Governo

Ana Paula Vitorino admite «várias manifestações de interesse» nos diversos projectos portuários

Empresas, Marítimo Sem comentários em Ana Paula Vitorino admite «várias manifestações de interesse» nos diversos projectos portuários 476

Numa completa entrevista concedida à revista ‘Exame’ (autoria de Joana Madeira Pereira), Ana Paula Vitorino abordou os temas mais quentes da actualidade marítimo-portuária nacional: o crescimento vivido pelos portos lusos, a estratégia global com vista ao aumento da competitividade, o potencial investimento estrangeiro e até o trunfo geoestratégico de que o país pode beneficiar no contexto do projecto chinês da Rota Marítima da Seda.


Investimento estrangeiro: Japoneses, holandeses e indianos em sondagens

A Ministra do Mar levantou o véu sobre o potencial investimento estrangeiro nos portos portugueses, numa altura em que os níveis de produtividade sobem de modo consolidado, liderados pela movimentação pujante do Porto de Sines, pela recuperação do Porto de Lisboa e pelos desempenhos sólidos de Aveiro, Leixões ou Setúbal. Em busca de verbas para materializar o incremento infra-estrutural necessário (em Leixões, em Sines e quiçá no Barreiro) Ana Paula Vitorino esteve na China a promover os portos lusos. Como correu a experiência?

«Temos tido várias manifestações de interesse», afirmou, especificando, de seguida, tais avanços: «Japoneses. Mas também dos clássicos europeus, como holandeses. Existem manifestações de interesse por parte da Índia, do Paquistão. Umas mais sólidas, mais insistentes. Só quando se abrir o concurso – esperamos que no início de 2018 – é que se irá saber», respondeu, mostrando-se crente na evolução contínua dos portos portugueses: «Quando se diz que os nossos portos são pequenos e é muito difícil evoluirmos, não é verdade», ilustrando a inferência com o exemplo do porto chinês de Yangshan.

Portos lusos podem (continuar a) sonhar: Ministra dá exemplo de Yangshan

«Estive neste mesmo porto há 10 anos (…) ainda abaixo dos 5 milhões TEU’s por ano. E Sines, na altura, tinha 100 mil TEU’s de movimentação de carga. Lembro-me de que na China, tal como em Portugal, se dizia que estes projectos eram ‘elefantes brancos’, porque ficavam longe dos centros urbanos. Yangshan está a duas horas de Xangai. Para lá chegar, temos de atravessar uma ponte sobre o mar com mais de 32 km. Também diziam que Sines estava muito longe de Lisboa. Hoje, Yangshan movimenta 16 milhões de TEU’s. Actualmente, Sines, que responde por metade da carga portuária em Portugal, movimenta 1,5 milhões de TEU’s», rematou.

Sines: De condenado ‘elefante branco’ a porto de sucesso internacional

Com Sines em cima da mesa, Ana Paula Vitorino fez um passeio pela memória e reavivou o arranque da ascensão do porto alentejano, um dos que mais cresce na Europa: «Hoje, todos os comentadores dizem que Sines é o alfa e o ómega do nosso desenvolvimento. Antes escreviam que aquele porto era um ‘elefante branco’. Mas houve sempre duas mulheres que acreditaram à séria: eu e a Dra. Lídia Sequeira (…) Em 2005, quando se ouviu dizer que queriam abandonar Sines, metemos os pés ao caminho e fomos a Antuérpia, onde eles têm a sua base europeia, e em menos de 24 horas regressámos com o compromisso de investimento por parte da PSA».

A conversa adentrou-se pelo potencial infra-estrutural que o porto alentejano ainda tem para oferecer: «Em Sines, não só podemos lançar um novo terminal, como ainda temos uma área logística imensa, debaixo da alçada da Aicep Global Parques. E que permite quer o tradicional da logística portuária, que é a assemblagem e a customização dos produtos, quer aspirar a algo maior: Grandes centros logísticos. Sines tem condições para que uma grande multi-nacional lá instale o seu centro de logística europeu», comentou Ana Paula Vitorino.

É preciso «melhorar ligação ferroviária a Madrid»

À pergunta sobre a questão da ligação ferroviária a Madrid e à consolidação de um ‘hinterland‘ há tanto tempo procurado, a ministra admitiu que existe urgência em «melhorar a ligação ferroviária» à capital espanhola – «isso está previsto no Plano Ferroviário 2020», concretizou. «Mas, além disso, uma boa parte do tráfego que podemos captar para Sines é de ‘transhipment’, com um grande valor acrescentado – os produtos chegam em grandes quantidades, são transformados a nível de logística e novamente expedidos através de transporte marítimo. Por isso é extremamente importante a outra componente de investimento que estamos a fazer e cujo concurso já foi lançado, a Janela Única Portuária», acrescentou.


Leave a comment

Back to Top

Powered by MAEIL
Partilhar
Partilhar