Are we seeing the end of supply chain management

Are we Seeing the End of the Supply Chain Management?

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Tempo de Leitura: 8 minutos

No passado dia 12 de Julho, a Nova School of Business & Economics levou a cabo a realização, em Carcavelos,
a conferência ‘Are we Seeing the End of the Supply Chain Management’, reunindo nomes sonantes do universo
logístico português para debater a evolução da cadeia de abastecimento do futuro – a questão que definiu o tema do evento inspirou-se em algumas das interrogações mais pertinentes da actualidade: estaremos perante a transformação, inelutável, da cadeia de abastecimento, e, consequentemente, a assistir ao fim da Supply Chain como
a conhecemos? Desintegrar-se-á em novos fragmentos de múltiplas realidades empresariais virtuais? Ou será obrigada a manter a sua fisicidade, salvaguardando a réstia tradicional que a conecta à acção material? Para escutar as respostas a estas perguntas, a Revista Cargo marcou presença na conferência, acompanhando ao detalhe todas as intervenções.

A abertura ficou a cargo de José Crespo de Carvalho – o especialista, professor catedrático e coordenador académico
na Nova Business School, introduziu o tema perante uma sala repleta, ávida de novas reflexões sobre o fenómeno. A mesa redonda, constituída por José Costa Faria, Afonso Almeida, Jorge Marques dos Santos e António Belmar da Costa, fez questão de abrilhantar a sessão. Podemos garantir que ninguém terá saído desapontado.

A Supply Chain do futuro faz de nós «seres digitais» no presente

Introduzindo o tema central, José Crespo de Carvalho enquadrou o título da conferência: um artigo da Harvard
Business Review havia lançado a pergunta, e a iniciativa da Nova SBE tentou encontrar respostas para um tópico que
promete dar que falar durante as próximas décadas. «Somos colocados perante um trade-off: servir mais mas com menos custos», começou por explicar. «Queremos servir mais mas queremos reduzir stock através da tecnologia, de tarefas repetitivas e de afinações». Neste contexto, afirmou José Crespo de Carvalho que se torna «absolutamente pungente» abraçar a automação e a sua consequente eficiência, mas, alertou, ao analisar o foco operacional, que «não vale a pena focarmo-nos somente a jusante; para fazermos melhor temos também de integrar o upstream», rumo a uma cadeia de abastecimento «mais completa e estendida». «Temos de trabalhar a lógica da eficiência, mas também temos de ser eficazes», declarou de modo contundente.

Construindo uma analogia com recurso ao reino animal, o professor catedrático afirmou ser preciso «correr de forma inteligente e de forma integrada», num ambiente funcional de «maior partilha e maior lógica integrativa: «devemos sempre escolher bem com que queremos ‘correr’» explicou. «Isto resume boa parte do que é a Supply Chain, o coração da operação das empresas». O futuro, inferiu, traz-nos uma mutação da Supply Chain tradicional rumo a uma «constelação de empresas», uma interligação orientada para os serviços. Poderá, então, a Supply Chain estar «obsoleta» dentro de 5 a 10 anos? As análises multiplicam-se à medida que as transformações tecnológicas materializam uma cadeia logística «auto-regulada nos workflows», dotada de uma «gestão end-to-end sem grande intervenção humana» e capaz de, devido ao recurso à Big Data, real time data e às torres de controlo digital (centros nervosos que serão os corações das operações), substituir o capital humano por uma fluência de processos autónomos que se auto-regulam, interpretam dados e definem padrões de actuação. «Os novos interfaces tornam-nos seres digitais também», e, com uma miríade de progressos tecnológicos (como a impressão 3D, a realidade aumentada, as análises preditivas possibilitadas pela Big Data ou tracking), assistimos a uma autêntica «mimetização das nossas funções cerebrais», mas de teor frio, totalmente focado nos resultados.

A eloquente apresentação de José Crespo de Carvalho terminou com a pergunta que obriga a uma reflexão, não apenas sobre o âmago da Logística, mas também sobre o papel humano na sua metamorfose: «Teremos futuro»? Para responder a essa pergunta estavam prontos, na mesa redonda, as personalidades certas para a geração de uma reflexão aprofundada: António Belmar da Costa (Secretário Geral da AGEPOR), Afonso Almeida (CEO da Agro Merchants), Jorge Marques dos Santos (Presidente IPQ/CTCV) e José Costa Faria (Director comercial e de Marketing da GEFCO) deram vida a um debate de ideias instrutivo que nunca deve ser menosprezado – em cima da mesa estiveram temas como a omnipresença do progresso tecnológico, a concertação da evolução digital com o elemento humano e o alcance da disrupção que assistimos nas cadeias logísticas do presente.

Mesa redonda reflectiu sobre o futuro da Supply Chain

De que forma as transformações digitais poderão moldar a sua própria desintegração da Supply Chain, revolucionando todo o seu ADN e originando um novo conceito logístico? Lançado o debate, os intervenientes
aprofundaram a temática em todos os seus ângulos, cada um fornecendo diferentes pontos de vista, consoante
os seus percursos profissionais. Lembrando um das frases mais famosas do escritor Mark Twain, Costa Faria
enunciou que «as notícias da morte da Supply Chain são manifestamente exageradas», respondendo, logo na abertura do discurso, à pergunta que deu corpo ao título da conferência. «Vivemos um momento de grandíssima transformação», mas, apesar da turbulência da mudança, o responsável da GEFCO afirmou não estar preocupado»: «Não precisamos de dramatizar», lembrando que os progressos tecnológicos que alteram o tecido da cadeia logística
são omnipresentes na evolução da mesma ao longo das décadas. Para Costa Faria, os princípios funcionais da Supply Chain continuam a ser, «em primeiro lugar, a estratégia, em segundo, o planeamento, e, em terceiro, a execução». Abordar a transformação sem esoterismo, com os pés bem assentes na terra: uma mentalidade que, segundo o especialista, deve ser preservada. «Temos tendência para esquecer a dimensão física e a componente humana. A dimensão comportamental é a que vejo menos tratada: como estão a ser formados líderes do futuro?», perguntou, mostrando-se preocupado com essa carência.

Afonso Almeida, CEO da Agro Merchants, focou o seu discurso na realidade empresarial portuguesa: «Quando ingressei na área da Logística não existiam pessoas formadas em Supply Chain», começou por dizer, fazendo depois um retrato do tecido logístico em Portugal: «95% das empresas têm menos de 10 trabalhadores». Apesar disso, o seu
potencial de resiliência é elevado – «Vejo empresas pequenas a fazerem esforços extraordinários sem grandes recursos financeiros», comentou. «Uma das grandes preocupações é a componente da execução», afirmou, explicando que a vertente da digitalização (e as suas ferramentas) precisa de deter uma certa harmonização com a realidade estrutural das companhias portuguesas. «Não é fácil aceder à automação», admitiu, centrando o desafio na
«captação de pessoas para a aérea da Logística» e na cativação de «novos trabalhadores para as Pequenas e Médias Empresas».«Estamos perante uma modificação da forma de produzir e de trabalhar», declarou Jorge Marques
dos Santos, presidente do IPQ/CTCV. «É preciso quebrar paradigmas tradicionais», alertou, criticando um modelo apenas focalizado no desenvolvimento de serviços: «Afinal, como criamos riqueza?», indagou, para depois lançar nova frase marcante: «A Supply Chain tem de se centrar nas pessoas», sem esquecer a importância que deve ser dada à Economia Circular. «Pensar que a gestão da cadeia de abastecimento vai desaparecer é um caos», afirmou com veemência, defendendo que a presença activa do elemento humano continuará a ser essencial para assegurar que a tecnologia «está ao serviço dessa gestão»: «Gerir é essencial, faz parte da tarefa humana. Não pode haver
inovação sem reflexão», rematou. «Se teremos futuro? Uns sim, outros não», começou por responder António Belmar da Costa, Secretário-geral da AGEPOR, à questão lançada por José Crespo de Carvalho.

«Há uma disrupção total e existirão gerações que ficarão fora deste comboio», admitiu, perspectivando, sem receios, um mundo totalmente automatizado: «Eu consigo ver um mundo com aviões sem pilotos e camiões autónomos. Isso irá acontecer, mais tarde ou mais cedo», augurou. «Na produção, a mão-de-obra barata deixará de ser um factor competitivo», referiu, antecipando alterações de paradigma transversais à cadeia logística global dos nossos dias.
«Os avanços tecnológicos são hoje feitos a uma velocidade nunca antes vista», mas Portugal poderá agarrar
as oportunidades vindouras: «Temos excelentes condições para sermos um pólo de distribuição e de assembly».
Belmar da Costa trouxe ainda para a discussão – lembrando que «o contentor já é hoje em dia uma comodity» – as
movimentações estratégicas das grandes operadoras marítimas no sentido de se diferenciarem em terra e não no mar: «As companhias estão a entrar em força no terreno da distribuição porque perceberam que é aí que está a
rentabilidade, não transporte marítimo em si», argumentou.

* *Este artigo integra a edição Julho/Agosto de 2018 da edição impressa da REVISTA CARGO.

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