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‘Brexit’ e os portos franceses do Canal da Mancha: quem pagará a subida da factura portuária?

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Segundo fontes contactadas pelo jornal inglês ‘Telegraph’, o Executivo liderado por Emmanuel Macron prepara-se para exigir ao Reino Unido um acréscimo no pagamento dos serviços aduaneiros nos portos franceses adjacentes ao Canal da Mancha após a conclusão do ‘Brexit’. Na resposta, Iain Duncan Smith, membro do Partido Conservador britânico e ex-ministro do Trabalho, qualificou a suposta exigência de «absurda» e sem «razão lógica» de ser.


‘Brexit’ e os portos do Canal da Mancha: Tratado Le Touquet origina visões díspares

A versão noticiosa da exigência do Governo francês, aventada pelo ‘Telegraph’ e adoptada por parte considerável da imprensa generalista inglesa, relata que Macron se prepara para, durante a próxima cimeira anglo-saxónica, realizada em Janeiro de 2018, exigir um aumento dos custos (serviços aduaneiros à cabeça e controlo de imigração) da fruição do Canal da Mancha, no Porto de Calais e nos restantes portos franceses adjacentes ao canal.

A reacção não se fez esperar: Iain Duncan Smith, político defensor do ‘Brexit’, afirmou não haver «qualquer razão lógica ou legal que justifique o facto da Grã-Bretanha pagar o que quer que seja» em relação às operações portuárias nos portos franceses após o abandono da União Europeia (UE) por parte dos britânicos. Recorde-se que o Governo britânico paga uma renda mensal destinada à gestão dos portos franceses na região de Calais, na fronteira entre os dois países, sob o chamado Tratado Le Touquet.

Fontes oficiais francesas defendem que a organização dos postos fronteiriços na região será mais onerosa – após o ‘Brexit’ ser finalizado – que os acordos a serem fechados com a Irlanda no mesmo contexto. Ora, encarando o cenário como um problema criado pelo Governo britânico, o Executivo francês pretende que este se responsabilize pelo mais que provável aumento dos custos marítimo-portuários e fronteiriços. Para Jean-Paul Mulot, enviado do Reino Unido para os portos de Calais, Dunquerque e Bolonha-sobre-o-Mar, tais custos devem ser partilhados por toda a UE.

Antes pagar que interromper o tráfego no Canal

Mulot, em declarações à imprensa britânica, afirmou, ainda assim, existir abertura para o pagamento adicional de custos por parte do Reino Unido no que toca à gestão portuária das infra-estruturas gaulesas, já que, acima de tudo, está o natural e desimpedido funcionamento dos portos: «No pico da crise dos migrantes há dois anos, quando o tráfego no Canal foi interrompido, a fábrica da Volkswagen em Oxford considerou fechar portas temporariamente porque estava a ficar sem peças», exemplificou, alertando para um cenário prejudicial que nenhuma das partes quererá ver materializado.



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