António Costa: “As principais frotas globais – o mercado de navios petroleiros de óleo cru”

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Antonio CostaAs maiores companhias de petroleiros do mundo transportam biliões de barris de petróleo bruto a cada ano. O petroleiro é o navio usado para o transporte de produtos petrolíferos através dos oceanos. Os petroleiros dividem-se em dois tipos principais: petroleiros de bruto e petroleiros de produtos. Como o nome sugere, os petroleiros de bruto transportam o petróleo bruto, enquanto os petroleiros de produtos (geralmente de menor tamanho) movem produtos petrolíferos refinados.

Estes navios surgem-nos numa diversidade de dimensões, representadas em toneladas métricas equivalentes à sua capacidade (DWT). Os petroleiros de bruto estão entre os maiores, variando entre as 55 mil toneladas de capacidade de carga, para os navios Panamax, e as 440.000 toneladas transportadas pelos ultra-grandes ULCCs (ver quadro). Estima-se que cerca de 2 biliões de barris de petróleo bruto foram transportados por petroleiros no ano passado.

Este mercado tem vindo a sofrer pressão nos últimos meses devido à adição de novas unidades à frota, que vieram aumentar a oferta de tonelagem a um ritmo mais rápido do que o crescimento da procura das importações de petróleo. Este crescente desequilíbrio foi responsável pelo declínio das taxas de frete que desencadearam um processo de abandono por parte de alguns armadores e de consolidação no sector.



Os episódios de aquisições e fusões têm sido recorrentes nos últimos anos. O mais recente episódio foi protagonizado pela Euronav que assinou um acordo de compra e posterior fusão com a Gener8 Maritime – que tinha sucedido à reestruturação da anterior General Maritime, que havia passado por dificuldades financeiras e se fundiu com a Navig8 Crude Tankers. Depois do processo completo (autorizações dos reguladores), os activos combinados destes dois operadores de navios tanque de crude somarão um total de 75 petroleiros – de entre eles, 44
VLCCs e 28 Suezmax.

Mas já antes disso, a Euronav tinha vencido a corrida (à General Maritime) na licitação para os VLCCs da Maersk; a DHT adquiriu os VLCC da BW e a frota da Samco; a Teekay Tankers adquiriu a TIL, a frota da Principal Maritime e metade da tonelagem da OMI; a Frontline fundiu-se com a Frontline 2018 e a Capital Product Partners com a Crude Tankers. Finalmente, a OSG comprou a Stelmar e a Arlington Tankers.

Com toda esta actividade de fusão e aquisição (M & A) dá a impressão de que a propriedade de navios petroleiros se está a consolidar em apenas meia dúzia de proprietários. Nada mais errado. Um olhar mais atento permite perceber que esta consolidação tem um impacto importante em mercados específicos (no mercado norte-americano, p. ex.) embora, a nível global, a propriedade de petroleiros permaneça altamente fragmentada.

Como exemplo, a belga Euronav irá tornar-se o maior operador de petroleiros nos Estados Unidos, depois de “engolir” a Gener8. No entanto, a sua participação na capacidade global (5%) permanecerá, relativamente, pequena. Segundo estimativas da IHS Maritime & Trade (M & T), a capacidade actual de navios-tanque de petróleo bruto totaliza 408,9 milhões de toneladas métricas, incluindo 712 VLCCs.

Os principais proprietários listados nas bolsas dos Estados Unidos – a Euronav (incluindo já a Gener8), a Frontline (incluindo a tonelagem afretada da Ship Finance International) e a DHT – possuem apenas 9% dos navios petroleiros mundiais e 13% dos VLCCs. O conjunto das empresas listadas nos EUA agrega, hoje, 15% da tonelagem mundial de petroleiros e 18% da tonelagem VLCC.

Outros grandes proprietários de petroleiros como a China VLCC, Bahri, NITC, Maran, MOL e NYK estão listados em bolsas asiáticas ou são privados. A China VLCC, subsidiária da China Merchants Energy Shipping Co, é a maior proprietária mundial de VLCCs com 47 (incluindo novas construções).

As Top10 maiores companhias de petroleiros de bruto

Como vimos atrás, são muitas as empresas especializadas neste mercado. Essas empresas possuem, em geral, navios petroleiros de várias dimensões e de acordo com o seu mercado específico. Apresenta-se, agora, as que, possivelmente, sejam as 10 maiores companhias de petroleiros de bruto do mundo, com base nas dimensões das suas frotas, de acordo com os dados da Tankeroperator.com e dos portais oficiais dos armadores. A informação a seguir apresentada poderá não estar completa, já que nem todas as empresas fornecem informação sobre a sua frota.

No lugar cimeiro do pódio encontramos a Euronav, uma empresa europeia (belga) que, após a conclusão do processo de aquisição da Gener8, se tornará no maior proprietário de petroleiros de bruto, com uma frota de 19,1 milhões de toneladas métricas de capacidade (perto de 5% da tonelagem global disponível, actualmente).

A empresa que ocupa a 2ª posição no Top10 é a Teekay Group, com sede em Hamilton, nas Bermudas. O Grupo Teekay foi fundado em 1974 e possui uma extensa frota, que opera nos vários segmentos, como offshore, gás, petroleiros, etc. Possui várias empresas subsidiárias listadas nas bolsas de valores dos EUA – gerindo cerca de 120 petroleiros de crude de vários tamanhos, com uma capacidade global de 15,8 milhões de DWT.

Em 3º lugar surge a Maran Tankers Management (MTM), empresa grega criada em 1992 e participada do Angelicoussis Shipping Group Limited (ASGL). Actualmente, possui 51 VLCCs (dos quais, 9 em construção) e a sua capacidade consolidada em DWT é de 15,03 milhões, o que representará 3,68% da frota petroleira mundial.

A National Iranian Tanker Co. (NITC) aparece no 4º posto. Como o nome sugere, é uma empresa de petroleiros iranianos (privatizada em 2009) e foi profundamente afectada pelas sanções económicas impostas ao Irão. É a maior empresa de petroleiros do Médio Oriente e dedica-se, principalmente, ao transporte de petróleo iraniano para os mercados de exportação. A NITC tem uma frota total de 69 navios com uma tonelagem total de perto de 15
milhões de DWT.

A meio da tabela está a China VLCC Company Limited (CVLCC), criada em 2014, que possui uma frota que inclui 47 VLCCs (é a maior proprietária de VLCCs na China), com uma tonelagem de capacidade agregada de 14,5 milhões de toneladas. É resultado de uma joint venture entre a China Merchants Energy Shipping (CMES), que possui 51%, e a Sinotrans, que tem os restantes 49%.

No 6º lugar está a empresa saudita Bahri – National Shipping Company of Saudi Arabia que é, hoje, um dos maiores proprietários e operadores de VLCCs do mundo e o maior proprietário de petroleiros químicos no Médio Oriente. Actualmente, tem uma frota de 90 navios, incluindo 46 VLCCs e soma uma capacidade de 12,5 milhões de toneladas de DWT.

A Frontline Ltd está no lote das grandes empresas de transporte de petroleiros e surge-nos no 7º posto. Tem escritórios nas Bermudas, Índia, Filipinas, Libéria, Noruega, Reino Unido e Singapura. O seu principal tráfego de petróleo bruto tem origem no Médio Oriente e destino na Ásia, Europa e América do Norte. Tem uma tonelagem de capacidade agregada de 11,57 milhões de DWT.

Em 8º lugar aparece a Mitsui O.S.K. Lines (MOL), um histórico armador japonês criado em 1884, em Tóquio. Originalmente fundada como OSK Lines, fundiu-se com a Mitsui Steamship em 1964, formando a actual MOL. Tem escritórios abertos por todo o mundo. A sua frota própria de petroleiros de bruto atinge os 11,5 milhões de DWT, aos quais se somam outros 3,6 afretados a outras empresas. Este gigante japonês possui e gere (em pool), no total, 169 petroleiros de bruto de diferentes tipos.

No nono lugar surge-nos a AET Tankers Pte Ltd, um operador de petroleiros com sede em Singapura e que possui uma vasta frota. A empresa, que é uma subsidiária da MISC Berhad, foi fundada em 1994 e tem escritórios em 12 países. A MISC Berhad (MISC), por sua vez, é uma subsidiária da Petronas, a maior companhia de petróleos da Malásia. A sua frota própria tem uma tonelagem de capacidade agregada de 10,6 milhões de toneladas.

No final da lista das 10 maiores encontramos o Sovcomflot Group (SCF), a maior companhia de transporte da Rússia e especialista no transporte de petróleo bruto a partir de regiões geladas. Actualmente, possui 150 navios divididos pelos tráfegos LNG, LPG, carga seca e carga especial, além do transporte de petróleo bruto, com uma tonelagem petroleira de capacidade próxima de 9,6 milhões de DWT.

Muitas outras, ou já estiveram, ou poderão vir a fazer parte desta lista das 10 mais, olhando para o que o mercado perspectiva de continuação de processos de fusão e aquisição (M&A).

Leia também:

As principais frotas globais – granéis sólidos ou secos (dry bulk cargo) clicando AQUI.

As principais frotas globais – os maiores operadores de navios porta-contentores clicando AQUI.

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António Costa

Tem como formação base o Curso Geral de Pilotagem e o Curso Complementar de Pilotagem da ENIDH. Desempenhou funções de Oficial da Marinha Mercante, em navios nacionais e de outras bandeiras, de 3º Oficial a Comandante. Posteriormente, foi Piloto da Barra nos Portos do Sotavento Algarvio, Setúbal e Lisboa. Possui licenciaturas em “Gestão de Tecnologias Marítimas” e “Administração e Gestão Marítimas”, Mestrado em “Gestão da Qualidade em Serviços” e o Curso de Especialização referente ao 1º ano do curso de Mestrado de Pilotagem. Após aposentação como Piloto de Barra, tem desempenhado funções de formador de Náutica de Recreio e de Gestão Marítimo-Portuária, além de Consultor Marítimo Sénior na Área dos Transportes Marítimos e Organização Portuária.



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