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ANTRAM: empresas podem ter perdas de 3 milhões devido aos motoristas retidos no Reino Unido

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Em declarações à Lusa, o porta-voz da ANTRAM (Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias) André Almeida, calculou que as empresas podem enfrentar perdas superiores a três milhões de euros devido aos motoristas portugueses retidos no Reino Unido. Recorde-se que o encerramento da fronteira, ordenado pela França, causou o caos nas áreas próximas dos pontos de travessia do Canal da Mancha.

ANTRAM camiãoO fecho da fronteira, devido a uma suposta nova mutação do novo coronavírus, fez acumular mais de 4.000 camionistas no acesso, incluindo portugueses, forçados a passar várias noites no interior dos veículos. Após negociações entre Londres e Paris, França concordou em reabrir a fronteira e autorizar a passagem de cidadãos franceses, residentes britânicos em França e motoristas de camião, desde que munidos de teste de Covid negativo.

André Matias de Almeida disse que o balanço da ANTRAM é o de que, os «poucos dias», as perdas para as empresas poderão «ultrapassar os dois, três milhões de euros». Este valor estimado, explicou, trata-se de um valor para as perdas directas, ou seja, «são transportes e serviços que não foram realizados, e há, obviamente, todo o conjunto de situações que não pode ser realizado, por os veículos se encontrarem alocados e retidos num determinado espaço, cuja intenção era que circulassem para o espaço europeu e pudessem prestar outros serviços», explicou o responsável.

ANTRAM alertou para situação «preocupante» dos motoristas retidos

Mesmo na antecâmara do Natal, o porta-voz admitiu que, de acordo com informações recolhidas pela associação, a circulação dos motoristas portugueses, retidos na fronteira entre o Reino Unido e a França, ainda não estava a acontecer. «A informação que temos é que até há duas horas estava a haver alguma circulação, é verdade, os motoristas e os veículos já estão a circular, mas não estão ainda motoristas portugueses em circulação», adiantou, no passado dia 23 de Dezembro. Os entraves à resolução do problema são vários.

«A condição para o trânsito é a testagem, que está a decorrer num parque de estacionamento improvisado, onde todos os motoristas que quiserem fazer a circulação serão testados. Isto, como é possível imaginar, quando estamos a falar de cerca de cinco a seis mil camiões, estamos a falar de uma operação logística de grande monta e, nessa medida, acreditamos que essa operação deverá levar o seu tempo e inviabilizar que esses motoristas passem o Natal com as suas famílias», lamentou o advogado e porta-voz da associação patronal, caracterizando o cenário de «preocupante».

«Uma situação que eu gostava de realçar são as condições sanitárias em que aqueles motoristas se encontravam e se encontram a esta data, que está, obviamente, ao arrepio de qualquer regra sanitária da Organização Mundial de Saúde, ou de qualquer Estado-membro da União Europeia», apontou.

Fonte: Lusa

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