André Maia (ICP Logística): «Somos a peça-mestre de um Lego, facilitadores dos problemas dos clientes»

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Um dos grandes destaques do primeiro dia do 21º Congresso da APLOG foi o conjunto de intervenções que deu corpo ao painel ‘Operadores Logísticos 4.0’ – depois de analisarmos ao pormenor as declarações de Rui Gomes (da DHL Supply Chain) reportamos, neste artigo jornalístico, o discurso de André Maia, director-geral da ICP Logística Portugal.

A intervenção de André Maia começou por elucidar a plateia sobre a ICP Logística: «Somos um operador logístico com capital 100% espanhol, estamos no mercado há mais de 20 anos. Oferecemos soluções de logística avançada totalmente personalizada, nas mais diversas áreas de actividade», descreveu, em forma de preâmbulo. «Somos o nº 1 a nível dos operadores logísticos em Espanha, fruto da expansão e do crescimento que temos tido ao longo dos últimos anos», relatou o director-geral.

ICP Logística internacionalizou-se para Portugal e, desde então, «nunca mais parou»

O acelerado crescimento da ICP Logística obrigou a uma expansão além-fronteiras: essa «expansão internacional» arrancou em 2012, «com a abertura da plataforma em Portugal», e, assinalou André Maia, «nunca mais parou». Desde então, a ICP «abriu a plataforma em Inglaterra» já em 2018 «ampliou as suas infra-estruturas e serviços para a França». Os próximos anos «serão também anos de maior expansão para outros países europeus e também de ampliação de infra-estruturas», assegurou. «A nível de infra-estruturas contamos com 120 mil m2 de armazéns, e prevemos terminar o próximo a rondar os 200 mil», acrescentou.

Antecipação tecnológica foi a chave: «Já em 1997 achávamos que essa seria a chave de uma operação logística premium»

Em sintonia com o movimento de internacionalização estão as contas da ICP Logística: «Fechámos o ano de 2017 com 135 milhões de euros de facturação, temos capitais próprios na ordem dos 57 milhões de euros, o que mostra o nosso músculo financeiro para investir e crescer de uma forma orgânica», desvendou, dando conta de um progresso «assente nas tecnologias da Informação», factor que, denotou, é «uma das bases» da empresa. «Já em 1997 achávamos que essa seria a chave de uma operação logística ‘costumizada’ e premium», porque nos daria uma flexibilidade brutal na flexibilização de processos», explicou.

O sucesso apenas foi possível graças à total e atempada adaptação da empresa ao turbilhão de inovação tecnológica que assolou o sector: quem se atrasou pereceu – tal não aconteceu com a ICP Logística, que recorreu desde cedo «à automatização da actividade operacional, com o uso de IA, de robots e de sistemas computacionais», de modo a ser capaz de responder às expectativas dos clientes, que, dispararam nos últimos anos. Quem não tem noção disto «está fora do jogo», garantiu taxativamente André Maia.

«Processos personalizados e a inovação tecnológica» são factores fundamentais, revelou André Maia

A crescente e volatilizada exigência dos clientes forçou a busca de uma resposta flexível, ágil e personalizada: «É fundamental estamos permanentemente a superar-nos, sendo extremamente exigentes com os nossos processos internos, para estarmos satisfeitos com aquilo que oferecemos aos nossos clientes», detalhou, enumerando os requisitos essenciais para o sucesso: «lead times curtos, alta colectividade informática com todos os intervenientes do processo, informação em tempo real, para controlar e interiorizar todos os processos, centros de distribuição  numa linha extremamente informatizada e automatizada». Só assim, garantiu, se obtém meios operacionais que permitam «continuar a crescer».

Quais são, então, os elementos cruciais no árduo processo de edificação deste sucesso? André Maia deu a resposta: processos personalizados e a inovação tecnológica», dois factores «que têm de andar em sintonia para garantir que o serviço é de excelência» – «Não trabalhamos com sistemas standard onde os clientes é que têm de se encaixar a eles. Nós somos a peça-mestre de um Lego, facilitadores dos problemas dos clientes. Temos de ser muito adaptáveis. Costumamos dizer que somos uma fábrica que produz pedidos, que produz encomendas de pedidos», explicou.

ICP Logística em total harmonia com a assimilação das tecnologias de ponta da informação

A intervenção passou, depois, à abordagem da adopção da tecnologia de ponta, instrumental para todo o progresso da ICP Logística: «Nada disto se consegue implementar de uma forma eficaz se não houver tecnologia por detrás. Estamos sempre na linha da frente», nomeadamente, através de parcerias estratégicas, lembrando que existem empresas tecnológicas «que consultam protótipos com a ICP». É a tecnologia que permite uma integração a fundo, passível fortalecer a cadeia de abastecimento e os elos que se geram no seu tecido: «Todos os elementos da cadeia de abastecimento têm de estar totalmente integrados», corroborou.

O seu discurso focou, em particular, elementos inovadores como a Big Data, a IoT, o Blockchain e o próprio fenómeno do e-commerce. Todos eles factores disruptivos, e todos eles activos assimilados pela ICP Logística no seu caminho rumo ao sucesso. «A Big Data faz parte do nosso dia-a-dia. A análise massiva de dados ao longo de todo o processo logístico permitiu-nos obter uma série de melhorias internas», declarou. Entre esses incrementos está «a melhoria da experiência do cliente», a redução do «número de erros», e a eficaz preparação das encomendas, com «taxas de entrega e de sucesso maiores». Em suma: «a monitorização de  todos os pontos da cadeia do fornecimento, permite-nos identificar erros e insuficiências do processo», reduzindo-se custos e reinvestindo os ganhos.

Esta análise de dados permite assim à ICP «acrescentar valor» ao detalhar e verificar a performance das empresas de distribuição que trabalham com a ICP, para que haja «menor intervenção humana possível»: «quem trabalha muito bem, terá mais volume», explicou André Maia, caracterizando esta função como um «barómetro automático» que conduz à obtenção de «rácios de distribuição e de entrega muito altos, ganhos operacionais, tarefas em menor tempo e à eliminação de desperdícios».

O Blockchain faz também parte deste processo de assimilação tecnológica levado a cabo pela ICP. Segundo o director-geral da ICP Logística Portugal «permitiu que haja dentro da ICP uma grande transparência absoluta de informação; conseguimos ter uma traceability de todo o processo e saber a origem de cada um dos movimentos», um trunfo «importante» para que a informação seja «descentralizada» e capaz de «aumentar a segurança e a confiança» entre as partes envolvidas. Mas não só: também o e-commerce faz parte já do ADN da empresa: «Abrimos um departamento específico para a área do e-commerce», afirmou ainda.

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