web summit futuro

Bruce Dawson: “Estratégia para o Futuro”

Logística, Opinião Comentários fechados em Bruce Dawson: “Estratégia para o Futuro” 434
Tempo de Leitura: 3 minutos

Participei em dois dias do Web Summit, evento sobre tecnologia e empreendedorismo que, pelo segundo ano, se realizou em Lisboa. A minha participação foi, sem dúvida, proveitosa, até porque temos de compreender de uma vez por todas que se a evolução tecnológica tem sido rápida, nos próximos anos será dez vezes mais célere.

As empresas, nomeadamente as do setor de transportes e logística, devem preparar-se para acompanhar esta evolução, caso contrário será muito difícil a concorrência neste mundo global e, em última análise, a sua própria sobrevivência.

Muitos postos de trabalho tenderão a desaparecer e a educação das crianças será cada vez mais especializada. E estas são apenas duas realidades para as quais devemos nos preparar. Não são as únicas…

Sempre gostei de História. Mas, para que servirão no futuro cursos de História ou de Geografia, entre muitos outros, num mundo dominado pelas tecnologias em que o principal denominador será a produção competitiva ao mais baixo custo?!



Robots a realizarem as nossas atividades quer da vida pessoal, como da profissional serão uma realidade. Podemos, por exemplo, imaginar uma app que nos ajuda quando fazemos compras no supermercado e não encontramos o que desejamos. Essa aplicação pode-nos indicar o corredor e a prateleira onde o produto se encontra sem que precisemos do apoio de um funcionário. O custo será menor e as tarefas cumpridas com maior eficiência.

Já aqui escrevi sobre as operações de fusão e as alianças que temos vindo a assistir nas empresas de transporte marítimo. Ora, estas fusões têm permitido investir em navios com cada vez mais capacidade de carga. Ainda há quatro anos tentávamos consciencializar-nos de que um navio poderia transportar 20.000 TEUS e hoje já nos parece normal que carregue 23.000 TEUS. Todas estas transformações se resumem à necessidade de se transportar um contentor de forma eficiente e pelo mais baixo custo possível.

As agências de navegação terão de se adaptar a este novo mundo se querem fazer parte do futuro. Não podemos pensar que estas transformações ainda demorarão a ser implementadas. O futuro começa agora.

Ao longo de muitos anos, foi possível elaborar-se planos estratégicos plurianuais. Eu, por exemplo, trabalhei numa multinacional, onde havia um departamento chamado “1975”. Isto em 1962… Aí trabalhavam 15 pessoas. No entanto, as últimas crises, especialmente a do colapso dos sistemas financeiros, demonstraram que a realidade deixou de ser previsível e muitas empresas passaram a viver para o dia-a-dia e para a sua sobrevivência.

Atualmente, quando as economias mundiais estão de novo em rota ascendente, os planos estratégicos voltam a ser fundamentais. Temos de planear a longo prazo tendo em conta as mudanças que se avizinham. Ainda recentemente o Governador do Banco de Inglaterra,  Mark Carney, dizia que dos 32 milhões de cidadãos britânico com emprego na Grã-Bretanha, só metade manterá os postos de trabalho em 2030. Dramático, assustador ou verdade?

Dentro desta ordem de ideias terão os empresários ligados à navegação e aos transportes de planear as suas estratégias e imaginar as direções para que devem liderar as suas empresas? Teremos de fazer uma separação entre as empresas que vivem para o curto prazo e aquelas que planeiam a sua sobrevivência num futuro a longo prazo?

Algo que me parece fundamental é que a educação e a formação profissional deverão ser ponderadas tendo em conta a muito rápida evolução tecnológica nos próximos anos e as transformações que a mesma irá trazer.

Bruce Dawson

Chairman do Grupo Garland

(Bruce Dawson escreve segundo o Novo Acordo Ortográfico)



Author

Back to Top

© 2019 Magia Azul, all rights reserved.
Partilhar
Partilhar
pt Português
X
WP Twitter Auto Publish Powered By : XYZScripts.com