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Carlos Vasconcelos: Portos devem ser «ibéricos» e alargar a sua «área de influência nacional»

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Carlos Vasconcelos foi uma das figuras de destaque no webinar ‘A Logística e os Portos enquanto “nós” da Intermodalidade’, realizado pela associação ADFERSIT no passado dia 16 de Setembro – o administrador da Medway analisou os princípios que devem nortear a ambição dos portos portugueses e abordou também o papel da ferrovia na evolução do contexto portuário e logístico integrado.

Para o especialista ferroviário, pensar os portos exige, antes de mais, colocar a questão mais óbvia, mas quase sempre, a mais difícil de responder: «O que é que nós queremos dos Portos?». «Para qualquer tomada de decisão, para sabermos para onde queremos caminhar, temos pensar o que queremos dos portos. Todos queremos que sejam portos ibéricos, que não se restrinjam a serem nacionais – até hoje não foi possível concretizar de uma forma significativa, apesar de, pontualmente, se conseguir fazer alguma coisa», introduziu o responsável da Medway.

«Ferrovia adequada» é «fundamental» para a ambição expansionista portuária

programa«Devemos focar-nos na relocalização da indústria, numa certa reindustrialização do país, como aliás o programa que o professor Costa e Silva apresentou aponta enquanto um dos caminhos a seguir. Se queremos mais negócios nos portos, estes devem ter uma mentalidade focada no negócio e deixar de serem meros gestores de infra-estrutura e de congregar parceiros. Têm de procurar negócios, trazer indústria, seja montagem, seja de fabrico, todo esse género de indústria, principalmente virada para a vertente de exportação. Em simultâneo, deverão procurar expandir o seu hinterland, procurar que se tornem portos ibéricos e ao mesmo tempo alargar a área de influência nacional», prosseguiu.

Neste contexto, frisou, «a ferrovia é fundamental. Não podemos ficar agarrados exclusivamente ao camião, não só porque as distâncias não o aconselham como por todos outros factores, ambientais e de congestionamento». O que falta, então, para que a ferrovia possa fomentar o progresso portuário? «O que é necessário para que a ferrovia possa ser um aliado, uma ferramenta que permite a expansão do hinterland portuária? Basicamente, tem de ser competitiva e eficiente. Para ser eficiente necessita de algo que, neste momento, é precisamente o seu grande travão: uma rede que permite fazer comboios rápidos, ao máximo da velocidade de segurança, com comprimentos de 750 metros, podendo circular sem restrições e entrando em Espanha, para oferecer soluções competitivas em termos de custos, para as mercadorias», declarou Carlos Vasconcelos.

Potencial é «extraordinário» mas há muito trabalho a fazer

O responsável da Medway deixou, no entanto, um aviso à navegação: «Enquanto Portugal não tiver uma ferrovia preparada e adequada para este desígnio, jamais a esta poderá ser um instrumento de expansão dos portos nacionais. A ferrovia hoje faz qualquer coisa, os portos são origem e destino principal daquilo que a Medway movimenta, mas o potencial daquilo que poderíamos fazer é extraordinário. Há mercado para crescer». Exemplo disso é o aumento dos comboios no serviço de Sevilha, lançado pela empresa ferroviária no ano passado. «O ano passado iniciámos o serviço de Sevilha, já estamos com sete comboios semanais, a previsão é para aumentar», adiantou Carlos Vasconcelos.

Porto de Sines«Para que se perceba: a MSC escalava o Porto de Cádiz – deixou de o fazer e transferiu as cargas para o Porto de Sines. Isto pode replicar-se em todos os portos. É possível fazer. Tenho esperanças de que em 2022 já estejamos a ligar Sines a Madrid, e quem diz Sines diz também Setúbal. Lisboa, tenho as minhas dúvidas, é possível, dada a permanente conflitualidade, a tendência que, infelizmente, assistimos, é a saída da carga de Lisboa para Setúbal, Sines e Leixões», comentou ainda, defendendo que «os portos devem competir entre si» no contexto do hinterland nacional.

«Em resumo: queremos portos com hinterlands mais vastos, mais competitivos, precisamos de atrair indústria para esses portos. E, para expandir o hinterland, precisamos de uma boa ferrovia, sem excluir, claro, a complementaridade com a rodovia» – esta é a receita para sermos a «frente atlântica para toda a península», vincou. «Para lá dos Pirenéus, não vale a pena pensar, são quimeras», rematou Carlos Vasconcelos, salientando o «enorme potencial» de Portugal no panorama do «transshipment, já explorado em Sines e com um potencial de crescimento extraordinário».

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