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Carlos Vasconcelos no Congresso ADFERSIT: «Não é por causa da bitola que a ferrovia não é competitiva»

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O Congresso da ADFERSIT arrancou esta Terça-feira: um dos painéis em destaque debateu os desafios da ferrovia no contexto da interoperabilidade. O debate, subjugado ao tema ‘A interoperabilidade ibérica e europeia. O Corredor Atlântico’, contou com a intervenção de Carlos Vasconcelos, administrador da Medway, e com contributos de José Couto (CIP), Filipe Costa (Aicep), José Ramalho (Thales), José António Barros (AEP) e Ernesto Martins de Brito (antigo presidente da CP). Para o representante da Medway, a bitola não é um entrave à competitividade do sector.

Primordial: baixar o custo unitário do transporte de cargas

Carlos Vasconcelos começou por centrar o debate numa questão que, no seu prisma, é a primordial: O que é que a economia nacional exportadora, pretende? «Ia centrar-me no cerne da questão que deveria nortear todas as nossas discussões: o que é que a economia nacional exportadora, pretende? Baixar o custo unitário do transporte das mercadorias para a Europa, que é o nosso principal parceiro. Toda a estratégia deve ser baixar o custo unitário do transporte, e penso que aqui estamos todos de acordo. A questão que coloco, e que penso ser o caminho a seguir: o que é preciso fazer para baixar este custo? Quais são os constrangimentos que existem hoje que impedem que a ferrovia seja competitiva?, enquadrou.

«A ferrovia tem, na Península Ibérica, uma quota de mercado entre os 6% a 8%. Qual o problema? É que a ferrovia não consegue competir com a rodovia, porque tem um conjunto de constrangimentos que impede que assim seja, nomeadamente, e esta é uma questão principal: não consegue fazer comboios de 750 metros», explicou, frisando que esta se encontra «reduzida, em muitos troços, a comboios de 400 metros». Assim, vincou, «não é preciso ser iluminado em economia para perceber que isto afecta a competitividade», prosseguiu a argumentação.

«Em segundo lugar, porque não temos as linhas totalmente electrificadas. A ferrovia é forçada a recorrer ao carvão, com todos os inconvenientes ambientais que daí advêm, mas também com uma energia que custa 2,5 a 3 vezes mais do que a energia eléctrica.Por outro lado, existem outras restrições, relacionadas com o sistema de controlo de tráfego, que não é único a nível ibérico nem europeu. Outra questão, relativa às velocidades médias: muitos troços obrigam a circular em velocidades reduzidas», esclareceu. Em súmula: «Todos estes constrangimentos impedem que a ferrovia seja competitiva e possa oferecer à indústria exportadora soluções competitivas que seja mais competitivas que a rodovia. Eliminar estes constrangimentos deve ser o centro do nosso ponto de vista. Eliminando estas restrições, a competitiva conseguirá ser competitiva», salientou.

Bitola é entrave à evolução competitiva? Não. E Carlos Vasconcelos deu exemplos

Será a bitola o entrave à evolução do sector? «Não é por causa da bitola que a ferrovia não é competitiva. Cito apenas três exemplos: na Península Ibérica, a quota de mercado, como disse, é de 6% a 8% e a bitola é…a mesma. Se a bitola fosse um problema, a ferrovia teria uma quota de mercado muito maior e seria competitiva. E não consegue; o comboio da China chega a atravessar quatro bitolas antes de chegar a Espanha e são competitivos e funcionam; durante algum tempo, houve um comboio entre Portugal e Alemanha chamado ‘Comboio Autoeuropa’ que funcionava muito bem e era competitivo. Não há competitividade por causa de problemas como a falta de comboios de 750 metros, de electrificação, pendentes, resguardos para cruzamentos e sistema de controlo de tráfego. Obviamente que se tivéssemos a bitola europeia em Portugal seria, para nós, ouro sobre azul», disse.

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