster – a votação ficará para a História como uma das mais importantes da política britânica do pós-guerra.

A margem constitui a maior derrota de sempre de um Governo no Parlamento do Reino Unido e foi, em grande parte, originada pela rejeição de 118 deputados do próprio Partido Conservador. Apesar da adversidade total, May vincou que pretende «honrar a decisão tomada pelos britânicos no referendo» e que se manterá firme na tarefa de separar o Reino Unido da UE. Resta saber se terá tempo para tal.

Confusão parece ser o único sentido: Brexit levanta mais interrogações que respostas

A Revista Cargo tem vindo a acompanhar com regularidade o dossier do Brexit, pela sua importância transversal aos universos da Logística, dos Transportes e do comércio global dos dias de hoje, altamente interdependente. Ainda durante a semana passada, o Conselho Europeu de Carregadores pedia uma extensão do período de transição para o Brexit, a fim de se evitar o «precipício». Novamente paira no ar a questão: haverá tempo?

Porto de Southampton

Os receios de uma disrupção abrupta e de uma desconexão comercial entre empresas que cruzam os seus negócios com o Reino Unido têm-se avolumado ao longo dos últimos meses, acompanhando a incerteza que pautou todo o processo de negociação. Como noticiámos em Agosto, a Freight Transport Association foi uma das mais directas críticas do processo de negociação, lembrando, à data, que as empresas se deparavam com «o risco de um cenário altamente disruptivo», capaz de «destruir a cadeia de abastecimento entre o Reino Unido e a Europa». «As empresas precisam urgentemente de um plano de acção que descreva como um Brexit suave e eficiente poderá ser alcançado», comunicava a Freight Transport Association. Repete-se a questão: haverá tempo?

Todos os sectores do Transporte têm, ao longo dos meses, demonstrado a sua temência face a um Hard Brexit ou seja, a uma saída sem acordo: a Associação de Portos Britânicos já criticava, em Dezembro de 2017, o Executivo por subestimar os efeitos nocivos do ‘divórcio’ no sistema portuário britânico, aludindo, na altura, a aumentos de custos para as empresas, maior burocracia e consequentes congestionamentos. Outro dos temas quentes que gera preocupação é a implicação do Brexit com os portos franceses do Canal da Mancha.

 Também a carga aérea está em sobressalto: trinta e sete companhias aéreas (e outras empresas ligadas ao sector) poderão ver-se na eventualidade de serem impedidas de transportar ou manusear cargas com destino à UE após o dia 29 de Março de 2019, caso a comunidade não (re)crie um mecanismo de designação ACC3, referente a certificados de segurança. O Reino Unido, enquanto membro da UE, forneceu às transportadoras o ACC3, mas essa vigência expirará caso tenha lugar um possível cenário de Hard Brexit.

Implicações para Portugal

Hoje, na comissão de Economia, Inovação e Obras Públicas, Pedro Siza Vieira, ministro Adjunto e da Economia, abordou o tema quente, alertando para o facto de a actual incerteza sobre o modelo de saída do Reino Unido da UE ser passível de trazer a Portugal «dificuldades ao nível das exportações», uma vez que o país é «um cliente muito importante». Ainda assim, antecipou que não haverá «uma contracção da economia»: «Continuamos a prever um crescimento da economia portuguesa acima da média da União Europeia», disse.

Theresa May Photo By HM Government – https://www.gov.uk/government/speeches/theresa-mays-speech-to-the-un-general-assembly, OGL 3, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=63166769

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