António Nabo Martins: «Transitários continuarão a ser a alma do negócio»

Empresas, Logística Comentários fechados em António Nabo Martins: «Transitários continuarão a ser a alma do negócio» 478
Tempo de Leitura: 4 minutos

Entrámos já na recta final para o Congresso da APAT: trata-se da 17ª edição e, reunindo, mais uma vez, a nata do sector logístico e empresarial, a associação pretende aliar à ambição de auto-conhecimento, a vontade de reflexão interna (mas de olhos postos nos desafios globais) de uma das áreas mais fulcrais da Logística – a actividade transitária. De onde partir? Para qual destino? Qual o rumo a tomar? Perguntas que certamente encontrarão respostas nas trocas de ideias previstas durante o evento, que decorrerá em Portimão, nos dias 11 e 12 de Outubro. Para melhor percebermos a proposta da APAT, a Revista Cargo chegou à fala com António Nabo Martins, presidente executivo da associação.

A revolução 4.0 veio para ficar mas…os transitários sempre cá estiveram

O vendaval de inovações tecnológicas e a vaga digitalizante têm vindo a mudar, para sempre, a face da Logística – multiplicam-se as mudanças e, à boleia das mesmas, novas ameaças e oportunidades surgem no horizonte dos transitários. Afinal, como devem as empresas encarar estes novos paradigmas? «Não devemos entrar em pânico, mas devemos estar atentos. A confiança será fundamental nos negócios, como sempre foi. O segredo é a alma do negócio, mas o negócio não tem alma: quem tem alma são as pessoas», começou por dizer Nabo Martins.

Economia Colaborativa: um passo estratégico para ganhar escala

De forma, então, se liga este pensamento à realização do Congresso? «As pessoas farão sempre parte do negócio. E os transitários continuarão seguramente a ser essa ‘alma’. Os que acompanharem a evolução do mercado ficarão mais fortes. Por isso é que nós, neste Congresso, iremos abordar um tema que considero fundamental: as parcerias e a Economia Colaborativa. Porquê? Porque, em princípio, a maioria dos transitários portugueses são de dimensão média ou pequena, e enquanto estivermos sozinhos, alheados, não teremos escala, mas juntos podemos ter escala. Aqui entram as parcerias, que, como sempre defendo, deverão ser transparentes, honestas e éticas», frisou.

Será, então, uma questão de escala – escala essa que poderá ser obtida através dessas mesmas abordagens de mutualismo e cooperação. «Se conseguirmos estabelecer esse tipo de parcerias, poderemos concorrer com as multinacionais. Hoje, um transitário português será micro na Alemanha – mas, ao juntar-se com outros parceiros, poderá ganhar dimensão e aspirar a ombrear com rivais de outras capacidades. Esta dinâmica poderá alterar muita coisa no futuro. Tudo isto deve acontecer com um acompanhamento do fenómeno da digitalização e da revolução 4.0, que, digam o que disserem, precisará sempre das pessoas», reforçou o presidente executivo da APAT.

Desafios e oportunidades de uma classe resiliente

O Congresso servirá, salientou, não só para um processo de auto-avaliação e radiografia da classe, mas também para a análise da envolvência actual que coloca, aos transitários, entraves, desafios, oportunidades e estímulos nunca antes sentidos. Ambas as abordagens são faces da mesma moeda. «Sem percebemos onde estamos hoje, não conseguiremos fazer o caminho do futuro», sublinhou António Nabo Martins, lembrando que, em muitas aparentes dificuldades surgem oportunidades que poderão ser capitalizadas pelas empresas portuguesas.

«Considero a tecnologia 3D um tópico muito importante porque, em principio, vai alterar de forma considerável o mercado e as importações e exportações – julgo que eventualmente deixaremos de importar a peça acabada mas não deixaremos de importar a matéria-prima através da qual se produzirá o artigo final. As empresas transitárias terão que ponderar a possibilidade de terem de se adaptar a um novo mercado: ao invés da importação da peça, a importação da matéria-prima. Isto pode levar alguns anos a acontecer, mas penso que acabará por acontecer», exemplificou.

Para rematar, uma mensagem de confiança e respeito para com o papel (resiliente) do transitário, habituado a enfrentar constantes desafios que forçaram, ao longo dos anos, a adaptações árduas: «Até hoje, os transitários tiveram de ultrapassar desafios complicados; o transitário já não arquitecta somente o transporte, fá-lo à medida de cada cliente, de forma personalizada, tal como um trabalho de alfaiate».

Back to Top

© 2019 Magia Azul, all rights reserved.
Partilhar
Partilhar
pt Português
X
WP Twitter Auto Publish Powered By : XYZScripts.com