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Carga aérea: ‘boom’ do e-Commerce e adopção global do e-AWB são os desafios para 2019

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A indústria da carga aérea aterra de um 2018 positivo e mira já um 2019 igualmente ascendente – em jeito de balanço do passado recente mas também de previsão do futuro que já bate à porta, Jos Nuijten, vice-presidente da divisão de Network Integration Strategy do Descartes System Group, analisou o sector e elencou os desafios incontornáveis que 2019 trará para a carga aérea.

«Muitos factores combinaram-se para criar um clima optimista, mas desafiador, para o sector de carga aérea. Um deles é o crescimento contínuo e global do e-Commerce, que teve um impacto profundo no sector», introduziu Jos Nuijten, que conta já com 35 anos de experiência nos sectores da Logística e das TI. «A carga aérea experimentou um renascimento nos últimos anos por causa do aumento do comércio electrónico internacional», concluiu.

Jos Nuijten

«Além disso, o frete aéreo tornou-se cada vez mais competitivo em relação a outros modos de transporte nos últimos anos. De acordo com a IATA, a procura está no seu nível mais alto desde Maio de 2018, crescendo mais de 3% em Outubro, em comparação com o ano anterior», explicitou, lembrando que o organismo «prevê que o sector de aviação global terminará 2019 com seu décimo ano de lucratividade. Ganhos impressionantes para uma indústria que já foi – não há muito tempo – à beira do colapso», recordou.

Mas será um erro descansar sob os louros: «a indústria de carga aérea enfrenta desafios pela frente. Desde a evolução das tensões comerciais globais até a pressão contínua para adoptar a digitalização em toda a sua extensão», afirmou, em um artigo escrito para a publicação ‘Air Cargo News’. Para o especialista, a introdução do e-AWB, o fluxo partilhado de dados e o boom do e-commerce serão «as questões-chave logísticas» de 2019.

e-AWB já descolou: qualidade e pontualidade da data tem de ser «uma das principais preocupações»

«O e-AWB passará a ser o contrato padrão (…) embora essa mudança, necessária, ajude o sector a aproximar-se mais da eliminação de ineficiências, de atrasos nos envios e de erros dispendiosos resultantes de processos baseados em papel e burocracia manual, apresenta também desafios maiores que não podem ser resolvidos da noite para o dia», alertou Jos Nuijten. «Não apenas as partes interessadas precisam de ser capazes de comunicar electronicamente de forma eficaz, elas também exigem acesso a informações oportunas e precisas. Logo, a qualidade dos dados e a pontualidade desses dados rapidamente se tornam uma das principais preocupações», afirmou.

«Cada vez mais países exigem que as transportadoras aéreas forneçam informações avançadas para alfândegas e/ou controlo de fronteira em remessas recebidas. As nações que já possuem essa capacidade percebem que precisam das informações de forma prévia e com melhor qualidade de dados. Como resultado, iniciativas como o Air Cargo Advance Screening nos EUA foram introduzidas e estão a tornar-se obrigatórias», frisou.

«Na mesma linha, o expedidor aéreo de exportação também é obrigado a fornecer informações à transportadora ou directamente à alfândega no país importador antes do carregamento no aeroporto. Com os EUA e a União Europeia (UE), isso é relativamente fácil, mas e se você for um remetente norte-americano com uma remessa para, por exemplo, Angola – você tem capacidade para entrar em Angola?», indagou o especialista. «Embora as alfândegas possam estar em comunicação com as empresas dos seus próprios países, os parceiros da cadeia e os seus provedores muitas vezes são deixados em dificuldades para cumprir os requisitos novos ou futuros».

«e-Commerce glut»: uma oportunidade já aproveitada, mas também um duro desafio pela frente

A explosão do e-Commerce é outro dos desafios que apimentará o ano de 2019: «Embora o boom do e-Commerce internacional tenha sido bom para a carga aérea, o grande volume de envios representa novos desafios. O principal é a exigência de todos os envolvidos na cadeia de logística aérea – transportadores múltiplos, despachantes, transitários, e camionistas – na execução perfeita da movimentação de mercadorias, no desembaraço rápido da alfândega e no fornecimento de novos níveis de visibilidade aos clientes», explicou.

«Apesar dos desafios futuros, a tecnologia é a chave para ajudar as empresas a automatizar processos, simplificar os requisitos de conformidade e alcançar novos níveis de qualidade de dados e partilha de informações com parceiros de carga aérea. Para que a indústria continue a modernizar-se, os seus processos e sistemas também devem acompanhar as mudanças», finalizou o especialista.

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