António Costa: “As principais frotas globais – as 10 principais nações armadoras”

Marítimo, Opinião Comentários fechados em António Costa: “As principais frotas globais – as 10 principais nações armadoras” 683
Tempo de Leitura: 8 minutos

Antonio CostaTodos nós sabemos que o negócio do transporte marítimo é global e que, o que às vezes parece, até pode, ou não, ser… As maiores consultoras do mercado do transporte marítimo publicam, todos os anos, por esta altura, os diversos rankings relativos ao mercado de shipping.



Convém lembrar aos “mais distraídos” que, apesar das bandeiras, dos paraísos fiscais e de outros” palavrões” muito ouvidos e lidos entre especialistas, os proprietários dos navios (que podem não ser os armadores – e na maioria das vezes não o são) podem morar “ali mesmo no prédio ao lado”!

As 10 principais nações armadoras

Segundo a “VesselsValue”, a Grécia permanece no trono das principais 10 nações proprietárias de navios – com uma frota no valor de quase US $ 100.000 milhões. No seu conjunto, esses 10 países são donos de uma frota combinada com um valor que ultrapassa os 516 mil milhões de dólares norte-americanos (USD). Os helénicos (com 19% do valor total) são seguidos, de perto, pelo Japão e China, com frotas no valor de 89 e 84 mil milhões de USD, respectivamente.

PosPaísGranelTanquesContent.Frigo.MultiLNGLPGOSVMODUTotais
1Grécia3573535827818021123313514303674277999589
2Japão38327181381063752029631458735414636389122
3China2938018628198022243151315820971884522183545
4EUA6046160504038144277201220674801070846961
5Singapura10859154885378-87950241533627402444910
6Noruega5835966918621875523835242844551402942852
7Alemanha654734481814326828935461220182-33287
8Reino Unido32133177447313928944291956747969928122
9Coreia do Sul9498741823301856663114122971724464
10Dinamarca19176279874214281225967785338223726
Valores em Milhões de US dollars

 

 

Podemos verificar que nesta lista das 10 mais não encontramos qualquer nação africana e que a China se tem aproximado, muito rapidamente, dos lugares cimeiros, podendo, em breve, ameaçar a nação que, há perto de um século, tem a hegemonia dos mares.

A seguir, em resumo, o resultado do trabalho de investigação da reputada consultora:

Número 1 – Grécia

Os proprietários gregos continuam a ser a força dominante no transporte global. O valor actual de sua frota própria é de quase 100 mil milhões de USD, colocando o país no topo da tabela. O valor está concentrado em navios petroleiros (36.000 milhões), graneleiros (35.750 milhões) e GNL (13.500 milhões). O controlo helénico desses mercados é de cerca de 19% do valor total da frota global.

Número 2 – Japão

As empresas japonesas são o segundo maior grupo de proprietários por valor, embora permaneçam “no mesmo campeonato” da Grécia. Os interesses do país nos segmentos de granéis secos e LNG estão a par com os gregos, embora não tenham tanta exposição nos mercados de petroleiros. Os construtores de navios japoneses permanecem altamente competitivos, sendo que a maioria dos pedidos feitos pelos proprietários nipónicos é colocada nos estaleiros do seu país.

Número 3 – China

A China está a aproximar-se dos dois países cimeiros em termos de valor total de propriedade. O aumento estratosférico da economia do país desde 2000 teve impacto em todos os mercados de frete e de matérias primas. A trajectória de crescimento abrandou um pouco, recentemente, mas continua a ser uma força que pressiona a procura por cada vez mais tonelagem em todos os tipos de navios.

A propriedade em navios petroleiros e graneleiros está a par com o Japão, embora tenha menos navios de GNL e um maior peso na frota de navios porta-contentores, o que combina com a importação massiva de produtos secos, como minério de ferro e carvão, com o foco numa economia orientada para a exportação de bens de consumo.

A participação chinesa na propriedade global deve continuar a aumentar durante a próxima década em todos os mercados de frete marítimo. Simultaneamente, os estaleiros chineses continuam a alocar uma parte significativa do livro global de encomendas de novas construções ocupando, agora, o pódio das três principais opções para a construção de navios, acompanhando os líderes de longa data, Japão e Coreia do Sul.

Número 4 – Estados Unidos

Os interesses do transporte dos EUA estão focados, essencialmente, na indústria offshore, petroleiros e contentores. Uma parte significativa do valor de propriedade que apresenta é gerada pelos preços elevados das unidades construídas nos Estados Unidos e utilizadas no mercado de frete doméstico. Lembremo-nos que os navios de bandeira estrangeira não podem movimentar cargas entre portos dos EUA – Lei Jones (Jones Act).

Número 5 – Singapura

Apesar de longe dos três primeiros lugares, a sua quinta posição é significativa. A avaliação total dos proprietários com base em Singapura é de cerca de 45 mil milhões de USD, bastante abaixo da participação chinesa de 81 mil milhões. A propriedade de Singapura está, maioritariamente, distribuída por nichos específicos de mercado. Isso reflecte a diversidade do comércio que se move através da cidade portuária de passagem (gateway) de e para o Extremo Oriente. Singapura subiu um lugar no ranking – sexto lugar no ano passado – completando o grupo de Top 5. Convém não esquecer que alguns dos maiores armadores mundiais têm aqui a sua base, se não no seu todo, de pelo menos uma parte das suas frotas.

Número 6 – Noruega

O interesse da Noruega pelo mercado mundial de frete está, claramente, relacionado com os mercados de petróleo, em particular nos serviços de exploração e apoio a campos petrolíferos. Ambos os mercados viram uma forte contracção após o declínio do preço do óleo cru em 2015 e o contínuo aumento da produção onshore. No entanto, o aumento do preço da matéria-prima a que se assiste desde meados de 2017 está, agora, a potenciar um renovado interesse nos mercados offshore, o que é vantajoso para os proprietários noruegueses, que poderão ver uma recuperação das avaliações dos seus activos, muito desvalorizados durante o tempo de crise no mercado offshore.

Número 7 – Alemanha

Sustentabilidade santa teresa Hamburg Süd

Os proprietários alemães estão concentrados nos mercados de contentores e granéis secos, que representam cerca de 75% da sua participação total na presente classificação. Os valores dos activos de carga seca estão a recuperar, bem como o de algumas classes de porta-contentores mais pequenos. A forte exposição ao crédito bancário levou a que grandes instituições bancárias tivessem alienado participações e créditos, o que injectou alguma dose de incerteza e retracção no sector. Foram vários os armadores que se viram lançados na insolvência.

Embora os valores dos activos tenham vindo a recuperar nalguns mercados, é provável que a classificação venha a ser, futuramente, influenciada pela desistência de credores que procuram abandonar o mercado para sempre. A compra da Hamburg Süd pelo grupo AP Moeller-Maersk, foi um sinal claro do abandono do mercado marítimo por investidores e empresas com peso (e história) no mercado.

Número 8 – Reino Unido

O Reino Unido tem uma posição forte no mercado de transporte de gás, o que é uma vantagem no que concerne o forte mercado de GNL, embora possa ser negativo no que respeita a mercados de GLP, que se encontram deprimidos. O aumento inesperado do investimento em projectos no Mar do Norte poderá vir a impulsionar a presença dos proprietários baseados no Reino Unido nos mercados offshore.

Número 9 – Coreia do Sul

hmm navio blackrockOs estaleiros sul-coreanos continuam a ser os maiores do mundo, embora os proprietários de navios nacionais tenham uma posição menor. O revés dos investidores no país, após dificuldades financeiras de grandes empresas (incluindo a falência da Hanjin, que era considerada a 6ª companhia mundial de contentores), poderá reduzir, provavelmente, a exposição ao mercado no sector marítimo.

Número 10 – Dinamarca

A Dinamarca (leia-se AP Moeller-Maersk) está comprometida com o nível superior dos navios porta-contentores (ULCS’s), na medida em que procura controlar a participação no mercado das vias marítimas primárias de carga contentorizada. O valor destes grandes navios embora baixo, não é, provavelmente, decisivo para a composição do posicionamento do país entre os maiores proprietários mundiais.

Resumindo, as participações destes dez países na frota mundial estão espalhadas por vários segmentos, em vez de um mercado específico. Isto reflecte um compromisso histórico e actual destes países com a indústria marítima.

O forte compromisso dos proprietários gregos com os mercados mundiais de frete não parece diminuir, enquanto outros, como na Alemanha, estão a seguir uma política de liquidação de activos. A tendência de aumento por parte da China deve-se ao facto das empresas estatais chinesas se estarem a consolidar e, ao mesmo tempo, a fazer encomendas de novas unidades, beneficiando de enormes subsídios estatais à renovação da frota.

Leia também:

As principais frotas globais – os maiores operadores de navios porta-contentores clicando AQUI.

As principais frotas globais – granéis sólidos ou secos (dry bulk cargo) clicando AQUI.

As principais frotas globais – o mercado de navios petroleiros de óleo cru clicando AQUI.

António Costa

Tem como formação base o Curso Geral de Pilotagem e o Curso Complementar de Pilotagem da ENIDH. Desempenhou funções de Oficial da Marinha Mercante, em navios nacionais e de outras bandeiras, de 3º Oficial a Comandante. Posteriormente, foi Piloto da Barra nos Portos do Sotavento Algarvio, Setúbal e Lisboa. Possui licenciaturas em “Gestão de Tecnologias Marítimas” e “Administração e Gestão Marítimas”, Mestrado em “Gestão da Qualidade em Serviços” e o Curso de Especialização referente ao 1º ano do curso de Mestrado de Pilotagem. Após aposentação como Piloto de Barra, tem desempenhado funções de formador de Náutica de Recreio e de Gestão Marítimo-Portuária, além de Consultor Marítimo Sénior na Área dos Transportes Marítimos e Organização Portuária.



Back to Top

© 2018 Magia Azul, all rights reserved.
Partilhar
Partilhar
WP Twitter Auto Publish Powered By : XYZScripts.com