Carga aérea: Finnair Cargo reuniu especialistas para debater o ‘hoje’ e o ‘amanhã’ do sector

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Depois de uma década de crescimento, o sector da carga aérea continua no verde em 2019 mas em perda de fulgor clara. Para realizar uma reflexão sobre a evolução do transporte aéreo de mercadorias, os seus desafios e horizontes (em plena tempestade geopolítica), a Finnair Cargo reuniu vários especialistas e fez o auto-retrato de um sector em constante metamorfose, mas que têm ainda muitos voos para conquistar.

Sector deve definir o seu «mundo digital de amanhã»

«Há muitas melhorias a serem feitas, mas o processo de digitalização é o mais importante, na minha opinião. Devemos ser muito mais ambiciosos e começar a redesenhar os nossos processos para o mundo digital de amanhã, em vez de estarmos a ver como as ferramentas digitais poderão ser implementadas no nosso modelo de negócios actual», iniciou Steven Polmans, chefe do departamento de cargas do Aeroporto de Bruxelas.

«Enviar um PDF ou enviar um fax já não é suficiente. Precisa de haver uma mudança de mentalidade na forma de trabalharmos juntos, superando as fronteiras da empresa e focando mais no benefício da cadeia como um todo, ao invés de nos focarmos apenas em partes dela. Isto exigirá uma mudança de processos, mas, ao fazê-lo, o custo para a cadeia logística cairá e a qualidade aumentará para o cliente final», concluiu.

Automação e digitalização: mais eficiência e menos redundância no horizonte

«Após alguns anos de actividade robusta, os volumes de carga aérea estão a começar a mostrar sinais de redução de actividade no primeiro trimestre de 2019. Dito isso, a indústria está numa posição forte, e a Associação dos Transportadores Aéreos está optimista em relação ao futuro. Há uma mudança significativa no horizonte, provocada pelo aumento do papel da automação no mundo da expedição de mercadorias», disse Brandon Fried,
director executivo da associação, juntando-se à conversa.

«À medida que os reguladores de segurança impõem novas regras para regimes avançados de segmentação de dados de carga, a tecnologia será essencial para garantir a conformidade com as regras. Ao mesmo tempo, esperamos que os governos percebam o valor de apostar em um único preenchimento para muitos usos comerciais, a fim de evitar entradas redundâncias que criam ineficiências», acrescentou.

Data é um «activo importante»

«Eu sinto claramente que a data não estão a ser discutida tanto quanto deveriam ser. Os dados precisam de ser considerados um activo importante – tão importante quanto qualquer outro processo de carga aérea, incluindo o aspecto físico. Deve ser dada maior visibilidade às partes interessadas. Os players da carga aérea que reconhecem isso serão os mais fortes», comentou Jukka Glader, chefe de operações de carga da Finnair.

Sucesso depende do índice de conectividade das transportadoras

«Já se passaram quase duas décadas desde que comecei a trabalhar no sector de carga aérea e não mudou muita coisa – ainda estamos preocupados com o declínio perpétuo dos rendimentos, do excesso de capacidade e da eliminação do papel», atirou Frederic Horst, director da Cargo Facts Consulting. «Os últimos anos foram generosos para a indústria em termos de lucros, onde qualquer um e todos puderam ganhar dinheiro», disse. «Mas isso não é uma situação normal. Para ter sucesso no futuro, as operadoras terão de ser mais eficientes e conectadas em rede para triunfarem. Alternativamente, precisam de se concentrar em um nicho – seja geograficamente ou em termos de produto», rematou Horst.

«Modernização de processos é prioridade»

Philippe De Backer, director executivo da Lödige Industries, juntou-se ao debate: «Concordo com a análise recente da IATA de que a aceleração da modernização de processos é uma prioridade chave para que a indústria possa acomodar a demanda crescente por carga aérea. Para muitos terminais de carga aérea, isso significará um aumento na automação. Isso já foi implementado no Cool Nordic Cargo Hub da Finnair, em Helsínquia, e a Lödige já recolhe enormes quantidades de dados para nossos clientes nesse terminal», frisou. «A análise desses dados dá suporte e possibilita novos processos de negócios necessários para atingir metas de crescimento e responder de forma eficaz à tendência actual», completou.

Factores de carga: metodologia actual distorce a verdadeira imagem do mercado

Alex Lennane, editor do portal de informação ‘The Loadstar’, deixou também a sua perspectiva: «Uma maneira simples de melhorar o sector de carga aérea seria mudar a maneira como calcula os seus factores de carga. É hora de a indústria se medir com uma métrica que valoriza suas características únicas, e não a partir de uma medida que deriva do sector de passageiros. A metodologia actual distorce a verdadeira imagem do mercado, pois os factores de carga parecem ser mais baixos do que realmente são», comentou.

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