Rede ferroviária «desajustada às necessidades do país» é «travão» económico, frisa Carlos Vasconcelos

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Em um artigo de opinião publicado no site oficial da ADFERSIT, Carlos Vasconcelos, presidente do Conselho de Administração da Medway, abordou o tema da ferrovia nacional, analisando o estado actual da mesma e elencando os desafios que separam um desejável futuro – pautado pela evolução contínua do sistema ferroviário luso – e o presente – caracterizado pela ausência de investimentos e pelo abandono, perpetrado durante décadas.

«Creio existir actualmente um largo consenso em relação à rede ferroviária nacional: está desajustada às necessidades do País, sendo incapaz de fazer face às exigências da procura existente e potencial», considera Carlos Vasconcelos, corroborando uma mensagem já por si vincada durante a reunião de balanço dos primeiros quatro anos de actividade da Medway, ocorrida em Julho. Para o responsável, este desajustamento «é um travão ao desenvolvimento da economia portuguesa». A causa? Um desinvestimento total: «há décadas que o País não investe na rede», aponta.

«Rede é quase a mesma de há 60 anos», constata Carlos Vasconcelos

«A rede de hoje é quase a mesma e quase nas mesmas condições de há 60 anos», observa Carlos Vasconcelos: o estado da ferrovia portuguesa é «o espelho do abandono a que o País votou o caminho-de-ferro nas últimas décadas, optando pelo betão e pela rodovia, abandonando por completo a ferrovia». Assim se criou um transporte ferroviário de pessoas e mercadorias «absolutamente marginal», e sem correspondência com as «necessidades do País, quer na mobilidade, quer na logística, quer na descarbonização da economia».

Carlos Vasconcelos MedwayA rede ferroviária lusa, descreve, pauta-se por deter «inúmeras limitações de velocidade», ausência de «de cruzamentos adequados, que restringem a circulação de comboios de 750 metros», com «pendentes desajustadas e muito limitadoras, deficiente manutenção» e «deficiente cobertura de comunicações». Mas as mentalidades mudaram, frisa: «Parece que hoje o País ganhou consciência sobre esta situação e de todos os quadrantes se começa a considerar que temos de investir na rede ferroviária, modernizando-a».

«Plano estratégico a longo prazo» precisa-se

Qual o rumo para inverter a tendência? «O País precisa de definir que ferrovia efectivamente pretende e que meios está disponível a alocar para o efeito, sabendo que qualquer decisão de hoje só terá efeitos vários anos depois», ou seja, é imperativo adoptar « um plano estratégico a longo prazo» que tem de ser «fruto de um amplo consenso nacional», explica Carlos Vasconcelos. «Uma estratégia e um plano que não estejam dependentes do calendário eleitoral. Uma visão e um plano que não mude com cada Governo ou com cada Administração da IP», rematou.

«Precisamos que todos cooperem, para que o País seja dotado de uma moderna e eficiente rede ferroviária», enfatizou Carlos Vasconcelos. Para que se obtenha sucesso, é necessário que a estratégia se mantenha «nos próximos 20 anos, independentemente dos ciclos eleitorais e dos titulares da Tutela e da IP», reforçou. «Para bem da mobilidade, da logística e da descarbonização da economia, espero que todos consigamos este consenso».

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