Blockchain ganha ainda maior pertinência no transporte entre diferentes países

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Embora a globalização tenha estimulado o crescimento constante do comércio transfronteiriço, os processos nos quais se baseia o transporte de mercadorias permaneceram, em muitos casos, rígidos. A travar o processo logístico estão, muitas vezes, a documentação extensiva e o alto nível de burocracia inerente à necessária monitorização e controlo do transporte durante o frete entre diferentes países. Neste contexto nasce a necessidade de agilizar, através da vertente tecnológica, todo o processo administrativo – e, nessa carência, o Blockchain pode ditar cartas.



Já analisada intensivamente aqui na Revista CARGO, esta inovadora tecnologia tem penetrado na esfera marítimo-portuária com relativa facilidade e alto grau de aceitação (note-se os exemplos da parceria firmada entre empresas de renome como a Maersk Line e a IBM, o projecto-piloto da ZIM sobre desmaterialização de Bill of Lading, o ‘blocklab‘ lançado pelo Porto de Roterdão ou a viagem-piloto da HMM recorrendo à tecnologia) e a sua disseminação ao domínio da Logística global é também uma realidade cada vez mais consolidada. Não será portanto surpreendente assistir à adopção, do sector rodoviário, ao Blockchain, com suporte do fórum Blockchain in Trucking Alliance.

Discrepâncias no transporte transfronteiriço podem ser obliteradas pelo Blockchain

Dotado do potencial para reduzir os tempos de trânsito (entre outras potencialidades como o fomento da segurança das transacções entre agentes envolvidos no processo logístico), o Blockchain poderá revelar-se uma solução capaz de desmaterializar processos (atente-se ao projecto da operadora marítima israelita ZIM) e obliterar a densa burocracia que teima em atrasar o transporte transfronteiriço.

Cerca de 90% dos bens que cruzam fronteiras são, em algum ponto do trajecto, transportados pelo modo marítimo – os procedimentos envolvidos em tais cadeias de abastecimento são semelhantes aos do executados via inland, com alguma complexidade adicional.

Os agentes envolvidos no transporte transfronteiriço de mercadorias são, não raras vezes, multimodais e tremendamente diversificados: transitários, carregadores, brokers, transportadores rodoviários, operadores marítimos, entidades aduaneiras e até os próprios Governos. Esta multi-modalidade e adjacente diversidade de funções leva à ocorrência de discrepâncias, ao desencontro de informação eficiente e à redundância de data, muitas vezes inútil.

Ora, o recurso ao Blockchain promete automatizar e harmonizar (via ledger ou livro-razão) esses processos, descentralizando os dados e complementando-os com blocos – encriptados – de informação relativa a todas as transacções.

Teste-piloto com a Maersk no Porto de Roterdão abre caminho à implementação

maersk line

A Maersk encontra-se, actualmente, a trabalhar com a IBM – e o apoio da Hyperledger Fabric – numa solução  que poderá reduzir drasticamente as complicações administrativas e acelerar todo o processo de expedição das cargas: uma abordagem que englobará a totalidade da transacção, colocando todos os documentos envolvidos num acordo comercial vertido num singular fluxo de actividade.

Assim, todos os passos serão monitorizados e rastreados, com todos os detalhes sobre onde e quando os documentos foram enviados. O Blockchain garantirá que nenhum participante envolvido na transacção possa modificar qualquer documento sem a aprovação expressa das restantes entidades – um trunfo de vital importância que impedirá a fraude de frete e o contrabando.

O teste-piloto para a mudança da cadeia de abastecimento transfronteiriço global já se encontra em andamento: a Maersk embarcou carga pertencente à Schneider Electric desde o Porto de Roterdão até ao porto norte-americano de Newark recorrendo, com sucesso, à tecnologia Blockchain, num acto que integrou um projecto de pesquisa da União Europeia.

«Como integrador global da logística de contentores munido da ambição de digitalizar o comércio global, estamos entusiasmados com essa cooperação e seu potencial para gerar ganhos substanciais de eficiência e produtividade para as cadeias de fornecimento globais», comentou Ibrahim Gokcen, director digital da Maersk.


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