António Dinis Queirós (Lufthansa Cargo): «Estamos no topo de linha da inovação e do ‘e-AWB’»

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Na sequência da realização, no passado dia 14 de Novembro, do eServices Workshop promovido pela Lufthansa Cargo, à nossa publicação foi lhe dada a oportunidade de chegar à fala com António Dinis Queirós, Regional Manager da referência global do transporte aéreo de cargas, responsável pelos territórios de Espanha e Portugal. Há três décadas na estrutura da Lufthansa Cargo, o especialista é uma das pessoas mais indicadas para abordar o pioneirismo da companhia na adopção do trunfo digital.

REVISTA CARGO: Como encara o papel da Lufthansa Cargo no desenvolvimento de uma nova ‘realidade digital’ na tramitação de processos da carga aérea?

António Dinis Queirós: A Lufthansa sempre teve um perfil de companhia inovadora, essa sempre foi uma das características que o mercado evidenciou em nós. Estamos no topo de linha da inovação e a nível da digitalização e de e-AWB, um processo que arrancou há 10 anos através da iniciativa da IATA no sentido de digitalizar a documentação.

A Lufthansa Cargo tem encabeçado todo este processo desde o pontapé de saída dado pela IATA? A que ritmo tem este evoluído?

lufthansa cargoA Lufthansa foi envolvida desde o início, tivemos logo um projecto para embarcar nessa direcção, mas é, de facto, um processo muito lento, uma vez que existem muitas entidades que têm de ser envolvidas no processo de transporte: autoridades governamentais, alfândegas, segurança, etc. Reunir toda essa gente numa mesa e mostrar-lhes as vantagens de digitalizar processos é complicado. Essa lentidão junta-se também ao facto de nem todas as companhias aéreas terem ido na mesma direcção e à mesma velocidade; além disso, uma grande parte da indústria, a nível de agentes transitários, tem ainda uma mentalidade um pouco à antiga – que agora está a mudar bastante e a permitir que o processo seja mais rápido. Ainda assim, decorre a uma velocidade bem mais baixa que aquela que nós gostaríamos, porque achamos que a indústria necessita mesmo disto, é um passo fulcral para a evolução da indústria.

A introdução global do e-AWB é já um processo irreversível. Quais os seus maiores trunfos?

«Sabemos que os processos do transporte de carga são bem mais complexos que o transporte de um passageiro, mas não temos volta a dar: o mundo à nossa volta é digital e, obviamente, o transporte aéreo também precisa de ser rápido e transparente. Os processos precisam de ser também mais económicos e mais amigos do ambiente – um factor importante que devemos mencionar – logo, a indústria tem mesmo de caminhar toda nesta direcção».

Como tem decorrido a adaptação dos vários agentes a esta fase de mudança?

«Ainda há uma certa resistência, pelo menos pela minha experiência e pelos mercados por onde já passei. Ainda existe um certo ‘medo’ de não haver um documento em papel e que isso não permita que a mercadoria seja transportada, mas, pouco a pouco, se vai dissipando. Em todos os workshops que fazemos – e quando falamos individualmente com os clientes – mostramos as vantagens de entregar documentos via electrónica. Estamos a trabalhar com agentes de handling para que existam canais de entrega de mercadorias totalmente digitais. Os clientes deparam-se logo com uma vantagem imediata».

O progresso de desmaterialização da companhia não se fica pela carta de porte…

«Estamos a trabalhar em mais áreas. Começámos pela base, que é a digitalização da carta de porte, mas existem muitos outros documentos de transporte que acompanham uma mercadoria e nos quais estamos a trabalhar intensamente – seja na digitalização dos house manifest seja na declaração de artigos perigosos. Nós transportámos, há cerca de três semanas, o primeiro envio de carga perigosa com declaração completamente digital. Estamos a trabalhar com parceiros de IT precisamente no sentido de aprofundar a digitalização de todos estes processos. Aqui temos de envolver também os expedidores porque também têm de efectuar a declaração de forma digital, e devo dizer que existe uma grande vontade nesse sentido por parte dos expedidores. Temos também a nossa página de reservas electrónicas – essa página irá ser desenvolvida durante os próximos 2 anos. Haverá várias novidades (preços dinâmicos, capacidades automaticamente oferecidas) que permitirão mais vantagens aos nossos clientes.

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