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ADFERSIT lamenta «inexplicável inércia de Portugal» na defesa do Corredor Atlântico

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A ADFERSIT abordou recentemente a temática ferroviária do Corredor Atlântico e da «inexplicável inércia de Portugal» na tarefa de defesa deste eixo, à boleia de uma extensa reportagem levada a cabo pelo jornal espanhol ‘La Vanguardia‘, na qual é retratada a contenda interna entre quem defende o Corredor Mediterrâneo e quem defende o Corredor Central. Espanha está dividida, mas actuante. Portugal, nem tanto, frisa a associação.

A ADFERSIT faz alusão à reportagem ‘Corredor Mediterrâneo versus Corredor Central’ para realçar a «inércia» demonstrada por Portugal na defesa dos seus interesses quanto ao projecto do Corredor Atlântico. Em Espanha, espelha o artigo, duas facções emergem, fazendo a apologia de diferentes soluções para a tão almejada conectividade continental: o Corredor Central, tendo Madrid como pilar industrial, e o Corredor Mediterrâneo, tendo Valência e a Catalunha como os vectores comerciais cruciais à actividade económica do país. A contenda tem gerado suficiente entropia.

Expansão do Canal do Panamá: um mote que deve ser capitalizado

Para a associação, a «recente expansão do Canal do Panamá» permitirá «potenciar a importância estratégica dos Portos da fachada Atlântica (Sines, Lisboa, Aveiro e Leixões)» e resultará invariavelmente na mudança do «epicentro logístico da União Europeia», do Norte da Europa para o Sul, «rumo à Península Ibérica». Ora, neste contexto geoestratégico, Espanha mexe os cordéis para tentar capitalizar tal transformação. Madrid está empenhada na emergência total da plataforma logística de Barajas/Coslada, ao passo que a união marca agora o compasso mediterrânico.

«Enquanto Madrid se empenha em fazer da plataforma logística de Barajas/Coslada (>1 milhão de m2) o maior complexo logístico multimodal do Sul da Europa e a procurar reactivar o projecto do Corredor Ferroviário Central, ligando os nós de Algeciras / Madrid / Saragoça com o ramo de Sines / Badajoz / Madrid, Portugal mantém-se indiferente aos sucessivas atrasos na concretização do Corredor Atlântico», frisa a ADFERSIT, que realça o «inegável dinamismo das diversas Comunidades de Espanha». No plano oposto ao de Madrid estão, agora unidas, Barcelona e Valência.

As regiões valenciana e catalã olham com apreensão para a ascensão da opção do Corredor Central, apresentando argumentos pesados para explicar a pertinência maior da sua vertente mediterrânica: 55% das mercadorias transportadas são-no via Corredor Mediterrâneo, por onde passa cerca de 60% por tráfego marítimo espanhol (gerado pelos portos, com grande preponderância para os portos dominadores de Barcelona e Valência), canalizando também cerca de 60% das exportações para a Europa. A sua influência na região do Norte de África é também inegável.

ADFERSIT: «Conformismo português» contrasta com entropia espanhola

Já o Corredor Central (projecto que poderá custar cerca de 6 mil milhões de euros), que busca conectar à Ásia através do Pacífico, capitalizando a recente expansão do Canal do Panamá (chegando à Europa através do Atlântico) – aludida pela ADFERSIT – tem voltado a estar na baila (desde 2012, ano em que foi anunciado a ressuscitação desta via pela ministra Ana Pastor), colocando também Sines em destaque. Perante esta entropia espanhola na defesa de várias opções estratégicas para o futuro da conectividade do país, a ADFERSIT lamenta a «passividade» e «inevitabilidade» daquilo a que chama de «conformismo português», contrastante com a pró-actividade do país vizinho.

Foto Corredor Central: de NACLE – Trabajo propio, CC BY-SA 4.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=58378556

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