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Portos de Sines e de Leixões juntam-se ao Grupo ETE e à Portline para potenciar ‘startups’

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O Bluetech Accelerator foi esta manhã introduzido a Portugal: nas instalações do IPMA, a estratégia de aumento da competitividade portuária deu novo passo adiante, com a apresentação dos seis primeiros parceiros do Bluetech Accelerator – Ports & Shipping 4.0, o programa de aceleração de startups ligadas à Economia do Mar, que tem o crivo genesíaco do Ministério do Mar, em cooperação com a Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD) e com a Beta-i, incidindo sobre a digitalização do sector portuário, do Shipping e da logística marítima. O evento contou com a presença e intervenção da Ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, de Pedro Rocha Vieira, CEO da Beta-i e de Michael Adams, presidente da Ocean Assets Institute.

Grupo ETE, Portline, APDL, APS, Tekever e Inmarsat: os «pioneiros» do ‘fazer acontecer’ a bordo do Bluetech Accelerator

O programa terá a bordo cruciais players do sector marítimo-portuário, provando que a ‘aceleração azul’ da Economia do Mar é uma aposta capaz de mobilizar o interesse e a motivação das empresas que encabeçam o sector. O Grupo ETE, a Portline, a APDL, a APS e, por banda das empresas tecnológicas, a Tekever e a Inmarsat, serão os pioneiros dispostos a desbravar terreno em busca de soluções inovadoras, participando, para tal, no processo de selecção e financiamento do conjunto de startups vencedoras, que se conhecerão no último trimestre de 2019.

No horizonte da mudança, a digitalização traz, explicou o orador inaugural Rúben Eiras, desafios e oportunidades que terão de ser encarados de frente – Big Data, Internet das Coisas (IoT), Novos Sistemas de Energia e Propulsão dos Navios, Navios Autónomos, Inteligência Artificial, Blockchain ou Ciber-segurança são as tendências com forte potencial de disrupção – serão, portanto, áreas que poderão beneficiar deste programa. A sessão de lançamento arrancou com a pergunta sobre a génese do Bluetech Acceleratorum programa analisado intensivamente pela Revista Cargo aquando da sua primeira menção, ainda durante o decorrer de 2018.

Programa visa «identificar startups para desenvolver projectos-piloto em novos modelos de negócio», explicou Rúben Eiras

«Como nasceu o Bluetech Accelerator? No Ministério do Mar, no âmbito da estratégia para o aumento da competitividade portuária 2026. Esta estratégia assenta em três grandes vectores de tornar o sistema portuário nacional uma plataforma global de logística para os grandes operadores, de o capacitar para ser um hub competitivo na área de serviços para o GNL, e há também a vertente de acelerar os negócios do Mar através dos Port Tech Clusters e do Bluetech Accelerator», começou por explicar o director-geral da DGPM.

«A primeira versão é centrada no tema da digitalização dos portos e do Shipping. É um programa que tem como objectivo identificar novas empresas para desenvolver projectos-piloto em novos modelos de negócio que consigam responder aos novos desafios da indústria», prosseguiu, voltando a lançar uma questão, para, depois, articular nova explanação sobre o programa – «Quais são os factores de mudança que estão a impactar o futuro dos portos e do Shipping e que precisam de respostas?».

A digitalização como oportunidade para a criação de soluções no contexto da eficiência energética e da gestão das frotas

«A saturação de alguns portos», respondeu, prosseguindo: «Isso implica ter uma melhor informação para a gestão das suas operações, como também as próprias frotas, que estão em sobre-capacidade, sendo preciso encontrar uma forma de rentabilizar a sua capacidade de carga; os desafios da segurança e da eficiência energética, tanto nos portos como nos navios, sobretudo com a introdução das novas regras ambientais da IMO, das Emissions Control Areas, colocam a questão energética no topo», declarou.

Assim, o programa de aceleração pretenderá interligar o ímpeto vanguardista criado pelos ventos da digitalização à ascensão natural de «novos players, pequenos sim, mas que podem posicionar-se em segmentos premium do mercado –  essa pode ser uma oportunidade a ser agarrada pelas novas startups», afirmou. «Existem oportunidades e desafios trazidos pelos sistemas de automação e pelos sistemas de digitalização; questões relativas aos navios autónomos darão novas oportunidades de integração tecnológica como também de formulação de novos modelos de negócio que poderão trazer novas fontes de rendimento sustentável».

Acelerador colocará ‘prego a fundo’ na ««perseguição pela excelência operacional nos portos e no Shipping»

O papel dos sistemas de informação será estratégico, na visão global do projecto, para criar condições essenciais à exigida «perseguição interminável pela excelência operacional nos portos e no Shipping: daí  tenhamos optado pelo acelerador. E porquê o acelerador? Porque é um instrumento de política pública. É preciso ter instrumentos que permitam facilitar e o ‘fazer acontecer’. Quando falamos deste tipo de desafios, a incerteza dos actores face à forma de lidar com tais desafios, é grande – como poderemos capacitá-los, de forma a conseguirem abraçar a mudança em vez de apenas a aceitar sem terem nenhuma palavra a dizer?», questionou.

Quais serão, então, as virtudes diferenciadores do Bluetech Accelerator? «O acelerador cria um ecossistema organizado para diminuir o risco da experimentação (pelas startups) e das novas abordagens e soluções. É possível desenvolver e testar novos produtos reduzindo o custo e o risco desses processos de investimento. É possível descobrir soluções à medida que possam responder aos problemas específicos da indústria», sendo assim instrumental para «criar uma agenda positiva para abraçar a mudança» e «criar mais e melhor negócio», de forma sustentável. De modo concomitante, erguer-se-á, frisou, «uma rede capaz de trazer inovação a um custo reduzido», permitindo a Portugal «estar no forefront da mudança».

O Bluetech, que irá operar de modo interligado com o Fundo Azul e  também «fomentar parcerias com outros aceleradores azuis internacionais», só poderá triunfar com o apoio dos «actores do sector»: «Os nossos pioneiros do Bluetech Accelerator Ports & Shipping 4.0 são duas empresas de Shipping (o Grupo ETE e o Grupo Portline), duas empresas da área digital e da Robótica (a Inmarsat e a Tekever) e dois portos portugueses (Leixões e Sines), numa iniciativa do Ministério do Mar em parceria com a FLAD, com a participação e gestão operacional da DGPM e da Beta-i», sumariou Rúben Eiras na recta final da sua intervenção.

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