Gustavo Paulo Duarte (ANTRAM) assinala «valorização do sector» em dia de sintonia sócio-laboral

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Arrancou às 10 horas da manhã e apenas encerrou às 16: esta Terça-feira (dia 29 de Outubro) foi, indubitavelmente, uma dia em cheio para o sector do transporte rodoviário (pesados) de mercadorias: a sede da ANTRAM foi palco da assinatura, por parte de cinco entidades (FECTRANS, SIMM, SNM, SNMMP e ANTP), do novo contrato colectivo de trabalho. Um dia que simbolizou a pacificação de um sector que viveu um ano de 2019 turbulento e instável, com greves (em Abril e Agosto) e vários processo de negociação falhados.

Cerca de 14 meses depois da assinatura de um contrato histórico, o sector do transporte rodoviário de mercadorias voltou aos actos formais, agora para assinar um novo contrato colectivo de trabalho que vincula, não apenas a FECTRANS (Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações), mas também o SIMM (Sindicato Independente dos Motoristas de Mercadorias), SNMMP (Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas), SNM (Sindicato Nacional de Motoristas) e ANTP (Associação Nacional de Transportadoras Portuguesas).

ANTRAM alerta: depois da luta laboral, segue-se a «guerra dos clientes»

ANTRAM cctApós mais de um ano de reuniões, tendo em vista a revisão e melhoramento do inaugural contrato colectivo de trabalho, o acordo agora obtido (e que conta com a arquitectura de consensos consolidada durante os últimos meses entre a ANTRAM e a FECTRANS) estende-se a todo o sector: um triunfo que reflecte a sintonia que, finalmente, se vive no sector, mesmo antevendo-se dias difíceis para a indústria, que terá de se adaptar às novas exigências da legislação – estando as transportadoras na linha da frente desses novos desafios. Quem o diz é Gustavo Paulo Duarte, presidente da ANTRAM.

«O balanço é positivo. O objectivo é a valorização do sector e trazer qualidade a todos os agentes do sector – sejam motoristas ou empresas. Será sempre positivo haver este tipo de acordos. Agora, ultrapassada esta questão – os tumultos que se viveram este ano – os transportadores vão iniciar outra luta, que é a luta comercial, já que alguém terá de pagar isto. O preço de qualquer produto tem transporte, portanto, se o custo aumenta, o custo dos produtos vai aumentar. É nos clientes que temos de reflectir estes aumentos», explicou, em declarações à Revista Cargo.

«Seja para os combustíveis ou para os produtos de super-mercado: tudo isto, pressionado por aumentos laborais…é óbvio que se vai reflectir nos preços. As empresas de transporte actualmente não têm margem para absorver qualquer tipo de aumentos de custo desta natureza, portanto, dificilmente as empresas conseguem absorver parte disto. A próxima guerra é uma guerra dos clientes – ao final do dia, sou eu, somos todos nós que pagaremos isto do nosso bolso. A verdade é que, nesta lógica de valorização do sector, isto fazia sentido», comentou.

«Não estou a ver um mundo sem motoristas nos próximos 40 anos»

«Precisamos de estabilidade laboral para atacarmos a próxima guerra: tentar ganhar dinheiro, ou, pelo menos, repassar custos. Precisamos de paz laboral para que se consiga tentar ajustar as empresas a novas realidades de custos, porque isto pesará muito e existem muitas empresas que vão passar sérias dificuldades com esta nova realidade económica e laboral. Saímos de uma guerra de custos e passamos para uma guerra de proveitos, para colmatar os custos que se passará a ter. As empresas não têm dinheiro para pagar estes custos que agora foram firmados», atirou.

Na visão do presidente da ANTRAM, «terá de ser o mercado a pagar» as alterações no sector. «Todos os clientes têm que ter a noção de que o custo logístico em Portugal é substancial mais baixo do que no resto da Europa exactamente por isto – porque nos últimos anos não houve revisão destes temas. E isso tinha de ter um fim, porque eu não estou a ver um mundo sem motoristas nos próximos quarenta anos. Temos de os captar, é isso que temos de fazer enquanto associação, defensora das empresas, e temos de chegar ao mercado com um tarifário diferente».

 

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