Christian Blauert (CEO Yilport) sobre Portugal: «Vemos potencial neste mercado»

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Durante a sua intervenção, subjugada ao tema ‘World trade and shipping: Portugal’s potential’, Christian Blauert, CEO da Yilport, analisou o contexto internacional do shipping e, apesar de frisar a perspectiva ibérica das operações da empresa turca, não se coibiu de mergulhar em águas lusas, abordando também a vertente do hinterland.



Consolidação global levou a «margens mais diminutas» para todos os terminais, explicou Christian Blauert

«Estamos confiantes de que o nosso negócio crescerá, manter-nos-emos firmes. O shipping é deveras importante, isso é indubitável», afirmou, lembrando, no entanto, que a conjectura macro-económica alterou-se bastante durante a crise internacional, conduzindo ao refreamento: «A situação mudou drasticamente para nós. Agora estamos novamente a crescer, mas um crescimento mais maturado, mais normal, entre 2% a 5%, o que acaba por ser positivo para nós pois dá-nos a possibilidade de acompanhamento, ao invés de ficarmos sobrecarregados com margens excessivas», explicou à plateia.

«Temos presenciado uma forte consolidação, vem acontecendo globalmente, companhias marítimas comprando-se umas às outras – teve efeito em nós, naturalmente. Também assistimos a essa consolidação aqui, em estilo diferente, aqui também existe forte propensão para o short sea. Significa muito negócio. Claro que tudo isto nos afecta de modo imediato: a grande operadora marítima que adquire outra menor logo nos pergunta se podemos dar-lhe o desconto global também, portanto, estamos a enfrentar margens mais diminutas. Isto não acontece apenas a nós, mas a todos os operadores portuários e a todos os terminais», dissertou.

Adaptação a Portugal foi desafio, mas o CEO da Yilport deixou a garantia: «Vemos potencial neste mercado»

«Para nós não foi fácil entrarmos em Portugal pois trata-se de um meio único, com uma estrutura portuária singular e de sinergias entre portos. Tivemos que nos adaptar a isso. Vemos potencial neste mercado», afirmou Blauert, mostrando-se atento a todas as variáveis passíveis de afectar o sistema portuário luso: «Estamos atentos ao pós-Brexit, devido às questões do short sea, já que existe actualmente um significativo comércio entre Portugal e o Reino Unido e precisamos de estar atentos ao que acontecerá», avisou.

Numa perspectiva integrada, o CEO da empresa turca debruçou-se também sobre a ferrovia: «Denotamos alguma dificuldade logística em termos de hinterland, especialmente em termos ferroviários» uma vez que «que o mercado não é tão acessível e aberto» mas é «importante para nós. «Temos de nos focar nisto, pois a ferrovia é uma das mais importantes formas de trazer a mercadoria para aqui», alertou.

«Discussão social vem dificultando o nosso desenvolvimento», afirmou Christian Blauert

Dois dias antes da manifestação dos estivadores afectos ao SEAL, o CEO da Yilport abordava também a situação de impasse despoletada pelas críticas do sindicato e que tem vindo a afectar, principalmente, o Porto de Lisboa: «Existe uma forte discussão, que, no nosso prisma, tomou conta do negócio. Estamos a falar com o Governo e com as administrações portuárias, no sentido de percebermos como enfrentar isto, de que forma poderemos dar um passo adiante. Trata-se de uma discussão social que vem dificultando o nosso desenvolvimento, especialmente aqui, em Lisboa», esclareceu.

Respostas simples não haverá – mas grande parte da solução passará por apostar na eficiência dos processos e na concentração devotada aos interesses das cargas: «O que temos de fazer é focarmo-nos na companhia marítima e no proprietário da carga, temos de elevar a fiabilidade e eficiência das operações», uma vez que a cada anúncio de greve, explicou, os clientes dizem: «Não podemos ir a Lisboa, é demasiado dispendioso».

«O ano passado conseguimos trazer novas linhas (inclusivamente uma proveniente dos EUA), para Lisboa, mas, assim, esta companhia imediatamente nos voltou as costas. Penso que isto é mau, teremos que trabalhar este aspecto», completou Christian Blauert, fechando assim o dossier das greves.

Filosofia de colaboração porto-hinterland e o potencial dos portos de Aveiro, Foz, Lisboa e Leixões

A visão integradora preconizada pela Yilport ficou patente também na motivação de «colaboração porto-hinterland»: «temos programas de expansão para desenvolver a nossa estrutura de serviços aqui no hinterland, trazendo também a componente logística», explicou, voltando a reforçar a perspectiva ibérica. A intenção para os portos continua a ser a de «melhorar e desenvolver» o seu potencial, existindo planos de expansão para Lisboa e Leixões, mas não só -«Também vemos potencial para investimento em Aveiro e na Porto da Figueira da Foz, temos algumas ideias para desenvolver», desvendou.

«Planeamento centralizado e uma supervisão dos trabalhos nos portos»

Blauert revelou ainda que prosseguem actualmente planos para a construção de um centro logístico global – «uma das nossas filosofias operacionais é a centralização do planeamento, distribuição, controlo e supervisão do trabalho nos terminais» – a ideia é transplantar, para a região ibérica, o método instalado já na Turquia: «Queremos fazer o mesmo aqui», revelou. «O objectivo é o de termos um planeamento centralizado e uma supervisão dos trabalhos nos portos portugueses» afectos à Yilport.



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