Congresso APLOG: Nuno Ramalho (Rangel) apresentou caso prático na área do transporte de medicamentos

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O 21º Congresso da APLOG ainda em revista, claro, na Revista Cargo: desta vez trazemos-lhe até si a intervenção de Nuno Ramalho, Director Executivo da Rangel Invest, sobre um caso prático que criou dificuldades à companhia mas que foi devidamente superado – o testemunho do especialista, no âmbito do painel ‘Operadores Logísticos 4.0’, descreveu, detalhadamente, a evolução do processo.

«O caso prático que eu e a minha equipa desenvolvemos na Rangel, que é um exemplo na área da cadeia de frio de medicamentos, refere-se à preservação das condições de armazenamento e transporte, falamos de dois tipos: conservação e manutenção entre 15-25ºC e na cadeia de frio mais exigente, de 2-8ºC», introduziu Nuno Ramalho, depois do discurso inicial de Luís Marques, da Rangel Logistics Solutions.

«Estamos a falar de medicamentos de componente biológica, que afectam as terapias, e um desvio de temperatura pode fazer com que o medicamento não tenha efeito num paciente de oncologia, ou de diabetes – é um tema muito sensível, além de ser um tema muito regulamentar», explicou, enquadrando assim a problemática e lançando as bases para a explanação da solução encontrada pela Rangel.

Dos sistemas passivos para os activos: o desafio da mudança

«No passado, como era isto resolvido? Com os chamados sistemas passivos, como a caixa de frio ou caixa isotérmica. São sistemas extremamente complexos», constatou, lembrando que «a montagem das caixas», a sua robustez e os preços praticados, tudo isso aliado ao facto do sistema não ser «nada amigo do ambiente», empurrou a sua equipa para a busca de uma outra solução para o transporte e controlo da temperatura dos medicamentos.

Debruçando-se sobre a monitorização da temperatura, Nuno Ramalho afirmou: «Existem sistemas autónomos de medição da temperatura, uma logística dentro da logística», complexa e intrincada. «Carregar data loggers, devolvê-los à origem. É um pesadelo», atirou. «É um tema que lançou a discussão sobre se estes são, de facto, a melhor opção. E nós na Rangel fomos confrontados com isso», definindo assim o primeiro passo para a mudança.

«Sabíamos que iria haver uma mudança, uma convergência para os sistemas activos: carros, camiões, viaturas. E nós resistimos alguns meses porque não acreditámos nesse sistema», em parte, justificou, pelo facto de poderem existir vários desvios de temperatura sempre que uma porta da viatura se abrisse. «Desenvolvemos uma solução que nos garantisse autonomia», disse, passando, de seguida, a explicitar os vectores da «Indústria 4.0».

Rangel encontrou «equipamento inovador» capaz de produzir frio «autonomamente», relatou Nuno Ramalho

«Quando falamos de indústria 4.0 falamos de 3 coisas: equipamentos autónomos com base computacional (tomam decisões, recolhem dados, processam dados), IoT (sensorização) e, por fim, comunicação em rede em cloud. Estes são os três conceitos», explicou, revelando, na sequência a solução da Rangel: «Encontrámos este equipamento que é, por si, inovador: produz frio autonomamente (através da reacção de dois químicos) e tem muitas vantagens operacionais e do próprio sistema de armazenamento em si. E tem um identificador único que está, de forma nativa, no equipamento», disse.

Soluções intrincadas para um problema complexo de integração: «IoT não é mero Plug and Play», lembrou o especialista

«Mas pensámos: «Como colocamos isto a comunicar? Como integramos isto no nosso sistema?», perguntou o especialista, lembrando que «a IoT não é mero Plug and Play»: «Portanto, tínhamos um problema de integração, de dimensão e de energia. Tivemos de desenvolver um sistema, um sensor, que foi buscar energia ao equipamento original e que comunicava numa base de dados compatível com a nossa plataforma, portanto, a informação estaria disponível na nossa plataforma online», solução final? Ainda não.

Inteligência artificial: a algoritmia que destrinça a Data que realmente interessa

«Havia outra questão: isto tem de estar sempre a comunicar. Tem de funcionar autonomamente (o e-cooler), de caminhar e comunicar com o meio ambiente e transmitir informação», explicou ainda. «Feitas as contas, isto gera 1 milhão de registos por dia. É muito dado, é impossível alguém tratar isto, estamos a falar de algoritmia pura», necessária para, «no meio de 1 milhão de registo, apanhar o alarme verdadeiro».

«É aqui que entra a Inteligência Artificial nos conceitos de logística: que, no fundo, é a algoritmia. É pegar num conjunto de dados e conseguir enviar um e-mail que é realmente um alarme. E neste caso, isto gera muitos falsos alarmes. É preciso ver a porta que se abre, a recorrência do alarme, se é legítimo ou não», finalizou, arrancando aplausos à plateia pela eloquência da descrição do caso prático.

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