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Encomendas da CMA CGM colocam equilíbrio da indústria em segundo plano, diz Drewry

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A mais que provável encomenda de nove ULCV’s (Ultra large container vessel) por parte da companhia francesa CMA CGM surpreendeu a indústria do transporte contentorizado, por contrariar a tendência do refreamento do excesso da oferta, uma das principais causas da guerra de preços no frete e da estagnação do mercado em 2016. Consciente do desequilíbrio, a indústria empreendeu esforços colectivos para reduzir a frota inactiva, mas, ao que tudo indica, essa nova homeostase está prestes a ruir. O caso da CMA CGM poderá tornar-se preocupante, avisa a consultora Drewry.

CMA CGM poderá quebrar disciplina que tanto trabalho deu à indústria

A frota inactiva encontra-se actualmente no valor mais baixo dos últimos dois anos (situando-se nos 490 mil TEU) mas tudo poderá mudar rapidamente: novas encomendas estão a caminho e a mais simbólica (e pesada) de todas parece mesmo estar prestes a confirmar-se. Como havíamos noticiado, a CMA CGM prepara-se para encomendar seis novos porta-contentores (com opção de três adicionais) que se tornarão nos maiores do mercado, cada um com 22.000 TEU, segundo adiantou a Lloyd’s List, assim ultrapassando o recorde de 21.413 TEU, fixando já este ano pela companhia OOCL.

O previsível aumento da tonelagem nos mares deverá interromper a disciplina imposta pelas operadoras durante os últimos meses, como resposta ao volátil mercado e às extremas dificuldades que assolaram muitas companhias durante 2016. Dado o crónico excesso de capacidade, o que terá levado a CMA CGM a encomendar nove ULCV’s, arriscando perturbar a harmonia que tanto trabalho deu a estabelecer? «As operadoras traçam estratégias e investimentos para si mesmos; o potencial impacto na globalidade da indústria é uma consideração secundária», analisou, à luz dessa pergunta, a Drewry.

Decisão da CMA CGM coloca estabilidade da indústria em segundo plano

«No ponto de vista da CMA CGM, está perante uma despromoção no ‘ranking’ das operadoras, dada a fusão da COSCO e da OOCL», explicou a consultora, acrescentando, ao leque de razões, o facto das construtoras navais chinesas, japonesas e coreanas terem oferecido preços competitivos (mais baratos), estimulando ainda mais o objectivo da transportadora francesa. «Quais os danos que estes navios terão no equilíbrio entre oferta e procura? Isso dependerá das condições na altura da entrega», analisa ainda a Drewry, apontando para 2019 como o ano da chegada dos ULCV’s encomendados.

Para a consultora britânica, o acto da Drewry poderá despoletar uma corrida aos TEU’s por parte da concorrência, num efeito de arrastamento que poderá prejudicar o equilíbrio da oferta-procura, as taxas do frete e a correlação de forças no ‘ranking’ das operadoras. «Nenhum operadora age numa bolha, e, se este pedido se concretizar, poderá haver custos escondidos que tanto a CMA CGM e seus seguidores terão de suportar». A finalizar, a consultora foi peremptória ao julgar a decisão da empresa: «Na perspectiva da indústria, não há razões para acrescentar estes navios aos nossos oceanos já sobre-lotados».

 

 

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