Bobadela

APAT vinca preocupação com fecho do Complexo Ferroviário da Bobadela junto do Governo

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Em comunicado assinado por Paulo Paiva, a APAT dirigiu-se ao Governo para alertar para a importância logística e geoestratégica do Terminal Ferroviário da Bobadela, «sem dúvida nenhuma o melhor que existe em Portugal», e para a lacuna de alternativas planeadas para o futuro, na sequência da relocalização do complexo multimodal, processo que deverá estar fechado até 2026. A APAT teme uma degradação das ligações e dos fluxos de cargas entre os vários nós logísticos, e para a ausência de concorrência: tudo isto com custo acrescido para o consumidor final.

Bobadela «serve portos de Sines, Lisboa e Leixões» e estende seus hinterlands

porto lisboa camião trabalhadores«O Terminal Ferroviário da Bobadela é sem dúvida nenhuma o melhor que existe em Portugal, porque para além de servir a cidade de Lisboa, serve igualmente os Portos de Sines, Lisboa e Leixões permitindo que estes alarguem o seu hinterland e ao mesmo tempo permitem o tão almejado modalShift retirando camiões da estrada e tornando o transporte de mercadorias mais amigo do ambiente», preconiza a associação de transitários, lembrando que, no contexto da RTE, Lisboa «é porto principal (Core) do chamado Corredor Atlântico» e que a Bobadela tem funcionado como plataforma de integração, «tanto ao posicionarse como buffer ou como estrutura de apoio à manutenção, limpeza e reparação de contentores».

Mas a importância da infra-estrutura da Bobadela não se restringe a estas valências, salienta a APAT, lembrando que, tendo em conta que a acessibilidade ferroviária ao Porto de Lisboa (Alcântara) é feita via Linha de Cintura e através do atravessamento da Avenida 24 de Julho, e Linha de Cascais, a plataforma «representa assim uma alternativa à movimentação de contentores por via rodoviária até aqui, para depois seguir por comboio». Mais: o terminal «tem representado praticamente o mesmo para o Porto de Sines uma vez que se aponta como o Porto Seco de Sines para a região de Lisboa», frisa a associação de transitários, lembrando que, hoje em dia, o terminal «recebe/expede três comboios diários,com cerca de 60 (360 diários) TEU, para Sines e sensivelmente cerca de um comboio diário com a mesma capacidade para Alcântara, assim como apoio à movimentação de várias dezenas de contentores da Extremadura Espanhola e ainda para as Ilhas da Madeira e dos Açores».

Fecho do complexo representará «custos adicionais para o consumidor final»

«Sem o Complexo da Bobadela, deixa de existir uma plataforma multimodal junto da maior cidade do País e seja onde for que vier a ser a nova plataforma, vai representar custos adicionais para o consumidor final de Lisboa e das Ilhas, bem como ainda a disrupção da cadeia que está montada com a Extremadura Espanhola, retirando assim carga aos Portos Portugueses», atira a APAT, mostrando-se preocupada com o facto de uma «eventual alternativa» não estar sequer ainda analisada ou pensada. «O Poceirão não servirá para servir a margem Norte, a Plataforma Logística Norte de Lisboa (Carregado) não aparenta ter capacidade de recepção para tantos contentores», analisa a associação.

O complexo sofrerá uma gradual descontinuação, e, até 2026, deverá estar limpo de contentores; em 2022, frisa a APAT, « deverá estar encerrada a zona Sul e Centro, restando assim quatro anos para a actividade. Esta é a expectativa de todos os players, clientes e consumidores finais». Surge, assim, a «especulação» sobre as concessões dos vários terminais do complexo. «O modelo que se adoptou para a Bobadela teve o efeito actual, ou seja, quando já chegaram a estar quatro parques instalados e todos a funcionar de forma eficiente, hoje apenas temos um que funciona eficientemente, pois por razões várias os outros não estão capacitados ou habilitados a funcionar. Ou seja, deixou de haver concorrência», constata a entidade.

APAT preocupada com «concorrência, eficiência, equidade e preço»

APATNeste contexto, sumariza e conclui a APAT, a grande preocupação «não se relaciona com a gestão dos parques, mas sim com a questões de concorrência, eficiência, equidade e preço, sendo certo que sabemos de antemão que quem vai ter de suportar os custos adicionais, que seguramente vão existir, é o consumidor final». Assim, urge a associação, torna-se vital a divulgação do modelo de concessão ou concurso para o parque (Norte) que ficará a trabalhar entre 2022 e 2026, a apresentação da localização da plataforma alternativa, «que garanta no mínimo condições iguais às proporcionadas pela Bobadela e sobretudo não onerando o mercado com custos adicionais» e consequente cálculo dos «impactos nos custos logísticos para as regiões da Grande Lisboa, Oeste e Regiões autónomas da Madeira e Açores».

A actualidade já pinta um quadro negro no que toca à cadeia do transporte marítimo (ver aqui) «nomeadamente ao nível do preço, da qualidade de serviço, na disponibilidade de equipamento e espaço para escoar as nossas mercadorias e, sem solução à vista», e, agora, analisa a APAT, o cenário poderá ser ainda mais «penalizador» com esta medida, gerando-se «dificuldades acrescidas nas acessibilidades, parqueamento e manutenção destes equipamentos, adicionando custos e tempos que provavelmente irão onerar os transportes em várias centenas de euros». Além disso, argumenta, o fecho do complexo da Bobadela «é uma decisão absolutamente oposta» ao desígnio nacional da aposta na ferrovia, «pois não há comboios sem carga e não haverá carga sem infra-estruturas eficientes e competitivas», vinca a associação nacional de transitários.

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