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OPINIÃO de Bruce Dawson: “50 Anos de Revolução”

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Ainda hoje se diz que a grande transformação no comércio internacional foi originada pela Revolução Industrial. No entanto, a evolução que esta então provocou, e mesmo nos anos que se seguiram, foi relativamente lenta quando comparada com as mudanças a que assistimos no último meio século.

Recuemos a 1968. Nessa altura, a contabilidade das empresas portuguesas fazia-se à mão e comunicava-se por carta ou telegrama quando o tema era urgente, como a morte de alguém ou a expressão de condolências. Ainda era normal viajar de navio, atravessar oceanos até destinos longínquos na América, África, Índia ou Austrália. Um voo para Santiago do Chile demorava dois a três dias com várias escalas e mudanças de tripulação ao longo do percurso. As mercadorias eram estivadas para porões e, depois, descarregadas para barcaças que as transportavam para terra.



Se refletirmos sobre estas memórias e tantas outras desses tempos, percebemos como tudo se transformou muitíssimo rápido nos últimos 50 anos, sobretudo se compararmos com o período entre a Revolução Industrial e a Segunda Guerra Mundial. A começar pela evolução militar. Entre a Primeira e a Segunda Guerra Mundial houve uma evolução tal, sobretudo dominada pela tecnologia, que hoje se fazem guerras difíceis de imaginar nessa altura.

Da contabilidade à mão ao aparecimento de máquinas que fazem a leitura magnética de cartões, dos servidores informáticos que ocupavam andares e até edifícios inteiros aos sistemas pequenos, leves e portáteis que podemos levar para casa, do telex com seis cópias e do fax ao correio eletrónico, do telefone fixo ao smartphone – a evolução foi enorme e rápida.

Na área da Navegação, a evolução da carga de porão para a contentorizada representou uma autêntica revolução que transformou todo o meio de transporte de carga no mundo. Hoje, motivada pela necessidade de maior produtividade a custos cada vez mais reduzidos, a evolução continua, sobretudo baseada no desenvolvimento tecnológico.

Efetivamente, a revolução tem sido tal que muitos não conseguiram acompanhar. O estudo da matemática, das ciências e da informática que, há 50 anos, era subvalorizado assumiu uma importância fulcral. Atualmente, não há futuro sem a aposta nessas matérias.

Mas se achamos que a evolução tem sido rápida, não estamos preparados para o que aí vem. Numa era dominada pela tecnologia digital, as mudanças far-se-ão a uma velocidade muito maior e as transformações no mercado de trabalho serão tremendas. Muito provavelmente, os empregos manuais irão desaparecer e, qualquer jovem que pretenda investir no futuro não poderá deixar de se formar em áreas como inteligência artificial, automação, internet das coisas, cloud ou cybersecurity.

Num mercado global, em que temos assistido a inúmeras fusões e alianças, o transporte marítimo está a sofrer transformações a um ritmo alucinante. Com exceção de rotas de pequena extensão, ficaremos reduzidos a uma mão cheia de linhas, operadas por navios automatizados e onde predominarão as cadeias nas linhas de transporte. As empresas que desejem manter-se a operar no transporte marítimo, terão de estar preparadas para um mercado 4.0 e para trabalhar com novas tecnologias como o sistema blockchain.

Em Portugal, tal como estão hoje estruturadas, as empresas terão de lutar muito pela sua sobrevivência. As pequenas e médias empresas terão de esquecer os seus pequenos impérios e que o “segredo é a alma do negócio”. Terão sobretudo de se desenvolver tecnologicamente, algo para a qual a maioria não tem preparação ou capital para investir.

Bruce Dawson

Chairman do Grupo Garland

(Bruce Dawson escreve segundo o Novo Acordo Ortográfico)



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