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Bruce Dawson: «Brexit: Qual o Efeito no Setor?»

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Quase um ano após o referendo em que a maioria dos britânicos decidiu a saída do Reino Unido da União Europeia existem dois fatos a considerar: o primeiro é a carta de Teresa May, Primeira-Ministra da Grã-Bretanha, a notificar Bruxelas da saída do país da União, acionando o artigo 50 do Tratado de Lisboa, que abre formalmente o processo, até agora inédito; e o segundo é a resposta de Donald Tusk, Presidente do Conselho Europeu, a aceitar a intenção britânica e a impor várias condições. Tudo o resto é pura especulação mediática ou conversa de rua.

É importante realçar esta realidade, já que há muita gente a especular sobre os potenciais efeitos do Brexit em diversos setores, sem que as negociações sequer tenham arrancado.

Nas últimas semanas, o tom das declarações dos responsáveis europeus e britânicos tem sido muito menos de confronto e mais de conciliação. Sente-se que ambas as partes desejam encontrar soluções que as beneficiem mutuamente. O único aspeto que realçaria e que, na minha opinião, é a condição em que a União Europeia me parece mais firme e sem intenção de recuar é que a negociação sobre a transferência mútua das respetivas dívidas deverá avançar antes de se iniciar a discussão sobre as relações comerciais entre o Reino Unido e os parceiros europeus.

Ao nível das relações comerciais parece-me que é objetivo de ambas as partes encontrar consensos, até porque, por exemplo, a Alemanha, a maior potência europeia, exporta mais do que importa da Grã-Bretanha. Já Portugal exporta para o Reino Unido o dobro do que importa – uma balança comercial que nos é largamente favorável.

O que me parece um facto é que, ao deixar a União Europeia, a Grã-Bretanha será obrigada a sair da união alfandegária, pelo que o transporte internacional de mercadorias terá de novamente passar pelas alfândegas.

Em termos de tarifários existem várias alternativas: pode tudo permanecer como está, a Grã-Bretanha aderir à EFTA – Associação Europeia de Livre Comércio e ficar com um estatuto semelhante ao da Noruega e da Suíça, ou cortar definitivamente com os laços comerciais com a Europa e adotar as tarifas do comércio mundial, cuja maioria é zero. Seja como for, mesmo com tarifa zero, as mercadorias terão sempre de ser submetidas à inspeção alfandegária, o que obrigará a uma enorme transformação na atividade, quer das empresas de transportes e logística britânicas, quer das dos países parceiros europeus que trabalham no mercado do Reino Unido. Transformações, essas, que podem passar pelo aumento dos custos das operações, bem como de recursos humanos. Felizmente, as alfândegas estão atualmente adaptadas às soluções eletrónicas.

O setor dos transportes será sempre afetado pelas soluções relacionadas com o intercâmbio comercial que resultem da negociação que está prestes a arrancar. Poderá efetivamente haver uma redução substancial no intercâmbio, pelo menos no início.

No entanto, volto a realçar, todas as considerações que aqui faço são especulação. Certo, é que o processo ainda agora arrancou e as negociações nem sequer começaram. Muita coisa poderá acontecer, sobretudo, tendo em conta a atual conjuntura mundial de grande incerteza.

 

Bruce Dawson

Chairman do Grupo Garland

(Bruce Dawson escreve segundo o Novo Acordo Ortográfico)

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