Revolução digital é «tsunami» que o ‘shipping’ (ainda) ignora?

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Num recente artigo publicado na revista ‘Maritime CEO’, Dagfinn Lunde, membro da direcção da empresa Maxi Shipping, abordou o tema da frenética evolução digital no âmago do transporte marítimo de mercadorias, veiculando a opinião de que os líderes da indústria estão, com a auxiliar inépcia do sector financeiro, a descurar as reais potencialidades da nova vaga tecnológica. Apesar de mediática, a revolução digital parece ter poucos reais seguidores dentro do sector marítimo, inferiu Lunde.

Transformação digital negligenciada por armadores e bancos

Com trinta anos de experiência (na indústria do transporte marítimo como no sector financeiro), Dagfinn Lunde caracterizou grande parte do sector do ‘shipping‘ como estando inconsciente quanto à importância da vigente transformação digital no mundo do transporte marítimo de carga. Traçando uma analogia com a revolução despoletada pela chegada dos contentores (há mais de meio século atrás), Lunde anteviu graves problemas para as companhias que continuem a negligenciar a onda – cada vez maior – da nova era digital.

«Demasiados armadores e financiadores têm pouco ou nenhum conhecimento daquilo que o futuro lhes reserva», abriu, assim, a sua explanação sobre o tema. «Os meios de comunicação podem estar repletos de palavras sobre a transformação que o ‘shipping‘ atravessa, mas os donos e os banqueiros estão, no essencial, a fazer orelhas moucas, algo que pode conduzi-los à falência», apontou. «Esta cegueira resistente à mudança faz-me lembrar a chegada dos contentores. Muita gente ignorou-os e, sete anos depois, estavam na bancarrota».

Investimento no futuro é demasiado cauteloso, diz Dagfinn Lunde

No seu artigo, intitulado ‘Digital Tsunami threatens to wipe out many‘, Lunde sublinha a acelerada evolução dos navios porta-contentores, explicando que muitos podem tornar-se obsoletos ainda antes de deixarem os estaleiros.  Neste contexto de rápidas transformações, vários são os investimentos em «relíquias de múltiplos milhões de dólares» que, de acordo com Lunde, rapidamente se tornarão pesadas âncoras prontas a afundar empresas e bancos: «Na última década, os bancos perderam tanta sabedoria sobre o ‘shipping‘ que não sabem distinguir elementos básicos», rematou.

Para Lunde, a digitalização da área marítima deve ser abraçada com coragem, fundos e visão de futuro: «quem terá a bravura para financiar novos conceitos?», perguntou no seu artigo de opinião, reconhecendo que a maioria das entidades financeiras e até mesmo das operadoras marítimas continuam a adoptar uma atitude extremamente cautelosa, esperando para ver – «grande parte acredita que o retorno deve ser demonstrado antes que os empresários invistam em novas e revolucionárias tecnologias». A verdade, diz Lunde, é que o ‘shipping‘ continuará, relutantemente, a correr atrás da mudança, ao invés de a acompanhar.

 

 

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