medway 4000 siscog

Carlos Vasconcelos admite que falta de capacidade da Linha do Norte já limita os planos da Medway

Terrestre Sem comentários em Carlos Vasconcelos admite que falta de capacidade da Linha do Norte já limita os planos da Medway 674

Na sessão técnica ontem promovida pela ADFERSIT, onde se analisou o Futuro da Ferrovia no Pós-2020 com a presença de Carlos Fernandes (vice-presidente da Infraestruturas de Portugal), os dois operadores ferroviários de mercadorias (Medway e Takargo) marcaram presença na plateia e deixaram também o seu ponto de vista.



Ora, na sua intervenção, Carlos Vasconcelos aproveitou um dos pontos críticos focados por Carlos Fernandes na sua apresentação – a necessidade de aumentar a capacidade da Linha do Norte, que já tem alguns troços muito perto da sua capacidade máxima – para adiantar que essas limitações já estão a colocar entraves à expansão da própria Medway.

«Os projectos que temos para aumentar o número de comboios já se encontram limitados pela falta de capacidade na Linha do Norte», admitiu o responsável da Medway.

«Bons terminais de transbordo» resolvem questão da bitola

Também na sua intervenção, Carlos Vasconcelos deixou ainda a opinião enquanto operador sobre o tema da mudança de bitola. E admite que, do ponto de vista das mercadorias, isso «não é um problema».

«A bitola não é um problema para a circulação das mercadorias, hoje só 4% das mercadorias feitas entre Portugal e Espanha são por ferrovia e a bitola é a mesma», recorda, acrescentando que «com bons terminais de transbordo, consegue-se uma eficiência extraordinária».

«Com muitos menos milhões constroem-se bons terminais de transbordo», defendeu ainda o responsável da Medway, dando o exemplo marítimo que bem conhece: «A grande maioria dos contentores que anda no mar tem transbordo e não é pelo transbordo que deixa de ser competitivo».

«O custo da mudança de bitola e os custos para os operadores na mudança do material circulante não se justifica», concluiu Carlos Vasconcelos.

Carlos Fernandes vê diferentes impactos nos custos de transbordo, consoante o destino

Ora, sobre a intervenção de Carlos Vasconcelos, o vice-presidente da IP respondeu admitindo que «o transbordo pode não ter custos elevados para transportes para países como a Alemanha» mas que essa realidade pode ser diferente em distâncias mais curtas, nomeadamente nos transportes entre Portugal e Espanha. «Para transportes entre Portugal e Espanha se calhar tem [impacto nos custos], caso Espanha avance com a bitola europeia», defendeu.

Um dos exemplos que acabou por ser levado a debate diz respeito à ligação ferroviária entre a China e o centro da Europa, no âmbito da iniciativa Belt and Road – que vem ganhando cada vez mais serviços e mais carga. Ora, Carlos Fernandes salienta que essa é mais uma demonstração de que o transbordo não tem que ser impeditivo do transporte ferroviário de mercadorias, até porque num percurso completo nesse trajecto terão de ser sempre feitas, pelo menos, duas operações de transbordo: uma primeira, da bitola chinesa – que é a europeia – para a bitola russa; uma segunda, da bitola russa novamente para a bitola europeia.

«Comboio da DB Schenker foi boicotado pelos franceses»

Outro caso concreto que demonstra que é possível fazer comboios competitivos com transbordo é bem mais familiar para os portugueses. O vice-presidente da IP lembrou a ligação ferroviária directa entre Portugal e a Alemanha, promovida pela DB Schenker, que teve sucesso a ponto de se lançar uma segunda ligação semanal, mas que acabou por não resultar – não por uma questão de bitola/necessidade de transbordo mas sim por problemas em atravessar França.

«O comboio da DB Schenker foi boicotado pela França, que não queria que a alemã DB fizesse comboios dentro de França», referiu Carlos Fernandes. Recorde-se que o serviço era feito em Portugal pela antiga CP Carga, em Espanha pela Renfe e a partir da fronteira da Espanha com a França era feito pela alemã DB – algo que na opinião de Carlos Fernandes não agradou à francesa SNCF.

Leia também: Carlos Fernandes (IP) antecipa o futuro da ferrovia em Portugal



Leave a comment

Back to Top

Powered by MAEIL
Partilhar
Partilhar