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De A a Z: recordamos os grandes temas do ano 2017!

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O ano de 2017 termina no próximo domingo. Na Revista Cargo culminamos assim mais um ano de trabalho, marcado em 2017 pela publicação de mais de 2.000 notícias e pelo lançamento de 250 Newsletters –  um número redondo, que diz respeito precisamente ao número de dias úteis do ano.

Ora, compreendendo que possa ter sido difícil para os nossos leitores a leitura de todas estas notícias e que mais difícil ainda será recordar tudo o que se passou no ano que agora termina, tomámos a liberdade de resumir 2017 num único artigo. Eis o sector dos Transportes e da Logística 2017, de “A” a “Z”:

A de Automação

O fenómeno da automação ganhou força ao longo do ano que agora termina, marcado por tecnologias que cada vez mais dispensam a intervenção humana. Os veículos rodoviários autónomos (em particular os camiões) e os navios autónomos marcaram a agenda do sector e das notícias da Revista Cargo durante 2017, assim como os novos terminais portuários “fantasma”, onde não se vê um único trabalhador.

B de Blockchain e Bitcoin

Para a letra “B”, na redacção da Revista Cargo não conseguimos escolher entre duas novas tendências que prometem revolucionar o mundo e o sector dos Transportes e da Logística em particular. Primeiro, o fenómeno do Blockchain que foi exaustivamente analisado por nós ao longo de 2017 e que até mereceu honras de capa de uma das nossas edições. Já a Bitcoin ganhou notoriedade nos últimos meses, sendo o exemplo de criptomoeda com maior sucesso nos dias de hoje – e também já vai entrando no sector!

C de Cibersegurança

O tema da cibersegurança acompanha, lado a lado, as novas tecnologias que ganham mais força a cada dia que passa. Porém, em 2017 foi destaque no sector dos Transportes e da Logística pelos piores motivos, quando o Petya (ou NotPetya) fez colapsar os sistemas da Maersk ou da FedEx. Os efeitos perduraram por meses, afectaram os resultados das empresas e deixaram a nu as fragilidades do sector em termos de segurança informática. Em Portugal, o Porto de Sines mostrou-se atento às necessidades de reforçar a sua segurança informática.


D de Dados

Há quem diga que é o ‘Novo Ouro’ ou o ‘Novo Petróleo’. A valorização da Data (Dados) e da Big Data (grande volume de dados) ganhou novos contornos ao longo de 2017 e neste sector dos Transportes e da Logística as coisas não são diferentes. Cada vez mais se observa a importância de trabalhar os Dados que, através da evolução tecnológica e de fenómenos como a IoT (Internet of Things) já chega de várias fontes. Trabalhar os Dados nunca foi tão importante e começamos a perceber verdadeiramente o que daí podemos extrair para os nossos negócios. Nesta área, destaque ainda para o projecto inovador do qual faz parte a Luís Simões, com recurso ao Big Data.

E de e-Commerce

A emergência das potências de e-Commerce como a Alibaba, a Amazon ou a JD.com não é de agora mas estes grandes players assentes em plataformas online têm sido notícia pela forma como entram cada vez mais na área da logística. O ano de 2017 ficou marcado por uma série de passos dados na aproximação entre estas empresas e players marítimos de referência como a Maersk Line ou a Evergreen.

F de Ferrovia 2020

comissao europeia2017 foi também ano de avanços no plano Ferrovia 2020, que contempla um grande investimento na rede ferroviária nacional, em particular para potenciar o transporte de mercadorias – nomeadamente ao nível do Corredor Internacional Norte e do Corredor Internacional Sul que melhoram as ligações entre os portos nacionais e a fronteira com Espanha. Em 2017 já foram lançados alguns concursos e colocadas no terreno algumas obras mas 2018 promete trazer avanços bem mais significativos. Por outro lado, já se fala no que será a ferrovia para lá de 2020 e a Linha do Norte preocupa

G de Gigaliners

O ano de 2017 também ficou marcado pela chegada dos Gigaliners (mega-camiões) a Portugal. Com algum atraso face ao que era de prever, só no final do ano a legislação nacional abriu a porta à utilização de camiões de 25,25 metros de comprimento, numa solução que poderá trazer poupanças de custos ou de emissões aos operadores portugueses.

H de Hamburg Süd

A Hamburg Süd passou das mãos do Grupo Oekter para as da Maersk, naquele que foi o grande negócio do ano num sector do transporte marítimo contentorizado marcado por uma forte onda de consolidação de linhas. Muitos especialistas admitem que a consolidação no sector ainda não terminou e a Alphaliner antecipa que 2018 terá, pela primeira vez, mais de metade do mercado nas mãos dos três grandes: Maersk Line, MSC e CMA CGM.

I de IATA

Os sucessivos relatórios da IATA ao longo de 2017 deixaram claro que este foi um ano bastante positivo para a indústria da carga aérea. Com um início do ano pujante em termos de crescimento percentual, a IATA foi alertando para o facto do pico do mercado estar perto e a verdade é que nos últimos meses de 2017 já se assistiam a crescimentos bem mais moderados. Ainda assim, a IATA estima que este ano feche com um crescimento de 9% na indústria e que o próximo ano traga mais 4,5% de crescimento.


J de JUL

A JUL (Janela Única Logística) será, podemos dizer, a versão 2.0 da JUP (Janela Única Portuária). É um dos investimentos transversais aos diversos portos nacionais e parte da Estratégia para o Aumento da Competitividade Portuária apresentada pelo Ministério do Mar. A JUL foi verdadeiramente impulsionada durante o ano que agora termina, nomeadamente com a escolha de José Simão como Director-Geral da DGRM, que lidera todo o processo. E em breve será conhecida a empresa tecnológica que ganhou o concurso para a implementação da ferramenta.

K de Karlsruhe

A cidade alemã de Karlsruhe ficou mais conhecida no sector dos Transportes e da Logística no ano de 2017, mas não pela melhor das razões. Isto porque foi aí, mais propriamente no Túnel de Rastatt, que ocorreu um dos grandes incidentes ferroviários do ano – não pela magnitude trágica ao nível de perdas humanas ou materiais mas pelos efeitos que teve na logística ferroviária do centro da Europa. O desabamento do Túnel de Rastatt ocorreu em Agosto deste ano e só alguns meses volvidos se voltaram a fazer comboios num dos troços de maior importância na logística ferroviária europeia.

L de Lisbon Cruise Terminal

É verdade que não se trata de um investimento para mercadorias mas não podiamos passar ao lado daquela que foi a grande inauguração a nível de infraestruturas portuárias em Portugal durante o ano de 2017. O Porto de Lisboa conta finalmente com um moderno, elegante e funcional Terminal de Cruzeiros, inaugurado a meados de Setembro, permitindo que o porto da capital possa começar também a entrar no mercado do turnaround.

M de Medway

medway 4000 siscogA Medway, nova designação da antiga CP Carga após ser adquirida pelo armador MSC, foi um dos players mais dinâmicos do ano e parece trazer uma luz ao fundo do túnel para o transporte ferroviário de mercadorias em Portugal. Com uma visão de crescimento a nível ibérico, a Medway apresentou novas locomotivas interoperáveis, ganhou o Terminal de San Lázaro – Mérida (numa parceria inédita com a espanhola Renfe) e posiciona-se na linha da frente para outros nós fundamentais da logística ferroviária ibérica. E nem as limitações da Linha do Norte parecem capazes de saciar esta fome de crescimento.

N de NAL

adfersitO sector aeroportuário nacional voltou a ficar marcado pelo debate sobre a localização do Novo Aeroporto de Lisboa (NAL). Um tema que é motivo de debate há várias décadas mas que ganhou ao longo dos últimos tempos uma nova urgência, sobretudo devido ao esgotamento da capacidade do Aeroporto Humberto Delgado que já tem extremas dificuldades em lidar com a crescente procura turística. Em tempo de vacas magras, o Novo Aeroporto de Lisboa não avançará para já. O Governo optou pela solução Portela+1, sendo o Montijo a localização escolhida para o aeroporto complementar. Mas os técnicos não parecem convencidos

O de OBOR

A iniciativa OBOR (One Belt, One Road), também conhecida como Belt and Road ou, com alguma ligeireza, por Nova Rota da Seda, parece ter ganho verdadeiro destaque em 2017. Apresentada ainda em 2013 pelo Presidente chinês Xi Jinping, a iniciativa foi inicialmente vista com algum desdém mas também com receio dada a componente expansionista que previa para a China. A verdade é que muitos países começaram a ver o seu potencial e, sobretudo, a disponibilidade financeira chinesa para grandes projectos fora do seu território. A iniciativa OBOR liga a China aos países da Ásia Central, Médio Oriente, África e Europa, por mar (onde o Porto do Pireu ganhou papel de hub) mas também por terra com cada vez mais serviços ferroviários a ligar a China à Europa. Numa iniciativa do Ministério do Mar, uma delegação de empresários e entidades portuguesas deslocou-se à China para afirmar o país dentro desta iniciativa – enquanto que em Portugal, o Porto de Sines se apresentava como potenciador geográfico do OBOR.


P de Portos

porto lisboaO ano de 2017 fechará com um novo recorde anual de carga movimentada nos portos nacionais. Ao longo do ano, ainda se projectou que o sistema portuário nacional chegasse já em 2017 à histórica fasquia de 100 milhões de toneladas mas essa marca não será alcançada. Contudo, o ano ficará novamente na história dos portos nacionais, impulsionados pelo contributo inegável de Sines (com mais de metade da carga nacional) mas também por um Porto de Lisboa que cresceu extraordinariamente, por um Porto de Aveiro que ultrapassou, pela primeira vez na sua história, 5 milhões de toneladas ou pelo Porto de Leixões que continua a crescer e a dar um valente contributo à economia nacional.

Q de Qatar

A meio de 2017, o Qatar ganhou protagonismo nas notícias. A região do Médio Oriente foi confrontada com notícias de alegados apoios do país a actividades terroristas na região. Isso levou a que países vizinhos como os Emirados Árabes Unidos, a Arábia Saudita ou o Egipto decretassem um bloqueio ao Qatar, algo que afectou ferozmente as trocas comerciais na região. Companhias marítimas como a COSCO, a Evergreen ou a OOCL suspenderam serviços para o país,  que contornou algumas das sanções com o novíssimo Porto de Hamad.

R de Reino Unido

2017 será um ano que nunca mais será apagado da história da União Europeia (UE) pois ficará recordado como o ano do ‘Brexit‘, ou seja da saída do Reino Unido da UE. Não era novidade para ninguém que o Reino Unido não tinha uma visão marcadamente europeísta das suas relações com os parceiros da Europa Continental. Ainda assim, o sufrágio de 2017 apanhou todos de surpresa e muitos foram aqueles que, num dia se deitaram convictos de que o Reino Unido se iria manter na Comunidade e no dia seguinte acordaram com a surpresa de que o “Sim” ao Brexit tinha ganho! O resto do ano ficou marcado pelas difíceis negociações entre UE e Reino Unido para os termos da saída mas também pelos alertas no sector dos Transportes e da Logística, com muita gente preocupada com os efeitos nos tráfegos europeus de mercadorias de e para o Reino Unido ou com a falta de mão-de-obra que o país tem neste sector.

S de Sines

porto de sines terminal xxiSines aparece nesta lista por várias razões. Desde logo, e como não poderia deixar de ser, pelo seu porto que, em 2017, foi confirmado pela primeira vez no top-100 mundial e no top-15 europeu no que diz respeito à carga contentorizada. Os resultados já conhecidos de 2017 deixam claro que o segmento dos contentores continuará a crescer no porto alentejano e que o mesmo deverá escalar nas duas tabelas. Mas Sines e o seu porto foram também destaque em 2017 porque se assinalaram os 40 anos da APS e, por conseguinte, do desígnio do Porto de Sines enquanto porto com potencial para o transporte de mercadorias. Mas 2017 foi também o ano do “grito do Ipiranga” de toda uma região que, pela voz da APS, da Câmara Municipal de Sines ou da ZILS (detida pela aicep Global Parques) se apresentou ao mundo como pólo industrial e empresarial de grande potencial, beneficiando do grande porto em redor do qual se instala. Ah, e quase nos esquecíamos: o Porto de Sines posicionou-se também em 2017 como porto hub para a entrada do GNL norte-americano no espaço europeu!

T de Tesla Semi

O ano de 2017 fica também marcado pela apresentação, no dia 16 de Novembro, do camião eléctrico da Tesla: o Tesla Semi. Numa cerimónia com pompa e circunstância, Elon Musk, o fundador da Tesla, apresentou o camião que promete revolucionar o sector do transporte rodoviário de mercadorias, nomeadamente pela sua autonomia de mais de 800km. O Tesla Semi só chegará ao mercado em 2019 mas está disponível para pré-reservas e vários têm sido os operadores que se têm chegado à frente – entre os quais a Walmart ou a PepsiCo.


U de ULCV

maersk evora bigOs ULCVs (Ultra Large Container Vessels) foram outro dos hot topics do transporte marítimo contentorizado em 2017. Depois de uma fase de maior abrandamento nas encomendas de novos navios porta-contentores de grandes dimensões, eis que o rastilho foi aceso sem que o sector percebesse exactamente como. CMA CGM, MSC, Cosco ou HMM lideraram as novas encomendas de ULCVs em 2017, sendo que o armador francês foi ainda notícia por ter escolhido o GNL como combustível para os seus novos navios – algo que poderá lançar uma nova era no shipping mundial.

V de Vasco da Gama

José Luís CachoA Estratégia para o Aumento da Competitividade Portuária tem vários pontos pouco consensuais. Porém, um dos investimentos que parece acolher maior unanimidade é o Novo Terminal de Contentores de Sines, já conhecido como Terminal Vasco da Gama. O sucesso inegável do Terminal XXI parece justificar a necessidade de fazer crescer o Porto de Sines no negócio dos contentores e não será de estranhar que o concurso (a ser lançado nos primeiros meses de 2018) possa captar a atenção de grandes players mundiais. José Luís Cacho, presidente da APS, mostra-se bastante optimista para um futuro com dois terminais de contentores.

W de Wes Amelie

No início de Outubro, o navio Wes Amelie, da Unifeeder, tornou-se o primeiro porta-contentores a passar pelo processo de retrofitganhando propulsão a Gás Natural Liquefeito, num projecto liderado pela MAN Diesel & Turbo. Não sendo a solução mais acessível em termos financeiros, a conversão de navios já em operação ao GNL é mais um dos caminhos que se pode seguir para combater as emissões poluentes e ir ao encontro das metas de sustentabilidade cada vez mais ambiciosas para o shipping.

 

X de Xangai

conectividade porto de xangai

Se a China é hoje o centro do mundo do ponto de vista económico ou logístico, o porto de Xangai é o seu expoente máximo. Número um mundial nos contentores, o Porto de Xangai vai sendo o supra-sumo portuário em várias áreas, desde capacidade, produtividade, engenharia ou tecnologia. Foi lá que, também em 2017, foi inaugurado o primeiro grande terminal de contentores automatizado do mundo. Não surpreende que a delegação portuguesa que esteve na China tenha vindo de lá boquiaberta e a falar de mares de contentores e de pontes com várias faixas de rodagem e quilómetros de extensão apenas para servir o grande terminal de contentores de águas profundas.

Y de Yilport

Depois de em 2016 fechar a aquisição da Tertir junto do Grupo Mota-Engil, a Yilport (do Grupo Yildirim) instalou-se verdadeiramente enquanto marca em Portugal durante este ano de 2017, nomeadamente ao assumir o nome de todos os terminais que detém nos vários portos portugueses e espanhóis (o Yilport Leixões, antigo TCL; o Yilport Liscont; o Yilport Sotagus, e por aí fora). A Yilport é também destaque em 2017 pela ambição demonstrada para Portugal mas também pelas críticas deixadas à antiga dona da Tertir, pelos parcos avanços a nível tecnológico feitos nos terminais.

Z de Zero-Emissões

O ano de 2017 foi mais um marcado pela grande preocupação ambiental em torno do sector dos Transportes e das suas emissões, um dos grandes responsáveis pelas emissões de poluentes à escala global. Na rodovia, na ferrovia, no aéreo e no marítimo, alguns avanços foram dados no sentido de encontrar soluções mais sustentáveis e amigas do ambiente. O gás natural parece ser visto com cada vez maior interesse na indústria do shipping, algo confirmado com as recentes encomendas da CMA CGM de mega-navios a GNL. Portugal afirmou, também em 2017, o objectivo de ser um grande hub no bunkering de navios a GNL. Já na rodovia, apesar de algumas cartas dadas pelo gás natural (nomeadamente o GNL para camiões de longo curso, opção cada vez mais testada pelas fabricantes), a electrificação dos veículos ganhou alguma dinâmica com os exemplos do Tesla Semi, da eCanter que começou a ser produzida em série no Tramagal ou de outros avanços como o camião eléctrico da MAN.



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