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Especial Revista Cargo: Porto de Leixões aposta na melhoria das acessibilidades e projecta novo terminal

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O dia 27 de Fevereiro foi um dia repleto de boas notícias para o universo portuário português: se durante a manhã a Ministra do Mar marcou presença no Porto de Viana do Castelo, para a consignação da obra de construção de novos acessos rodoviários ao Porto de Viana do Castelo e o lançamento do concurso para o aprofundamento do anteporto e do canal de acesso aos Estaleiros Navais e ao Cais do Bugio, da parte da tarde anunciou, no Terminal de Cruzeiros de Leixões, o concurso para as obras de prolongamento do quebra-mar exterior em 300 metros e de aprofundamento do canal de entrada, anteporto e bacia de rotação do porto.

Segurança e competitividade: intervenções perfazem investimento público de 147 milhões

As intervenções representam um investimento público de 147 milhões de euros até 2021 e permitirão melhorar as condições de segurança e navegabilidade da barra e viabilizar a entrada de navios de maior dimensão. O prolongamento de 300 metros no quebra-mar exterior do Porto de Leixões (que permanece inalterado desde 1940) pretende reforçar a segurança na entrada da barra, mitigando a excessiva exposição dos navios à vaga transversal – estes poderão reduzir a velocidade de entrada necessária para transpor a adversidade do mar, diminuindo significativamente o risco da manobra.

Com um alinhamento rodado 20 graus para oeste, o prolongamento do quebra-mar melhorará a operacionalidade global do porto, assegurando uma acessibilidade mais segura perante adversas condições meteo-marítimas. Simultaneamente, a dragagem do canal de entrada e da bacia de rotação – aprofundando para, respectivamente, -16,85 metros e -15,5 metros de fundos – criará condições para responder cabalmente ao constante aumento da dimensão da frota dos navios. Tido como «crítico» pela APDL para o segmento dos contentores, o investimento na melhoria das acessibilidades marítimas ao Porto de Leixões beneficiará, também segmentos de mercado como os graneis líquidos e os graneis sólidos, sobretudo os agro-alimentares, assim como o sector dos cruzeiros.

O presente investimento público, explicou a APDL, irá ser objecto de uma empreitada única, embora tenha sido submetido a diferentes candidaturas a fundos comunitários: o prolongamento do quebra-mar exterior do Porto de Leixões implica um investimento de 60 milhões de euros com uma comparticipação comunitária aprovada de 31 milhões de euros, no âmbito do COMPETE 2020, ao passo que o aprofundamento do canal de entrada e da bacia de rotação representa um investimento 87 milhões de euros com uma comparticipação comunitária de 17,4 milhões de euros.

Novo Terminal de Contentores com fundos de -14,8 metros e capacidade de movimentação de 435 mil TEU

Esta materialização da concretização da melhoria das acessibilidades ao Porto de Leixões permite a viabilização de outro projecto da APDL, que projecta a criação do Novo Terminal no Molhe Sul, com um investimento privado de 70 milhões de euros. O Novo Terminal terá fundos de -14,8 metros, uma linha de cais de 360 metros num terrapleno de 16 hectares e capacidade de movimentação de 435 mil TEU, informou a administração portuária.

O novo Terminal, em concomitância com o já anunciado investimento na Reconversão do Terminal de Contentores Sul do Porto de Leixões (uma empreitada já minuciosamente reportada pela Revista Cargo), levado a cabo pelo concessionário TCL – Terminal de Contentores de Leixões/Yilport Leixões, permitirá aumentar a capacidade de oferta deste porto no segmento de tráfego da carga contentorizada para cerca de 1,2 milhões de TEU por ano e responder à pressão da procura por navios de maior dimensão.

Ao mesmo tempo, a APDL promoverá a melhoria das condições de operação do porto de pesca do Porto de Leixões: assim, serão criados um novo entreposto frigorífico e uma nova fábrica de gelo; beneficiadas as duas pontes-cais a manter; e construída uma nova linha de cais para acostagem de embarcações de pesca. A totalidade dos projectos agora enunciados gere um valor actual líquido económico de 180,5 milhões de euros, poupanças nos custos de transporte das mercadorias ao longo da cadeia logística de 115 milhões de euros e externalidades ambientais positivas de 50 milhões de euros.

Intervenções «estratégicas, estruturantes e determinantes» para a competitividade do Porto de Leixões, afirmou Guilhermina Rego

A cerimónia, banhada por um extravagante sol de Inverno, contou com o discurso de abertura da presidente do Conselho de Administração da APDL. Para Guilhermina Rego, para o «dia especial» concretizou «aquilo com que há muito se sonhava para este porto», introduziu. «Hoje assinalamos o lançamento de obras que permitirão garantir a segurança do movimento de embarcações na entrada da barra de Leixões e permitirão também aumentar a capacidade de acolhimento de navios. São intervenções estratégicas, estruturantes e determinantes para o reforço da competitividade do Porto de Leixões e revestem-se da maior relevância face ao significativo crescimento da dimensão dos navios em todos os segmentos de mercado, à imperativa necessidade de garantir condições de segurança e ao desenvolvimento portuário no contexto das novas orientações de mercado», comentou.

«O Porto de Leixões é um grande indicador na economia nacional, e está a crescer no que é mais importante: nas exportações», acentuou Ana Paula Vitorino

Ana Paula Vitorino alinhou pelo mesmo diapasão, referindo-se ao dia 27 de Fevereiro como «um dia muito importante, não só para o Porto de Leixões como para todo o sector portuário nacional e em específico para a região noroeste peninsular». Para a líder da tutela, os desenvolvimentos anunciados «não são apenas uma boa notícia para esta comunidade, que se encontra recorrentemente neste tipo de cerimónias – são uma boa notícia para os portugueses e para o país. Hoje já é a segunda iniciativa na qual a APDL marca pontos e reforça o seu posicionamento em termos internacionais. Já hoje estivemos em Viana do Castelo», recordou.

«O Porto de Leixões não é uma infra-estrutura qualquer. É uma empresa e uma unidade de negócios que se projecta para o território e que reafirma a liderança nacional em matéria do Mar. Não vou voltar a repetir o que Leixões representa, em termos do PIB nacional, em termos de emprego directo e indirecto, em termos operacionais, e é um exemplo de sucesso, e mesmo quando as coisas correm mal noutros sítios, correm bem em Leixões. O Porto de Leixões é um grande indicador na nossa economia nacional, e está a crescer no que é mais importante: nas exportações, que são um pilar do nosso crescimento económico», afirmou a governante, deixando rasgados elogios à sobejamente conhecida fiabilidade produtiva do porto nortenho.

«A rota de crescimento do porto obriga a que perguntemos todos: e agora?»…agora, resta a ambição de «crescer de uma forma sustentável!»

Reforçando a mensagem já veiculada no passado dia 8 de Fevereiro, aquando da apresentação do investimento de 43,4 milhões de euros (por parte da turca Yilport) na reconversão do Terminal de Contentores Sul, a ministra voltou a enfatizar a necessidade da aposta em um trilho de ambição em detrimento da permanência, resignada, na zona de conforto: «A rota de crescimento do porto obriga a que perguntemos todos: e agora? Que faremos a seguir? Chegámos ao máximo ou vamos mais além? Aceitamos o desafio de ir mais além ou ficamos comodamente na nossa zona de conforto? O Porto de Leixões está a chegar a um ponto em que, ou cresce ou desaparece, enquanto infra-estrutura de primeira liga. A opção é, como não poderia deixar de ser, crescer de uma forma sustentável», vincou.

«O que estamos aqui hoje a fazer é, de facto, um culminar, um passo importante que torna irreversível algo que foi bem pensado, estruturado e que foi ajustado, repensado, tentando potenciar tudo aquilo que de bom estes projectos podem dar ao país, mitigando tudo aquilo possam ser os impactos negativos, que existem sempre. O bom projecto é aquele que maximiza os impactos positivos e minimiza os impactos negativos, como é o caso. É incontornável e imprescindível concretizarmos estes projectos», disse. «Estamos a falar de 147 milhões de euros de investimento público. Estes projectos são necessários por razões de segurança e de projecção económica. Este investimento é importante para que o Porto de Leixões possa acompanhar o crescimento das exigências internacionais e da frota internacional existente», insistiu Ana Paula Vitorino.

Só assim poderá Leixões «captar mais tráfego, proveniente dos grandes operadores de shipping internacionais, dando-lhes melhores condições e mais capacidade, caso contrário, simplesmente mudarão a sua cadeia logística para outros portos. Por isso é importante o prolongamento do molhe, é importante o aprofundamento do canal de acesso, é importante o aprofundamento da bacia de rotação, e é importante termos terminais que possam oferecer condições de acordo com as novas exigências. É por isso necessário fazer um projecto faseado para que tudo possa começar a funcionar ao mesmo tempo. A nossa expectativa é a de que o novo terminal esteja operacional ainda em 2023», adiantou, lembrando, ainda, que «o sistema portuário do Norte tem de estar coordenado, associado às grandes referências logísticas».

Leixões e Viana do Castelo: portos que se querem (cada vez mais) complementares

A governante deixou ainda uma nota sobre a transformação da perspectiva orgânica do sistema portuária da região – uma mudança que se iniciou «há cerca de dez anos atrás»: «Deixou de se encarar o Porto de Leixões como concorrente de Viana do Castelo e vice-versa, passou a ser uma coordenação. Não é uma questão de andar a roubar cargas, é uma questão de complementaridade. Neste momento, a APDL encara Viana do Castelo como um porto que tem uma forte componente industrial, que tem capacidade de localização de indústrias, vocacionadas para o sector naval e às energias renováveis oceânicas», frisou, lembrando que os investimentos planeados para o Porto de Viana do Castelo permitem «associar a Leixões uma nova possibilidade relacionada com a indústria naval» – algo que fortalece essa dinâmica de complementaridade e mutualismo, benéfica, não só para a economia regional, como para a economia nacional.

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