Bluetech Accelerator pretende ser «ponto de encontro da investigação, concepção e execução»

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Portugal prepara-se para ser, entre os meses de Setembro e Outubro, o epicentro internacional da realização do Mar
– todos os caminhos desaguarão em terra lusitana e os olhos do Shipping estarão focados, não apenas na nossa
capacidade organizativa como também na dinâmica do sector nacional face à assimilação da digitalização e ao seu
desejável cruzamento com a iniciativa empresarial.

Ora, no dia 17 de Julho, um autêntico passo de gigante foi dado nessa direcção – a sessão de lançamento do projecto ‘Bluetech Accelerator’, realizada no Auditório do Ministério do Mar, em Lisboa, contou com a presença da Ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, do Director-Geral da DGPM, Rúben Eiras, do Presidente da FLAD, Vasco Rato, e do CEO da Beta-i, Pedro Rocha Vieira. A abertura do evento de apresentação ficou a cargo de Rúben Eiras: «Esta sessão de lançamento deste workshop ‘Bluetech Accelerator Ports & Shipping 4.0’ é, digamos, a primeira iniciativa para criar uma ecossistema de inovação e de aceleração empresarial para o sector da Economia Azul, desta feita, iniciando-se pelo sector dos portos, do Shipping e da indústria 4.0», começou por explicar o do Director-Geral da DGPM, perante uma sala repleta de empresários, representantes portuários e logísticos e autarcas. Ao seu lado, Vasco Rato elogiou o mandato de Ana Paula Vitorino e fez questão de vincar o compromisso da FLAD para com o Mar: «Esta iniciativa faz parte de um conjunto de acções que a fundação está a fazer com o Ministério do Mar. Em 2017 estabelecemos um protocolo a salientar a importância do mar para o nosso país. Queria dizer à Sra. Ministra que esse protocolo resulta da sua liderança e da sua visão para esta área», afirmou Vasco Rato. «A FLAD tem contribuído para promover actividades relacionadas com o Mar e para consciencializar o país sobre a importância do Mar», recordou. O Presidente da FLAD frisou a «necessidade de o país exportar mais e exportar cada vez melhor» afirmando existir, da parte da fundação, «um conjunto de programas relacionadas com o empreendedorismo». «O Mar é, para o país, um activo estratégico, muito importante sobretudo nesta conjuntura de mudança vertiginoso que estamos a assistir na política internacional», declarou à plateia. «O que está a acontecer no mundo não é mau para Portugal, desde que saibamos retirar proveito dessas mudanças. O Mar português é a chave para o futuro do país. Olhamos para esta colaboração com esperança e orgulho muito grande. De facto, o futuro passa pelo Mar», rematou Vasco Rato, arrancando aplausos à plateia.

«Achamos que os outros são todos mais avançados que nós – não é verdade», afiançou a Ministra do Mar

De seguida, subiu ao púlpito a Ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, que, antes de mais, agradeceu o contributo da FLAD e a caracterizou «uma acompanhante de percurso destas actividades ligadas ao Mar», explorando, de seguida,
o tema central da sessão: «Hoje vamos falar em Economia. Existe um compromisso deste Governo em apostar em duas áreas distintas mas que se conjugam, ligadas ao facto de termos dois grandes eixos: um deles ligado à valorização da economia tradicional (como as pescas); e os grandes motores da economia: os portos, a actividade portuária, o Shipping e todas as actividades que jogam em torno deste sector», afirmou. «É aí que temos de ir buscar as âncoras para projectarmos o segundo vector económico destas áreas, que tem a ver com todas as actividades que podemos apoiar a partir destes Port Tech Clusters que estamos a conceber», explicou Ana Paula Vitorino, apontando o dedo à indústria naval, que deve ser alvo de apoio e desenvolvimento «e que se potenciará a partir do momento em que começarmos a crescer em matéria de armadores, de movimentação de carga».

Ana Paula Vitorino ministra do Mar bluetech revista cargo

Ana Paula Vitorino

«Em termos destas indústrias clássicas, teremos algum crescimento quando tivermos finalmente publicado o novo regime Tonnage Tax, que está em trânsito entre a Assembleia da Republica e Belém», adiantou. «Teremos, de facto, um regime fiscal diferente, passa a ser de Tonnage Tax, com o privilégio desta medida já estar aprovada pela Comissão Europeia. Tivemos uma longa interacção com a Comissão, está tudo aprovado. Haverá novas simplificações em matéria de registos e licenciamentos», revelou. «Pretendemos, no que diz respeito aos registos nacionais, que tenham – sem excepções – as condições para que cresçam os números de navios com registo nacional e para que possamos também ter transferência dos centros de decisão de outros países para Portugal, para que se possam potenciar aquilo que são as actividades complementares ao Shipping», acrescentou. «Isso contribuirá para que a área portuária seja cada vez mais forte e que este boosting potencie o desenvolvimento de outras actividades. Em Portugal achamos que os outros são todos mais avançados que nós – não é verdade. Com todas as interacções internacionais que faço, vejo bem que nós estamos à frente de muitos países nestas áreas», atirou. «Estamos preparados para abordar energias (GNL ou energias renováveis offshore) que temos de associar aos nossos portos. Temos já indústrias para fazer as plataformas das energias renováveis oceânicas, e, daí, passarmos para potenciar a construção de plataformas para as aquacultura offshore em profundidade», exemplificou.

Preparar a economia «para fazer uma nova globalização do saber e do fazer acontecer»

Elogiando também o pendor inovador de Portugal no sector marítimo-portuário, Ana Paula Vitorino utilizou o sucesso da JUP e da sua evolução para o hinterland, a nova JUL – «Sabem que a JUL não existe em outro sítio no mundo? É uma tecnologia que podemos vender, seja para Moçambique, para o Quénia, para a China…Estamos a ser pioneiros nessa matéria. Por isso, este workshop do ‘Bluetech Accelerator’ é a altura certa para desenvolvermos esta matéria». «O que se pretende é que este projecto seja o ponto de encontro da investigação, da concepção e da execução, de colocar no mercado e ir mais adiante, porque os investigadores descobrem as soluções mas são as empresas que as implementam. Portanto, isto pretende ser um ponto de encontro entre essas duas vertentes e que nos viremos para a internacionalização», prosseguiu, relembrando as visitas oficiais recentes ao continente africano: «No Quénia estão de braços estendidos para ter a nossa colaboração nestas matérias. Mas em Moçambique também, onde acabámos de assinar protocolos relativamente a isso. Querem trabalhar em short sea e cabotagem», relevou.

A ambição de inovação ficou também patente no discurso da Ministra ao nível da sustentabilidade ecológica: «Queremos também ser pioneiros em matéria ambiental, para que estas inovações nos tragam um lugar cimeiro naquilo que é a sustentabilidade das actividades oceânicas. Só assim seremos os campeões. Temos o know-how. O que se espera destes fantásticos pontos de encontro é que a nossa economia esteja preparada para fazer uma nova
globalização do saber e do fazer acontecer», observou, em forma de desafio. «Estamos a ser pioneiros nessa matéria. Por isso, este workshop do ‘Bluetech Accelerator’ é a altura certa para desenvolvermos esta matéria», afiançando que
Portugal está preparado para se lançar à busca de novos trunfos digitais, soluções inovadoras e modelos de negócios
virados para uma Economia do Mar Azul e sustentável. Nesta empreitada, nesta nova época de descobrimentos,
a Beta-i, liderada por Pedro Rocha Vieira, será parceiro de referência. «O que se pretende é que este projecto seja o
ponto de encontro da investigação, da concepção e da execução, de colocar no mercado e ir mais adiante, porque os
investigadores descobrem as soluções mas são as empresas que as implementam. Portanto, isto pretende ser um ponto de encontro entre essas duas vertentes e que nos viremos para a internacionalização», declarou Ana Paula Vitorino.

Atenções centradas nos portos para encontrar clusters «dos principais focos de inovação»

Retomando a palavra, Rúben Eiras explicou que «o objectivo da sessão é contextualizar o que levou à escolha deste tema, e o CEO da Beta-i fará a explicação sobre como funcionará a componente mecânica do acelerador empresarial», enfatizando o papel de «parceiro operacional» da Beta-i, liderada por Pedro Rocha Vieira. O acelerador Bluetech integra-se, esclareceu, no âmbito do protocolo (entre a FLAD e o Ministério) ‘Ocean Portugal Program’, focalizado nas «ferramentas de investimento, roadshows na Economia do Mar e na criação de uma programa de aceleração de startups». «Porquê a escolha da digitalização dos portos e do Shipping?», questionou, para de seguida responder: «A vaga de digitalização atravessa todos os sectores da economia, todos são afectados e o sector do Shipping não é excepção. Perante esta vaga de mudança, só há duas escolhas: ou abraçamos a mudança ou somos obrigados a mudar de acordo com as regras que se estabelecem, sem ter participações nela», alertou, especificando as exigências que inundam a nova Economia do Mar, desde «a maior segurança e eficiência energética e operacional, tanto nas operações portuárias como nas de Shipping», a persecução da «Inteligência Artificial e da automação no Shipping até à demanda obrigatória de maior eco-eficiência».

ruben eiras bluetech

Pedro Rocha Vieira e Rúben Eiras

«Mas será que isto é apenas uma moda, a introdução da indústria 4.0 no Shipping e no sector portuário?» indagou Rúben Eiras. «Nos últimos 5 anos, diz a Boston Consulting, foram já investidos 3 mil milhões de dólares em startups nas áreas portuárias e do Shipping para desenvolver tecnologias que façam análises mais segmentadas dos dados e para integração de tecnologias que permitam melhores comunicações entre as infra-estruturas portuárias e os navios», analisou, lembrando, também, a crescente adesão das companhias ao Blockchain. «Daí que o foco do ‘Bluetech Accelerator’ seja motivar esse talento da área digital e colocá-lo a programar e a criar soluções inovadoras para o sector portuário nacional», comentou, identificando as oportunidades, como a criação de «novos modelos de negócio e soluções online» e a «digitalização do core business através de Advanced Analytics». A análise do Director-Geral da DGPM foi complementada pela explicação prática de Pedro Rocha Vieira, CEO da Beta-i – a sua intervenção focou-se nos fundamentos e os objectivos definidos para a aceleração de projectos, novos modelos de negócios na área portuária e criação de valor num contexto de crescente digitalização, onde as oportunidades ganham contornos inovadores. «O foco é muito importante», começou por referir Pedro Rocha Vieira. «Quando se fala de inovação aberta há que ser focado. Não podemos dispersar-nos e querermos competir em tudo. E convém que estejamos a responder, em termos de horizontes de inovação, àquilo que possa ser mais pertinente para cada um dos players», começou por referir. «Por isso, o foco nos portos é melhor», por ser mais delimitado e menos vago que o amplo âmbito do Mar, explicou. «Dentro dos portos e da logística portuária, o objectivo é de o sermos ainda mais específicos, e que os parceiros consigam encontrar, entre todos, clusters dos principais focos de inovação, para que consigamos lançar este programa e soluções que possam trazer valor neste contexto», prosseguiu. «Os benefícios da inovação aberta são, de facto, as possibilidades de estarmos num ambiente seguro de novas soluções de uma forma acelerada, descobrir novas soluções para os desafios que têm e abraçarmos uma lógica de experimentação», comentou o CEO da Beta-i. Para tal, é «importante» a criação de uma zona de experimentação em Portugal, «mais facilitada, mais acelerada menos burocrática», um desenvolvimento que tem sido fomentado pela Ministra do Mar, disse.

O programa, que defende uma filosofia de actuação «aberta e global», está dividido em «quatro grandes fases: a de preparação (perceber quais são os parceiros, os focos de inovação e formalizar o programa para depois o comunicarmos), a fase de scouting, um boot camp onde seleccionamos as startups e uma fase de piloto, onde são escolhidos os projectos que vão, de facto, executar um piloto muito concreto», enumerou. Na primeira fase, esclareceu o CEO da Beta-i, «iremos trabalhar com cada um dos parceiros isoladamente e em workshops conjuntos, para fazermos um reframing dos desafios e, em conjunto, ganharmos mais insights para reformularmos os focos de inovação». A segunda consistirá no scouting, «para conseguirmos identificar várias startups», enquanto na terceira fase serão convidadas «25 startups para um boot camp, uma semana muito intensiva, vamos tentar encontrar um fit entre aquilo que são as soluções e os desafios». Na última fase, explicou, «define-se um piloto muito concreto, que resolva um problema muito concreto ou que possa, em conjunto com as startups, ir para o mercado e ter novos modelos de negócios», sumarizando depois: «O objectivo é a obtenção de pilotos concretos, inovação aberta e resultados. Algo que vá para o mercado e que possa escalar com alguma velocidade».

Bruno Falcão Cardoso

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