«Distribuição urbana terá cada vez um peso maior nas nossas vidas», antecipa Vítor Enes

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Vítor Enes, director-geral de Business Development da empresa Luís Simões, abordou, durante o webinar ‘Eficiência’, promovido pela associação ADFERSIT, a problemática da distribuição urbana e das suas dores de crescimento, num contexto de crescente e-commerce (exponenciado pela pandemia de COVID-19) e desafios múltiplos do ponto de vista ambiental, social e urbanístico.

«e-Commerce veio para ficar»: distribuição urbana terá de se tornar sustentável

«Houve um crescimento exponencial da distribuição urbana, porque ficámos todos em casa e era preciso que nos trouxessem os produtos a casa. Não tenho dúvida de que os armazéns ficarão mais próximos dos pontos de consumo. O e-commerce veio para ficar, sem dúvida. A distribuição urbana terá cada vez um peso maior nas nossas vidas, mas temos de evoluir para uma distribuição urbana com modelos sustentáveis», enquadrou.

Luís Simões distribuição

Foto de: João Pedro Vale

Esta evolução terá de ser feita «do ponto de vista ambiental (não podemos continuar a poluir as cidades e isto não se resolve proibindo, mas organizando) e social (o modelo não será sustentável se não for seguro para as pessoas). Parte disto tem a ver com a contratação dos protagonistas desta distribuição, pois temos assistido a autênticas barbaridades em termos de contratação de condutores», explicou. «Não podemos regredir décadas neste aspecto. Não podemos travar o desenvolvimento mas temos de lhe colocar regras», salientou Vítor Enes.

Em última análise, a sustentabilidade apenas chegará «se tratarmos da parte económica e urbanística», sublinhou o especialista em Logística. «A distribuição urbana começa nos armazéns. E, aqui, vamos ao tema do pós-COVID-19. Teremos a necessidade de ter armazéns mais próximos da cidade, pois queremos todos ter as encomendas no mesmo dia. Teremos que aproximar as plataformas das cidades, para que os camiões de distribuição urbana façam o mínimo de km possíveis e possam dar melhor nível de serviço (fazendo várias voltas e podendo ser optimizado)», frisou.

«Mas temos também de pensar em outras questões: o público quer sempre a encomenda no mesmo dia? Um medicamento, provavelmente sim, mas se for um livro ou um produto têxtil, pode ser em outra data acordada; Todas as entregas têm de ser feitas em casa, ou podem ser feitas num drop point? Isso é que é optimização, eficiência», rematou, trazendo para o debate a questão da pertinência das entregas nocturnas.

«Todos sabemos que as cidades têm menos tráfego durante a noite. Tentemos então fazer as entregas durante a noite, e afastar durante o dia, quando a cidade tem maior actividade. É preciso ter modelos mais sustentáveis. Esta sustentabilidade passa também por outra questão que me preocupa imenso: os produtores e os grandes operadores são obrigados a cumprir requisitos fundamentais em termos de segurança ambiental, alimentar, de Saúde…mas, pergunto eu: e estamos a cuidar dessa última milha? Nomeadamente quando recebemos refeições acabadas de fazer, em casa? Toda esta abrangência da distribuição urbana tem de ser organizada», finalizou Vítor Enes.

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