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Álvaro Fonseca (Takargo): Ferrovia é «modo de excelência para expansão continental das cargas»

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Álvaro Fonseca, General Manager da empresa ferroviária Takargo, foi uma das figuras em destaque do evento ‘Conversas Fora de Bordo’, com enfoque no Porto de Lisboa – o gestor da transportadora participou, no passado dia 28 de Junho no segmento organizado pela APAT, e analisou a importância da ferrovia para o desenvolvimento do porto lisboeta e quais os desafios com que a Takargo se depara no contexto logístico da sua relação com a infra-estrutura portuária. Entre os temas aflorados, o debate sobre a Bobadela foi também alvo de escrutínio por Álvaro Fonseca.

Álvaro Fonseca analisou «dificuldades» em Alcântara

«O contexto geográfico do Porto de Lisboa faz com que este seja bastante pressionado pela envolvente urbana. A ferrovia, sendo um modo de alta capacidade que permite agregar cargas, tem, aqui, um papel importante, com o objectivo de suavizar os atritos entre a cidade e o porto», introduziu o responsável da Takargo. «Sabemos, e isto também é realidade em Leixões, a quota de ferrovia no Porto de Lisboa – mesmo antes destes períodos complexos da pandemia – era relativamente baixa face ao modo rodoviário isto na relação com o hinterland, quer por questões de acessibilidade quer pelas condições que conseguimos oferecer, ao nível dos comprimentos dos comboios e da capacidade de toneladas rebocadas não são assim tão apelativas e assim não conseguimos ter muita facilidade para concorrer com o camião», explorou Álvaro Fonseca.

Em tom de diagnóstico, o General Manager da transportadora ferroviária elencou «algumas dificuldades» que o contexto actual traz e alguns constrangimentos que existem «comboios nos Porto de Lisboa». «Salientaria – penso ser o grande projecto de mercadorias para o Porto de Lisboa – a expansão de Alcântara. Alcântara tem, do ponto de vista ferroviário, alguns problemas, o maior tem a ver com o atravessamento entre Alcântara Terra e Mar e as muitas limitações de horário que existem neste atravessamento. Tudo isto cria algumas dificuldades, mas também sabemos que, para aquele terminal poder crescer, é muito importante que haja um apoio e um reforço do modo ferroviário que permita escoar mais cargas e não recorrendo à rodovia, com todas as externalidades negativas que são conhecidas neste modo», aprofundou.

«Expansão do hinterland» é factor «crítico» para a expansão do porto

A-ETPL porto de lisboa aopl«Falando dos terminais do Porto de Lisboa, do ponto de vista dos ramais ferroviários, em regra geral, estamos a falar de ramais de reduzido comprimento – dificilmente se faz um comboio com mais de 400 metros no Porto de Lisboa. Isso, do ponto de vista da competitividade ferroviária, é crítico. É difícil termos comboios eficientes a sair do porto, e este é um ponto de melhoria a ser pensado», prosseguiu Álvaro Fonseca. Porque deve Lisboa apostar no comboio? «Por um lado passa por recuperar aquilo que existia no passado, e que é crítico para a expansão do porto, que é a expansão do seu hinterland. A ferrovia é um modo de excelência para a expansão continental das cargas e o porto conseguir chegar a sítios aonde ainda não chega», atirou. «Sei que muitos dos clientes do Porto de Lisboa estão a apostar na preocupação ambiental e com a pegada de carbono, portanto, isto é serviço que tem de existir. E esta pressão da malha urbana e o facilitar do escoamento e alta capacidade também são boas justificações para que se aposte no comboio», reforçou o responsável da Takargo.

Questão da Bobadela: «Tem que se encontrar uma solução»

Álvaro Fonseca abordou também a questão da relocalização do complexo da Bobadela, que, nos próximos anos, será desafectado, sendo urgente (mas ainda incerta) a definição de uma nova localização. «Tem que se encontrar uma solução, seja na Bobadela seja noutro terminal – temos esta limitação para resolver, que não se limita apenas às estruturas de depot, de apoio de retaguarda ao Porto de Lisboa, mas também o fecho ferroviário da Bobadela, que é muito importante para a formação de comboios de maior dimensão para facilitar a circulação entre a Bobadela e a Linha de Cintura com destino, por exemplo, ao terminal de Alcântara».

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