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APAT: Plano Ferroviário deve reflectir «uma visão estratégica» e «holística» para o país

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A APAT divulgou uma missiva na qual elenca as suas ideias e análises para a evolução e competitividade da ferrovia portuguesa, no contexto do Plano Ferroviário Nacional – a associação nacional de transitários evidencia as «lacunas nas acessibilidades terrestres e integração na rede transeuropeia e nas respectivas cadeias logísticas» e as «debilidades do sistema ferroviário» luso, em particular no transporte multimodal.

«Efeito de rede» deve ser capitalizado, alerta a APAT

Plataforma Logística GuardaO documento, ao qual a Revista Cargo teve acesso, frisa a necessidade de «melhorar e agilizar a rede de terminais actuais, que pela sua vocação ferroviária venham a permitir aumentar consideravelmente a competitividade das empresas nacionais, através da redução de custos de produção e concomitantemente de transporte». Em termos estratégicos, vinca a APAT, é crucial capitalizar «o efeito de rede» que tais terminais podem proporcionar dentro da rede ferroviária, «criando uma rede de nós (terminais) imprescindível ao desenvolvimento do transporte ferroviário».

A associação realça que o transporte ferroviário «tem capacidade para alavancar crescimentos internos, mobilidade de mercadorias com elevados índices de tonelagem, quantidade e qualidade e aumentar consideravelmente a mobilidade das pessoas ao potenciar a diminuição de tráfego rodoviário pesado» – trunfos que o distinguem das outras modalidades de transporte. Para a APAT, o país deve «estabilizar um planeamento de médio e longo prazo», afirmar o caminho-de-ferro como o modo de transporte de «elevada capacidade e sustentabilidade ambiental», integrar o modo ferroviário «nas principais cadeias logísticas nacionais e internacionais» e abrir portas para a «transferência modal para a ferrovia».

Portugal deve «almejar a fazer parte dos corredores ferroviários europeus»

Assim, argumenta a APAT, o Plano Ferroviário deve reflectir «uma visão estratégica» e «holística», fundada na estabilidade e consolidada num «conjunto de interesses, com valências complementares na actividade logística com utilização da ferrovia de modo a promover na generalidade as indústrias, os Portos e a economia Nacional de acordo com os padrões de funcionamento adoptados pelo ‘estado da arte’». O caminhodeferro deverá ser o «elemento estruturante das redes de transportes e do território», logo, o plano «terá de assegurar uma cobertura nacional adequada assim como as ligações transfronteiriças ibéricas e a integração na rede transeuropeia» assim como a «integração do modo ferroviário nas cadeias logísticas nacionais e internacionais de forma equitativa e independente, garantindo condições de concorrência e competitividade elevada».

Transitários digitaisNo processo de descarbonização, torna-se também vital «promover o modal shift entre a rodovia e a ferrovia, dando um importante contributo para a protecção do ambiente, desenvolvimento económico e melhoria geral da qualidade de vida das pessoas». É assim «necessário constituir uma rede de transportes alavancada numa rede de Terminais Multimodais, para desse modo poder oferecer ao mercado soluções de transporte alternativas». No que toca às conexões transfronteiriças e à integração na rede transeuropeia, a APAT defende «a criação de corredores Logísticos que se conectem entre si através de nós logísticos e plataformas e que simultaneamente possam conectar estas plataformas através de si».

A associação lembra que «só com infra-estruturas adequadas» Portugal poderá «almejar a fazer parte dos corredores ferroviários europeus», sendo importante a colocação de plataformas «em locais com um raio de acção maior, que consigam cobrir o território nacional e simultaneamente as regiões geradoras de maior volume de carga, quer seja produzida/consumida em Portugal ou em trânsito». Neste âmbito, é também «fundamental» uma «compatibilidade dos vários modos» – «Uma combinação entre infra-estrutura rodoviária e ferroviária, ligará as regiões da sua influência a mercados estratégicos, promovendo o acesso fácil e permitindo atingir com maior capilaridade outros países», vinca a missiva.

País precisa de «investir em terminais logísticos e intermodalidade»

Outro dos pontos cruciais, ressalva a APAT, trata-se do fomento da «transferência modal para a ferrovia». A entidade considera «consensual» a «importância estratégica» das plataformas logísticas, operando como «aglutinadores e acumuladores das cargas das cadeias logísticas, acelerando assim o processo de equilíbrio da matriz da cadeia de transportes». Assim, não basta «construir uma determinada linha férrea ou estrada» para garantir o fluxo de cargas: «Precisamos investir também em terminais logísticos (plataformas) e em intermodalidade», vinca a associação.

No comunicado, a APAT sugere a criação de «equipas multidisciplinares aproveitando ao máximo o conhecimento e competências para criar modelos que cativem todos, que unam toda a sociedade civil e política à volta de um desiderato Nacional», a criação de um «grupo de trabalho independente e isento para avaliar que corredores Logísticos de base ferroviária o país necessita» e a criação de uma «rede principal de Terminais Logísticos de iniciativa publica e de políticas públicas, pois só estas podem determinar a promoção da Intermodalidade como transporte preponderante das cadeias logísticas e fundamentais para potenciar o desenvolvimento da economia, a captação de novos investimentos e a criação valor e riqueza».

ferrovia IPTal rede principal «deverá ser constituída por cinco Terminais (Leixões, Coimbra, Entroncamento, Lisboa e Sines) principais,no eixo estruturante da rede ferroviária Nacional (Linha do Norte e Portos), por dois Terminais Fronteiriços (Guarda e Elvas/Badajoz), alguns destes já construídos e auxiliados por uma rede assistente de Terminais (Valongo, Lousado, Alfarelos, Entroncamento, Bobadela), que já existem, e quase todos de iniciativa privada. Uma política de parceria e cooperação entre privados e público permitiria uma cobertura nacional para a carga», explica a associação.

Entre as sugestões da APAT está também a criação e melhoria de «acessibilidades entre os Portos e a RFN, garantindo a possibilidade de nos pontos de recepção e expedição se movimentarem comboios com 750 metros», a eliminação de «algumas rampas e pendentes que penalizam seriamente a competitividade do transporte ferroviários, nomeadamente nas linhas do Norte, de Leixões e de Sines», e erradicação de «‘gargalos’ que inviabilizam os acessos a Portos, Terminais e Indústria de forma eficiente, nomeadamente P. de Setúbal e Lisboa, T. Alfarelos, Celbi e Navigator», a construção da ligação entre Sines e Grândola Norte, a modernização das Linhas do Oeste, Minho e Leste, a melhoria do «planeamento da produção, dos transportes e da logística e incluir a solução ferroviária na solução de transporte» e a aposta na «estabilidade, regularidade, frequência, consistência e sustentabilidade da solução logística, alargando a cadeia de valor aos exportadores».

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