Bud Darr MSC

Bud Darr (MSC): ‘Shipping’ vive «ambiente extremamente complexo» e «desafiante»

Marítimo Comentários fechados em Bud Darr (MSC): ‘Shipping’ vive «ambiente extremamente complexo» e «desafiante» 463
Tempo de Leitura: 4 minutos

A Revista Cargo prossegue a sua reportagem especial sobre o evento Portugal Shipping Week com a divulgação da totalidade da intervenção de Bud Darr, Vice-Presidente Executivo para a divisão Política Marítima e Assuntos Governamentais do Grupo MSC. Inserida no painel ‘World trade and shipping: Portugal’s potential’, a palestra de Darr versou sobre as valências da multi-nacional, o actual outlook do Shipping e o potencial luso.



Questionado pelo moderado do painel – Albrecht Gundermann – sobre a perspectiva da MSC sobre a actualidade do transporte marítimo internacional, Bud Darr não se coibiu de responder com uma dose temperada de «cautela». Ainda assim, admitiu que, entre as incertezas que circundam o Shipping, o «optimismo» acabará por prevalecer. Antes de mergulhar na resposta concreta, enunciou a análise de «três pontos»: a MSC em si, o Shipping e Portugal.

Gigante MSC: uma companhia tão «familiar» quanto «global»

«Somos únicos. A nossa companhia é de índole familiar, gerida por um capitão, que trabalha sete dias por semana e está activamente envolvido na forma como gerimos a empresa. A partir de um navio apenas o grupo tornou-se uma companhia global, presente em 155 países», começou por afirmar Bud Darr, traçando as linhas gerais da MSC, a segunda maior operadora marítima de contentores do mundo. «Temos cerca de 500 navios porta-contentores e por volta de 50 terminais espalhados por todo o mundo», acrescentou.

Shipping actual é «ambiente extremamente complexo», considerou Bud Darr

Na visão de Darr e da MSC, o Shipping é, nos dias que correm, «um ambiente extremamente complexo, que se torna progressivamente mais complexo ainda: lidamos com regulações a todos os níveis; temos regulações da IMO, regulações a nível regional, legislações nacionais e sub-nacionais…é, de facto, um ecossistema complexo». A isto acresce-se «um enquadramento comercial que actualmente não é assim tão positivo. Não quero parecer negativo, mas estamos bastante cautelosos perante este mundo incerto em que agora nos encontramos», declarou.

Foco na fiabilidade para «futuro mais racional»

Em tempos de guerras tarifárias – que não dão sinais de abrandamento -, estas condicionantes ganham ainda maior prevalência e intensidade, o que obriga as transportadoras – elos fundamentais do comércio global e interdependente – a novos processos camaleónicos de adaptação: «Tivemos de readaptar a nossa capacidade devido a esta nova realidade, focando-nos na fiabilidade – iremos centrar-nos cada vez mais na fiabilidade enquanto elemento crítico de um comércio global em rápida transformação», desvendou.

«Quando nos focamos na fiabilidade acabamos por aumentar a eficiência em toda a nossa cadeia logística, incluindo a componente logística shore-side, os terminais e a vertente do transporte marítimo. Reduzimos a nossas emissões e, assim, utilizamos de modo mais eficiente a nossa capacidade. Esperamos que estas medidas ajudem. Queremos um futuro mais racional, mas, em última análise, as dinâmicas actuais são bastante desafiadoras. Algumas são de cariz macro-económico, outras de carácter geopolítico, são dinâmicas comerciais que estão para lá do controlo da própria indústria», explicou.

Custos do combustível e limites de NOx: desafios que implicarão «transformação dramática»

Sem rodeios, não fugiu à problemática dos galopantes custos do combustível, que vêm causando tumultos entre os carregadores – «A indústria foi também afectada por dramáticos aumentos custos do combustível e excesso de capacidade. Nós pretendemos corresponder à procura, crescendo com o mercado, com sustentabilidade – pensamos que essa é a melhor estratégia nestes tempos de incerteza. Ainda assim, estamos optimistas em relação ao futuro. Tudo o que fazemos na MSC é a pensar no longo prazo», proferiu, captado pelos microfones da nossa publicação.

Se a realidade do presente já coloca no caminho marítimo das operadoras adicionais custos, imagine-se o que farão os novos limites de NOx (a vigorar a partir de 1 de Janeiro de 2020) às tesourarias das mesmas – «afectarão tudo e todos e todos no Shipping», afirmou frontalmente, explicando tratar-se de uma «transformação dramática no paradigma dos custos». Para a MSC, «com base em projecções, tal significará cerca de 300 milhões de dólares por mês em custos adicionais. Só os que se precaveram e pensaram numa vasta gama de soluções – como nós – estarão preparados para uma mudança desta magnitude», alertou.



Back to Top

© 2020 Magia Azul, all rights reserved.
Partilhar
Partilhar
pt Português
X
WP Twitter Auto Publish Powered By : XYZScripts.com