Costa Faria (GEFCO): «Big Data tem grande potencial de expansão na Logística»

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No recente VI Seminário de Boas Práticas Colaborativas da GS1 Portugal, José Costa Faria (Sales and Marketing Director da GEFCO) abordou as novas tendências da Logística e Supply Chain, com o foco em temas quentes como o Big Data, Inteligência Artificial, Drones, Impressão 3D, Análise Preditiva ou Internet das Coisas (IoT).



José Costa Faria GEFCOCosta Faria começou por salienta que «a esmagadora maioria da tecnologia já existe, mas é preciso que não se cometam os erros agora no 4.0 que se cometeram no início dos anos 2000, com a bolha dotcom». Porém, recusa cenários demasiado drásticos: «Não deixará de haver armazéns, por mais bits e bytes que se coloquem pelo meio».

O responsável da GEFCO lembra que as tendências estão mais presentes do que nunca e que são cada vez mais os actores a introduzir mudanças no mercado, lembrando o exemplo da Amazon que começou com a ambição de ter «activo zero» mas que «é hoje também um grande operador logístico».

Robôs invadem os armazéns de e-commerce

Ainda dentro dos armazéns, Costa Faria deu exemplos de novas soluções que já estão a ser aplicadas, como é o caso dos Cobots – robôs que colaboram com humanos e interagem com eles, que são máquinas multi-tarefas, preparadas para repetição de tarefas rotineiras e que auto-aprendem e são altamente flexíveis.

Uns dos grandes impulsionadores da robotização nos armazéns são os players do e-commerce, recorda Costa Faria, dando o exemplo da Amazon que, há alguns anos, «pagou 775 milhões de dólares pela Kiva Systems», operando hoje «com 80 mil robôs» nos seus armazéns – algo que, na opinião do responsável da GEFCO, «revolucionou completamente os armazéns de e-commerce».

«São os robôs que trazem ao operador as prateleiras com os produtos e o operador escolhe o item. Inverteu-se completamente a forma de trabalhar, as pessoas não se movimentam, é o produto que vem ter com elas», vinca Costa Faria, acrescentando que també mudou o layout dos armazéns, onde antes se procurava mais e mais altura mas hoje quase não têm altura.

A robótica para vestir (os chamados exoesqueletos) ou a realidade aumentada através de óculos inteligentes foram outras duas ferramentas realçadas pelo especialista.

«Já existem drones a revolucionar a Logística», lembra Costa Faria

No tema da Logística 4.0, os drones não poderiam ficar de fora. Embora admita que ainda «há questões de segurança importantíssimas para resolver», o Sales and Marketing Director da GEFCO lembrou que «já existem drones a revolucionar a Logística, só não fazem ainda entregas em Lisboa».

Entre as aplicações em que os drones já ganharam relevo na Supply Chain estão os drones que fazem inventários. «A Walmart, por exemplo, já faz inventários nos EUA com drones, uma solução mais rápida, mais barata e mais fiável», recorda.

Impressão 3D e os seus impactos na Logística

Outra tecnologia que promete revolucionar o sector da Logística e do Supply Chain é a impressão 3D. Costa Faria admite que esta ««é uma tecnologia que tem ainda que fazer o seu caminho», ressalvando que «a disrupção já está a acontecer em aplicações muito específicas».

«Quando as impressoras 3D forem mais baratas e quando for possível produzir mais tipos de produtos, o impacto na Logística será brutal», antecipa, mostrando-se convicto de que «nos próximos cinco a dez anos, a impressão 3D vai evoluir muito».

Distribuição: quando a evolução nos faz recuperar práticas do passado

dhl bike 'GoGreen'Voltando o foco para a área da distribuição, o responsável da GEFCO começou por considerar de certa forma fascinante a forma como há evoluções que nos fazem recuperar práticas do passado. «Há momentos em que evoluímos para uma espécie de regresso ao passado, estamos a fazer cada vez mais entregas em pequenos veículos, a bicicleta e a pé», recorda.

«Temos uma grande procura por garagens e pequenos centros de distribuição nas cidades dos EUA ou em Londres, a partir dos quais se fazem entregas de bicicleta ou a pé», recorda Costa Faria, admitindo que estas práticas lhe recordam os marçanos que se viam há algumas décadas pelas ruas de Lisboa.

Outro ‘regresso’ ao passado que se vem assistindo está relacionado com as estimativas de procura do mercado, que fazem com que os operadores transportem produtos que ainda nem estão vendidos. «A Amazon já transporta hoje produtos para o centro das cidades que ainda não foram comprados, analisando as previsões de vendas de um produto num determinado local e carregando-o com base em estimativas de compra. Isto permite que o produto seja entregue no próprio dia e se calhar na hora seguinte», realça.

Veículos autónomos «estão aí e vieram para ficar»

camião autónomo mercedesOs veículos autónomos são outro dos temas quentes da Logística 4.0. Costa Faria recusa visões moderadas em relação a este ponto, salientando que estes «já estão aí e vieram para ficar», dando o exemplo das minas onde há veículos autónomos a operar há vários anos.

Ainda assim, em matéria de transporte e distribuição, o responsável da GEFCO admite que levará o seu tempo, em particular na Europa: «Vai acontecer primeiro nos Estados Unidos do que na Europa, sobretudo devido à regulamentação laboral».

E recorda também que a Uber já comprou a Otto, considerando a chegada dos autónomos uma «questão de tempo».

Big Data: «A informação já existe hoje, mas ainda não é trabalhada»

A terminar a sua intervenção, Costa Faria falou de Big Data e dos seus impactos na Logística. E, aqui, não tem dúvidas: «Se há área em que a Big Data tem grande potencial de expansão, é na Logística». O representante da GEFCO admite, inclusive, que «a informação já existe hoje, mas ainda não é trabalhada».

Novas tecnologias exigem novas skills; o grande desafio liderança

Novas ferramentas e novas tecnologias exigem novos procedimentos e pessoas preparadas para esse trabalho. Este foi o alerta final de Costa Faria, lembrando que «as ferramentas técnicas e os algoritmos precisam de competências diferentes das que hoje temos na área do Supply Chain».

«Exigem-se novas competências técnicas, skills diferentes nas equipas de Supply Chain», defendeu, acrescentando que os cargos de liderança também são cada vez mais exigentes: não só pela entrada do paradigma 4.0 mas também porque os líderes têm hoje equipas compostas, muitas vezes, por três gerações diferentes, com diferentes ambições profissionais e pessoais, diferentes skills, diferentes personalidades, etc.



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