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Bruce Dawson: «A Logística»

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A verdade é que esta palavra se aplica a diversas áreas da nossa vida, mas, no mundo dos Transportes, também é muitas vezes generalizada e até banalizada. Julgo que é, por isso, importante começar por distinguir dois tipos diferentes de operações: Logística de Transportes e Logística Contratual.

Muitos transportadores descrevem-se como operadores de “Transportes e Logística”, mas, na verdade, apenas desenvolvem atividades de logística de transporte, com movimentos de ‘crossdocking’ nos seus armazéns, normalmente com menos de 1.000 m2 de área. Afirmam, contudo, que cobrem todas as atividades de logística contratual, mas fazem-no numa base mais artesanal e com resultados pouco exigentes. O simples termo Logística na maior parte das empresas industriais refere-se apenas à Logística de Transportes.



Quando falamos de uma empresa que oferece Logística Contratual, estamos a referir-nos a um operador que faz da atividade logística o seu ‘core business’. Desenvolve, portanto, uma logística especializada, onde os processos logísticos são desenhados e implementados à medida das necessidades de cada cliente. São em muito menor número no mercado as empresas profissionais que realizam Logística Contratual. Isto, porque as operações requerem equipas altamente especializadas do ponto de vista tecnológico, para além de um investimento constante em formação, em tecnologia e em infraestruturas.

A Logística Contratual, implementada no estrangeiro e nas multinacionais há muito tempo, evoluiu muito em Portugal nos últimos anos, fundamentalmente devido à crise financeira, altura em que os empresários portugueses, procurando reduzir os custos das suas atividades, perceberam as mais-valias de adjudicar a Logística a profissionais externos.

As grandes empresas mundiais desenvolvem as suas operações logísticas internamente, pois têm escala para suportar os fortes investimentos que a atividade implica. Para as pequenas e médias empresas, contudo, já não compensa a logística ser feita ‘in-house’ e faz todo o sentido que recorram à contratação de especialistas em Logística Contratual. O denominado ‘outsourcing’ logístico é presentemente uma mais-valia importante na gestão das empresas portuguesas, já que permite que estas se concentrem no seu ‘core business’ e ao mesmo tempo aumentem a sua competitividade. Vantagens, estas, que resultam acima de tudo de uma maior flexibilidade financeira e operacional, obtida respetivamente pela transformação de custos fixos em custos variáveis e por uma ajustável capacidade de resposta das operações. De igual modo também se obtém uma maior otimização dos recursos utilizados, assegurada pela natural redução de custos e investimentos e pela obtenção de uma melhor performance logística em permanente evolução.

O operador de Logística Contratual tem de ter a capacidade de criar uma oferta de reconhecida qualidade a preços competitivos, mantendo a produtividade elevada. Para alcançar uma operação competitiva, é necessário investir fortemente. Primeiro, em instalações, que deverão ter uma construção de qualidade, com proteção contra incêndios e uma segurança física 24 horas por dia e 7 dias por semana. Segundo, investindo no melhor sistema informático e de comunicações. Terceiro, um investimento nos melhores equipamentos de movimentação de cargas nas instalações dos centros de Logística.

Ao implementar uma operação para um cliente, o operador tem de estar ciente que esta atividade não se restringe a fazer armazenagem e eventualmente distribuição, mas tem obrigatoriamente que acrescentar soluções para todos os requisitos dos clientes que podem ser de embalagem/reembalagem, separação à unidade, etiquetagem, pick & pack, assemblagem de componentes, visualização de stocks através do sistema informático, etc.

Finalmente, um operador de logístico para ser verdadeiramente profissional tem de disponibilizar uma comunicação 24 horas por dia e 7 dias por semana e ter centros de logística que funcionam em turnos que trabalhem 24 horas por dia.

Bruce Dawson

Chairman do Grupo Garland

(Bruce Dawson escreve segundo o Novo Acordo Ortográfico)



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