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Christian Blauert (Yilport) admite dificuldades na chegada a Portugal: «É uma parte bem distinta do mundo»

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Numa entrevista concedida à revista “Connection Magazine”, Christian Blauert, CEO da turca Yilport Holding, subsidiária do Grupo Yildirim, abriu o livro e abordou, de modo transversal, o desenvolvimento da empresa que, em 2015, adquiriu a portuguesa Tertir, e que hoje gere diversos terminais em território nacional – cujos resultados de 2017 foram destaque nessa edição!


«Dinâmica de crescimento» em contexto de harmonização de culturas e métodos operacionais

Caracterizando a Yilport Holding como uma empresa com «forte dinâmica de crescimento», Christian Blauert não se coibiu de repetir inúmeras vezes a palavra ‘desafio’ ao descrever a gestão e as metas da companhia turca: Na minha opinião, ainda temos de definir a nossa cultura, forma de viver e de trabalhar em equipa, o que são grandes desafios. Pretendo desenvolver mais pessoas que estão dentro da organização e levá-las a posições chave com a nossa cultura e o os nossos modos. É uma das razões pelas quais aceitei imediatamente ingressar aqui, gosto de desafios».

Para o CEO da Yilport, a gestão dos destinos da operadora de terminais é um desafio feito de plurais exigências num contexto de diferentes culturas, hábitos e métodos operacionais: «Não se trata apenas da cultura turca; cada região tem a sua forma de pensar. A América Latina tem a sua forma de pensar, temos a Turquia, a Península Ibérica e a região nórdica. O nosso desafio é o de juntarmos todas. Isto caracteriza um pouco a Yilport. É algo que difere de todas as minhas experiências passadas», comentou.

terminais sotagus lisboa yilportIntegração da Península Ibérica foi «uma das missões mais difíceis», comentou Blauert

‘Crescimento’ foi outra das palavras que marcaram o ritmo da entrevista: «Operamos globalmente. Na Yilport, o objectivo é o crescimento dinâmico. Actualmente temos um crescimento orgânico que é bastante impressionante, na ordem dos 30%. E atingimos esta meta ao nos focarmos nos números, tendo uma abordagem prática e fazendo passar esta mensagem» afirmou, reservando atenção especial para o mercado luso e espanhol: «Uma das missões mais difíceis que fechámos foi a integração da Península Ibérica. Foi desafiante porque eles vêm de uma parte bem distinta do mundo».

Objectivo: «Estar no top-10» e «defender o território» adquirido

Por entre tanto multi-culturalismo e a consequente necessidade de criar sinergias que dotem a Yilport de uma estrutura por todos empreendida e compreendida, Blauert reforçou o desígnio da empresa turca: «O objectivo é o de fundir tudo isto para gerir o negócio e criar uma casa para nós». «Queremos estar no top-10 global, por isso continuamos em busca de oportunidades. Definimos a nossa estrutura funcional e continuaremos a melhorar com essa estrutura. Estamos a clarificar progressivamente o que vai fazendo a sede, o que vai fazendo a direcção regional, o que vai fazendo o líder de negócio, portanto, o trabalho de equipa torna-se cada vez melhor», rematou.

«O futuro que vislumbro, sustentado na nossa estratégia actual, é muito positivo. Fizemos um bom trabalho este ano. Na minha opinião, todos entenderam o caminho escolhido e seguiram-nos. Agora temos de defender o nosso território e progredir», respondeu, quando instado a analisar os próximos três anos. O que fazer para manter o ritmo de crescimento? «Sermos práticos, atentos aos custos, nunca sermos preguiçosos apesar do crescimento ser saudável, reagindo às mudanças para nos mantermos aguçados. Focamo-nos na logística e no desenvolvimento do hinterland para darmos apoio aos nossos portos. Focamo-nos também nos donos das cargas, nas vendas e na estratégia de Marketing».

Yilport atenta às pressões que advêm da consolidação

O CEO germânico abordou também o fenómeno da consolidação vivido no seio das transportadoras marítimas, deduzindo consequências para a Yilport: «Observaremos consolidações entre as operadoras marítimas». A dependência para as operadoras marítimas diminuirá e então cresceremos ainda mais, mas, ainda assim, teremos que ser cuidadosos. O tamanho dos navios continuará a aumentar, os desafios logístico e operacional aumentarão na mesma medida. Os navios despejaram mais contentores nos nossos portos e nós teremos que lidar com este forte crescimento em termos de volumes», explicou.

O caminho para o sucesso está bem determinado: «O que temos de atacar é o desenvolvimento da capacidade, a inteligência operacional e eficiência para competir. A consolidação no seio das transportadoras colocará ainda mais pressão sobre nós. Provavelmente não subiremos muito as tarifas, mas o EBITDA é somente volume de negócios. O EBITDA é isso menos os custos. Na hora em que eu não for capaz de obter mais dinheiro por contentor, precisarei de ser mais inteligente, mais eficiente, criando menos custos».

A fechar a entrevista, Christian Blauert deixou uma garantia: «Na Yilport pensamos naquilo que o cliente quer. Tudo é possível. Por vezes o cliente pretende algo que é dispendioso. Contudo, a nossa resposta inicial é sempre ‘OK, diga- nos apenas o que deseja’. Tudo é possível com a Yilport».



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