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Congresso APAT na calha: António Nabo Martins fez a antevisão para a Revista Cargo

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O Congresso da APAT está a poucos dias de distância e a Revista Cargo chegou à conversa do com presidente executivo da associação nacional de transitários, António Nabo Martins, para alguns prognósticos sobre o evento, que ocorrerá nos dias 29 e 30 de Outubro. Quais os temas em debate, as metas e as visões para o futuro – são alguns dos tópicos abordados nesta entrevista, na antecâmara do 18º Congresso APAT.

O congresso da APAT está à porta: quais serão os temas incontornáveis que vão marcar a agenda deste evento? E quais aqueles que mais vêm impactando a actividade transitária em Portugal?

O tema principal e incontornável, tal como o titulo do Congresso indicia é a Disrupção do Sistema Logístico. Estamos assistir a uma catadupa de ‘coincidências’, todas de sinal menos. Desde a falta de contentores, falta de navios, incremento escandaloso do preço dos fretes, alguma concorrência desleal, a integração vertical, a falta de confiança e de confiabilidade nos prazos, as plataformas tecnológicas e os chamados “Transitários” digitais, o fecho de fabricas e portos na china, congestionamento brutais nos vários portos americanos e chineses, a falta de motoristas, os elevados preços da energia e dos combustíveis e ainda, que agora até parece menos importante, o Brexit.

Depois associado a esta equação, com todas as parcelas de sinal menos, ainda temos de perceber que caminhos vamos seguir nas novas concepções do trabalho, na digitalização, na transição digital e energética de todo este processo logístico assim como perceber como a inteligência artificial se vai articular com a inteligência emocional e que recursos humanos vamos ter de, ou querer ter. Vamos ter três mesas redondas – Resiliência da Cadeia Logística – Emergência da Relação Logística e Tecnologia e – Inovação na Relação das Pessoas com a ‘Nova’ Logística, onde julgamos ter reunido alguns dos melhores especialistas nacionais, que nos ajudarão a perceber melhor e quiçá antever algum do futuro que nos espera.

A resiliência das cadeias de abastecimento é tema de fundo deste congresso – de que forma pode, este evento, ajudar a desenvolver uma reflexão e debate sobre novas formas de encarar o futuro da Logística?

António Nabo Martins APATJulgamos que o ideal era conseguir antever o futuro. Sabemos que isso não é possível, pelo menos com 100% de certeza. Já em 2019, no 17º Congresso, fomos capazes de antecipar o tema das parcerias colaborativas e de alguma forma, a necessidade de mais economia circular na área dos transportes, agora pretendemos avançar em temas que entendemos poderem vir a ser relevantes para o sector e para a nossa actividade.

Actualmente assistimos a uma aparente ‘concorrência desleal’ que pode alterar ainda mais significativamente a disrupção TOTAL do comércio internacional tal como o conhecemos, pelo que importa reflectir como vão as empresas transitárias conseguir competir com os grandes armadores mundiais que começam a investir muito na “integração vertical”, ou será que esta cadeia logística tal como a conhecemos, com alguma estabilidade, vai passar ser a disrupção em permanência? São estes desafios que se pretendem ultrapassar com mais informatização, mas igualmente com recursos humanos mais habilitados e em Formação permanente.

As revoluções que vão advir do ‘EU Green Deal – Fit for 55 Package‘ em que a UE estabeleceu a meta vinculativa de alcançar a neutralidade climática até 2050, diminuindo os níveis das emissões de gases com efeito de estufa, é mais uma grande transformação e vai contribuir, seguramente para mais alterações neste sector de actividade. Aparentemente, a problemática da Logística, deixará de ser a previsibilidade da cadeia, ainda que a do consumo se mantenha, para passar a ser a imprevisibilidade. Todos os dias serão diferentes e todos os dias haverão razões diferentes para existir essa imprevisibilidade, ou por pandemias, incidentes naturais, preço dos combustíveis, por questões ambientais, falta de mão-de-obra qualificada, etc.

Quando se fala em Futuro, fala-se na transformação da forma como as pessoas lidam com as tecnologias e se relacionam com as inovações – considera a digitalização um dos maiores de sempre dos desafios dos transitários?

Hoje, mudou tudo e realmente mudou muita coisa. Mudou tudo quando tudo parou e notaram-se ligeiras alterações quando voltámos a alguma normalidade, mas provavelmente não vai mudar nada, a não ser o custo, quando voltarmos à completa normalidade, porque, entretanto, muita coisa mudou. O que mudou seriamente foi o modo como agora compramos, consumimos e até o que agora consumimos mais. Esta alteração de comportamentos veio a impactar nos transportes e logística e foi a digitalização que veio provocar esta grande mudança.

Não podemos negar que estamos a passar por momentos disruptivos alarmantes, ou seja depois de assistirmos a uma mudança mais rápida na transição digital de procedimentos e na circulação de documentos com os grandes players a investirem nestas novas formas de ‘trabalho’ com maiores necessidades de Formação para os seus quadros de modo a capacitá-los para estas novas metodologias com a necessidade de diminuir as emissões de CO2 em que assistimos a grandes desenvolvimentos e investimentos nesta área dos transportes, sendo expectável a assunção da necessidade de se aplicarem taxas ou até impostos aos mais poluidores, tudo acontece muito depressa e para agravar não é um único desafio. São imensos aos quais temos de dar respostas eficientes e eficazes, mas ao mesmo tempo rápidas e assertivas.

Honestamente, todas estas mudanças vão impactar nas nossas empresas e podem ser vistas como assustadoras. Quando trocamos de casa ou emprego, quando mudamos hábitos ou rotinas, muitas das reacções não são positivas. Por isso temos de estar mais bem preparados, de forma que se torne mais fácil continuar em frente sem perder o ‘racional’.

Este congresso poderá, também, ser um marco no retorno à normalidade pós-COVID?

vacinasNunca como hoje foi tão importante estar juntos, pois actualmente assistimos a uma significativa disrupção TOTAL do comercio internacional tal como o conhecemos, pelo que importa lutar com todas as nossas armas, nomeadamente com os gigantes mundiais que começam a investir muito na nossa actividade. A APAT pretende ser uma associação empresarial de elevada notoriedade, reconhecida pela dinâmica e credibilidade, e determinante na transformação do sector, tornando a actividade Transitária mais atractiva, competitiva e socialmente florescente e não apenas empresas que têm umas plataformas digitais onde se reservam serviços.

Uma questão que se coloca ao mundo inteiro é o que vai ser voltar ao normal no Pós-Covid. Entendemos que temos muito que reflectir no sentido de perceber o que se passou e o que fizemos, enquanto mundo, para ultrapassar. Aparentemente a melhor forma de ultrapassar, pensamos nós na APAT, é que temos de congregar esforços e ideais para nos desenvolvermos e crescermos e, assim acrescentar valor a todas as nossas decisões, métodos, formas e concomitantemente a todos os nossos associados.

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