Brasil enfrenta sério problema de falta de oferta de contentores refrigerados

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O Brasil, um dos grandes exportadores de alimentos e de outros produtos perecíveis a nível global, enfrenta um sério problema de falta de contentores refrigerados, em particular no sul do país.

Segundo notícia do portal ShippingWatch, o problema está relacionado com a decisão de grandes armadores, como a Maersk Line, a MSC, a Hamburg Süd ou a Hapag-Lloyd, que deslocaram parte significativa da sua frota de contentores reefer para outras regiões da América Latina, onde as margens estão mais favoráveis.

«Tenho de admitir que, enquanto terminal, estamos a perder dinheiro e volumes porque não existe equipamento disponível», refere Rene Wlach, responsável do Porto de Rio Grande.

O problema de falta de contentores refrigerados está a sentir-se mais nos portos dos estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, conhecidos pela sua produção alimentar e vocação exportadora de carnes congeladas ou fruta para a Europa ou Ásia. Também no porto de Santos, o maior do Brasil e da América Latina, se está a sentir este problema da falta de contentores refrigerados, que se tem acentuado desde Janeiro.

Efeito dominó em toda a cadeia logística

O problema de falta de oferta de contentores refrigerados está a provocar um efeito dominó em toda a cadeia do frio no Brasil. «A situação é muito crítica em muitos locais, com armazéns cheios e onde as empresas que oferecem capacidade de armazenamento a temperatura controlada para bens congelados como carne de porco, carne de vaca, frango, peixe, sumos, fruta, e outros produtos a não conseguirem aceitar mais produtos. Estamos também a assistir a exemplos de produtores de carne que têm que reduzir a sua produção pela falta de espaços de armazenamento e de contentores disponíveis», refere fonte local ao portal ShippingWatch, que admite ainda que o problema afecta toda a cadeia e, sobretudo, «a economia brasileira em geral e as várias empresas exportadoras que perdem quotas de mercado».

Consolidação será uma das causas

A consolidação no sector do shipping que se vem assistindo nos últimos tempos é apontada como uma das grandes causas desta falta de contentores refrigerados no Brasil.

«A actividade dos armadores parece estar mais organizada devido ao colapso da Hanjin Shipping. Entretanto, a fusão entre a Hapag-Lloyd, a chilena CSAV e a UASC limitou a selecção de armadores. O mesmo se aplica à fusão da chinesa COSCO com a OOCL, já para não falar da possível fusão das três companhias japonesas MOL, K Line, e NYK», referem analistas.

Maersk Line justifica a falta de contentores refrigerados

Entretanto, o director da Maersk Line para a Costa Este da América do Sul, Antonio Dominguez, admite o problema e justifica a falta de contentores refrigerados vazios com a crise na importação brasileira.

«O Brasil passou de um país maioritariamente importador para um maioritariamente exportador em 2017, levando a um desequilíbrio entre exportações e importações. Isto leva a que os armadores e os exportadores estejam a sofrer com a falta de equipamento, desde espaço nos navios a contentores. Os importadores estão a começar a recuperar mas mais lentamente do que seria desejável», admite o responsável regional da Maersk Line.

A aquisição da Hamburg Süd dará à Maersk Line uma significativa quota de transporte de contentores refrigerados no Brasil. E, juntando-se à MSC na Aliança 2M, a quota ainda cresce mais.

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