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Bruce Dawson: «Que Brexit Agora?»

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E agora? O Partidor Conservador na Grã-Bretanha conseguiu mais um autogolo nas eleições britânicas.

Primeiro autogolo: David Cameron, com as sondagens a indicar um desejo do povo britânico para ficar na Europa, avançou para um referendo. Queria calar a ala direita do seu partido que forçava divisões no Partido sobre a Europa. O resultado saiu ao contrário e Cameron teve de se demitir.

Convocar eleições foi tiro no pé

Agora, Teresa May, sua sucessora, conseguiu outro autogolo. Com as sondagens a apontar para uma vantagem de 20% dos Conservadores sobre os Trabalhistas, arriscou a sua maioria absoluta estável com a convocação de novas eleições gerais antecipadas.

Com uma campanha desastrosa, cheia de gaffes no que concerne à política social dos conservadores, May enfrentou o líder trabalhista, Jeremy Corbyn, que com uma campanha brilhante, a fez perder no casino.

O papel dos jovens nestas eleições

Corbyn “vendeu-se” à população mais jovem, a mesma que votou contra o Brexit, com promessas de impostos sobre a educação privada e o abandono de propinas nas Universidades – 9,000 libras por ano por estudante, custando 4 bilhões de libras no orçamento.

O resultado foi um sucesso, um aumento substancial na votação com os jovens a votar, maioritariamente, no partido trabalhista.

Os pecados de Teresa May

Quando sucedeu a David Cameron, após a demissão deste, Teresa May aparentava ser uma líder forte, ao estilo de Margaret Thatcher, avançando para uma campanha de “hard” Brexit.

Mas a sua campanha presidencialista foi desastrosa, cheia de indecisões, inflexibilidade, falta de capacidade de responder a perguntas legítimas, ausência de discursos convincentes, dando uma impressão de fraqueza. Enquanto May perdia o seu capital político, Corbyn ganhava confiança.

O Partido Trabalhista conquistou as maiores votações nas zonas do Reino Unido em que venceu o não ao Brexit no referendo de 23 de junho de 2016.

E agora, que Brexit? As negociações começam dentro de alguns dias…

A lição a retirar destas eleições parece ser a de que os britânicos preferem um “soft” Brexit. E, se isso acontecer, a negociação sobre a entrada de cidadãos europeus na Grã-Bretanha e vice-versa, bem como sobre o comércio e a união alfandegária, pode ficar mais aberta.

Perante este cenário, Teresa May fica com uma posição enfraquecida? A ala esquerda do Partido Conservador, que defende uma saída da União Europeia mais flexível, vai pressioná-la para optar por um “soft” Brexit, enquanto a direita vai querer o contrário. Esta situação pode abrir brechas no Partido. A maioria no Parlamento já não é absoluta, mas simples, pelo que os conservadores terão de negociar uma coligação, provavelmente com os 10 membros da DUP, partido conservador irlandês. Que concessões será necessário fazer?

E qual o futuro da Teresa May? Alguns conservadores mais antigos dizem que ela está tão enfraquecida que terá de se demitir no verão. No entanto, a Primeira-Ministra garante que irá formar governo para os próximos cinco anos. Porém, em política, uma semana já é uma eternidade…

E podem as negociações do Brexit avançar muito antes das eleições alemãs, não querendo Angela Merkel perder a sua quota de mercado automóvel na Grã-Bretanha?

São muitas as incertezas a clarificar nos próximos meses.

Bruce Dawson

Chairman do Grupo Garland

(Bruce Dawson escreve segundo o Novo Acordo Ortográfico)

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