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António Ataíde (Santos e Vale): «A Indústria 4.0 está aí, mas no final, são as pessoas que fazem a diferença»

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Criada em 1982, a Santos e Vale conhece, no presente, um crescimento que supera as iniciais expectativas. O ano de 2017 tornou-se «um marco na evolução da empresa» e abriu o apetite para um 2018 que se pretende de continuidade numa aposta que tão bons frutos tem vindo a dar – em entrevista à Revista Cargo, António Ataíde, Marketing Manager da Santos e Vale, abordou os desafios da redução da pegada ecológica, e da manutenção na «vanguarda da inovação no sector», sem esquecer, por entre as ramificações da supply chain 4.0, o factor diferenciador mais importante: as pessoas.



REVISTA CARGO: Conte-nos, de forma resumida, a história da Santos e Vale.

ANTÓNIO ATAÍDE: A Santos e Vale foi constituída em 1982. Inicialmente operávamos apenas na área de negócio do transporte, mas identificámos um conjunto de oportunidades no sector e por isso posteriormente evoluímos para a distribuição e logística. Em 1988 entrámos no sector automotive, através de um contrato com uma das maiores empresas do sector, o que nos obrigou a ser muito rigorosos e eficientes. Muito do que somos hoje se deve a este inicio.

O nosso percurso é marcado desde sempre pela manutenção dos princípios e valores da empresa. A família, a honestidade e o bom senso imperam nas nossas relações pessoais e comerciais. Procuramos estar na liderança do sector de Logística e Transporte em Portugal. Posicionamo-nos no mercado como uma empresa sólida, inovadora, tecnologicamente avançada e especialista no Transporte, Logística e Distribuição de produtos dos sectores da indústria agroalimentar, electrónica, de higiene e química.

Uma organização necessita de se reinventar para poder apresentar sistematicamente novas vantagens competitivas no mercado. É esta a nossa cultura.

santos e vale camiãoComo foram os resultados da Santos e Vale em 2017?

Em 2017 obtivemos um crescimento de 23% relativamente a 2016, com um total de 26 milhões de euros de receita. Este crescimento foi acompanhado pelo aumento nos recursos humanos. Um aumento que foi sustentado em linha com o aumento de facturação.

Esses resultados, estiveram dentro das expectativas?

O ano de 2017 foi mesmo um marco na evolução da empresa, com um crescimento acima do previsto. Os colaboradores demonstraram uma resposta e uma atitude incrível face à dinâmica do sector e às exigências dos nossos clientes. Por outro lado, foi também um ano em que a empresa iniciou um processo que irá contribuir para a redução das emissões de gases com efeito de estufa. Mas sem a nossa “trave- mestra” nada disto seria possível… Falo da fantástica equipa de pessoas que constitui a Santos & Vale.

E quais as expectativas para este ano?

Para 2018 a empresa prevê manter o crescimento sustentado que tem apresentado ao longo dos últimos anos, com o alargamento da rede de plataformas de distribuição, reforço da equipa de colaboradores e a total automatização da rede de distribuição em território nacional.

Números: quais são os da Santos e Vale neste momento? Ao nível de frota, plataformas, mão-de-obra, entre outros?

A Santos e Vale tem hoje um total de 14 plataformas e mais de 300 viaturas. Em relação à frota, destaco ainda que serão renovadas 65 viaturas em 2018, num investimento de três milhões de euros. Temos hoje mais de 450 colaboradores, um número que também tem crescido de forma sustentada.

Que grandes investimentos identifica nesta fase da história da Santos e Vale?

Com o objectivo de diminuir a nossa pegada ecológica, derivado da nossa actividade, e após testes já efectuados com viaturas eléctricas (híbridas) e movidas a gás natural, temos já outras iniciativas programadas para 2018. Faremos um investimento total de mais de 3 milhões de euros, com a renovação da nossa frota que passará também pela aquisição de veículos pesados de transporte (40 toneladas) movidos a gás natural.

Com esses, vamos diminuir em 35% o impacto da empresa no meio ambiente.

Por outro lado, destaco uma outra grande aposta da empresa, no sentido de nos mantermos na vanguarda da inovação no sector, que passa pela actualização de sistemas informáticos e novas tecnologias que permitam tirar partido das inovações existentes, mas estar também preparado para as novas ferramentas que iremos ter disponíveis no futuro próximo. Desta forma, estamos a redesenhar e melhorar todo o nosso sistema de controlo de informação, no sentido, de aumentarmos a performance das nossas operações tendo sempre como objectivo final a melhor prestação de serviço ao cliente.

E que grandes desafios identifica para o sector de Transporte Rodoviário de Mercadorias?

Um dos grandes desafios deste sector será o equilíbrio na equação entre a digitalização e o capital humano. É certo que a Indústria 4.0 e mais especificamente a supply chain 4.0 estão aí, mas não podemos esquecer que no final serão as pessoas que cada vez mais farão a diferença entre as empresas. Todas as empresas de Logística e Transporte têm noção que o aumento de informação disponível, tanto internamente como disponível para o cliente, está a mudar a forma como operam. O futuro irá trazer-nos robotização, sistemas inteligentes de transportes, veículos autónomos, impressão 3D e muitas outras ferramentas que nos permitirão oferecer um melhor serviço, mais eficiente, com melhor performance.

No fundo, são as novas tecnologias ao serviço das empresas e dos nossos clientes. Enquanto estas novas formas de trabalhar vão entrando no dia-a-dia da empresa, temos que dotar também o nosso capital humano de conhecimento e know-how para a utilização das mesmas, no sentido de conseguirmos estar na vanguarda da inovação do sector mas também conseguir ter os recursos humanos mais preparados para esta evolução constante.

Como justifica a aposta cada vez mais evidente da Santos e Vale em combustíveis alternativos, nomeadamente no gás natural?

Um dos nossos principais compromissos como empresa de transportes e logística é reduzir o impacto ambiental derivado da nossa actividade. Sabemos que uma empresa como a Santos & Vale tem um peso significativo no ecossistema, pelo que o nosso objectivo é optimizar ao máximo a cadeia de distribuição com procedimentos, veículos e equipamentos sustentáveis.

E há alguma preferência nas marcas com as quais vão renovando a frota?

As nossas preferência recaem sempre por fabricantes e marcas que nos dêem a garantia de qualidade e fiabilidade por um valor justo. No fundo, um pouco à semelhança do que nós somos enquanto empresa e oferece-mos aos nossos clientes…

E que factores diferenciam a oferta e o serviço da Santos & Vale face aos seus concorrentes?

O pormenor! Todo o cuidado que temos com um cliente desde o momento em que nos contacta, o desenvolvimento da solução logística e de transporte que ele necessita até à operacionalização com uma constante procura de melhoramentos e optimização. Esta dedicação ao pormenor é o que faz da Santos & Vale ser diferente no mercado, e é o que nos tem feito crescer desde a nossa criação.

Conseguimos oferecer uma solução total aos nossos clientes, desde o transporte à distribuição, para que eles possam estar dedicados ao seu core business.

Uma nova área que temos tido uma grande aceitação e procura é a logística promocional, a qual requer um cuidado extremo nos pormenores para que esteja optimizada ao máximo. Estamos neste momento já com capacidade de integrar nas operações logísticas dos nossos clientes um total manuseamento (Kitting, Assembly, Shrink, Labeling e Co-pack), preparação e expedição de qualquer tipo de mercadoria.

E que objectivos existem para o futuro da Santos & Vale?

Queremos continuar a crescer, melhorar, inovar, sempre com os pés bem assentes na terra mas com a cabeça no céu. Sabemos que uma empresa para se manter na liderança de um sector tão competitivo como é o nosso tem de estar constantemente em busca da perfeição.

Mas não da perfeição actual, temos que procurar a perfeição que ainda está para vir… Temos de aproveitar sempre a first-mover advantage.



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