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Carlos Fernandes (IP): «Estamos a meio de um investimento histórico no Corredor Internacional Norte»

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A recta final de 2020 terminou com um importante evento que pretendeu analisar e debater a implementação de um porto seco na região da Guarda – um dos testemunhos mais marcantes do seminário pertenceu a Nuno Araújo, presidente da APDL – já aqui trazido pela reportagem da Revista Cargo. A este junta-se também a intervenção de Carlos Fernandes, vice-presidente da IP, incidindo sobre os investimentos do Ferrovia 2020, a importância da modernização da Linha da Beira Alta no contexto do Corredor Internacional Norte e a competitividade do transporte ferroviário de mercadorias.

«Estamos a meio de um investimento que é histórico neste Corredor Internacional Norte e particularmente na Linha da Beira Alta, que, provavelmente, só tem paralelo com a própria construção da linha da Beira Alta. Há muitos anos que não havia um investimento significativo nesta linha. Vamos, de facto, melhorar muito o serviço que podemos oferecer, do ponto de vista ferroviário», começou por dizer Carlos Fernandes, frisando que encontra-se na fase final «um investimento na Linha da Beira Baixa, com a ligação entre a Covilhã e a Guarda, e que vai ficar novamente operacional dentro de poucos meses. Portanto vamos ter, junto à Guarda, duas importantes linhas ferroviárias em funcionamento», disse.

Ferrovia 2020 focado na «melhoria das ligações internacionais»

Sobre o programa Ferrovia, o responsável da IP caracterizou-o como um ««ambicioso plano de investimentos, fundado, essencialmente, em três grandes objectivos: o aumento da competitividade do transporte ferroviário, a melhoria das ligações internacionais e a criação de condições para a interoperabilidade ferroviária». É na segunda meta «que se concentra a grande parte do investimento: melhoria da Linha do Minho (ligação Porto-Galiza), um investimento que está praticamente terminado; o Corredor Internacional Norte, com uma pequena intervenção junto ao Porto de Leixões, na melhoria da acessibilidade ferroviário ao porto; depois temos o grande investimento que é a modernização da Linha da Beira Alta e a modernização do troço Covilhã-Guarda, praticamente terminada», detalhou Carlos Fernandes durante a sua intervenção.

«O terceiro grande investimento no contexto das ligações internacionais trata-se do Corredor Internacional Sul – está em construção o troço Évora-Elvas, de 80km. Trata-se de um investimento significativo de ligação dos portos a Sul – Lisboa, Setúbal e Sines – a Espanha», prosseguiu. Cada um destes dois corredores tem canalizados cerca de 600 milhões de euros de investimento. «Temos cerca de 13% do Ferrovia 2020 já concluído, cerca de 275 milhões de euros já estão concluídos e ao serviço. Cerca de 70% – cerca de 1,5 mil milhões de euros – em fase de obra em empreitada, praticamente em fase de adjudicação ou mesmo já em trabalhos de obras no terreno», completou o representante da IP no seminário.

Modernizar a Linha da Beira Alta para melhorar conexão internacional

Carlos Fernandes IPFocando-se no Corredor Internacional Norte, Carlos Fernandes explicou que este «é constituído pela Linha da Beira Alta, que é a infra-estrutura mais importante deste corredor. Pela linha de Leixões (acesso directo ao porto), e, nesta altura, pelo troço final da Linha da Beira Baixa […] queremos constituir a Linha da Beira Baixa de novo como uma alternativa à Beira Alta, para nos permitir fazer a obra com a dimensão e profundidade que a Linha da Beira Alta necessita. Os grandes objectivos da modernização da Linha da Beira Alta é a melhoria da ligação do Norte e Centro de Portugal à Europa, é esta a principal infra-estrutura de ligação ferroviária ao Norte de Espanha e principalmente à Europa (França e Alemanha), analisou.

«Queremos, com esta intervenção, aumentar a capacidade da Linha da Beira Alta de cerca de 14 comboios por dia (com máximo de 500 metros actualmente), para cerca de 25 comboios por dia (com 750 metros). Vamos mais que duplicar a capacidade desta infra-estrutura e vamos reduzir o tempo de trajecto, vamos construir um conjunto de pequenas variantes que permitam homogeneizar a velocidade de circulação dos comboios e vamos melhorar as condições de segurança e fiabilidade desta infra-estrutura, eliminando todas as passagens de nível e instalando nova sinalização electrónica, já compatível com os mais modernos padrões europeus», continuou Carlos Fernandes, captado pelos microfones da Revista Cargo.

O investimento levado a cabo na Linha da Beira Alta «permite-nos ligar, de forma mais célere e com menos custos, ao Porto de Leixões, é um trabalho que tem impacto e relevância na ligação a Espanha e à Europa», vincou o vice-presidente da IP.

Corredor Atlântico: os constrangimentos a combater

Linha do Douro Ferrovia IP IP PortugalCarlos Fernandes abordou, neste contexto, o Corredor Atlântico, tido como «prioritário a nível europeu», colocando em ligação Portugal com França e Alemanha. Neste corredor, aprofundou, «está identificado um conjunto de constrangimentos, desde troços não electrificados, dificuldade em termos de comprimento de comboios (nem todos os troços permitem os 750 metros), há limitações em termos de carga máxima rebocada, há falta de capacidade em alguns pontos, em particular na entrada de França (fronteira espanhola e Bordéus), há também a questão da bitola, que não é particularmente significativa neste processo. Portanto, estamos a trabalhar, do nosso lado, naquilo que é um dos factores mais limitativos da eficiência do transporte ferroviário de mercadorias, que é o comprimento dos comboios», realçou.

«Estamos a fazê-lo na Linha da Beira Alta; um dos outros factores limitadores é a inexistência da electrificação, ou seja, a possibilidade dos comboios circularem com tracção eléctrica – como se sabe, desde Leixões até à fronteira portuguesa, já há catenária, portanto, os comboios já podem circular com tracção eléctrica. […] o que está a ser feito em Portugal, no âmbito do Ferrovia 2020, está concentrado na resolução dos principais constrangimentos também ao longo deste corredor, portanto, ao facilitarmos a ligação a Leixões, estamos também a facilitar a ligação a Salamanca e ao centro da Europa através da estrutura ferroviária», continuou o responsável da IP.

Leixões-fronteira: obra permitirá reduzir o custo do contentor em cerca de 30%

A concretização da obra, salientou, dará a possibilidade «de circular em comboios com 750 metros; os comboios poderão circular entre o Porto de Leixões e a fronteira de Vilar Formoso em tracção dupla, portanto, aumentando o custo do transporte, mas aumentando, muito mais, a quantidade de carga rebocada, passando de 54 TEU para 105 TEU rebocados e assistimos a uma redução de -28% do custo». Ou seja, reforçou, «o investimento que estamos a fazer na Linha da Beira Alta permitirá reduzir, em cerca de -30%, o custo do contentor, de Leixões até à Fronteira de Vilar Formoso. Com isto estamos a aumentar significativamente a sustentabilidade e a competitividade do transporte ferroviário».

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