Duarte Rodrigues (Grupo Sousa) «Redução das emissões de enxofre será um desafio muito grande»

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A Revista Cargo continua a dar destaque ao 21º Congresso da APLOG, desta feita, fazendo eco das palavras de Duarte Rodrigues, membro da administração e do Conselho Executivo de um dos grupos mais influentes do Shipping português: o Grupo Sousa. Discursando no âmbito do painel ‘CEO – Casos de Sucesso’, Duarte Rodrigues abordou a informatização do grupo e adaptação do mesmo aos desafios do futuro do Shipping.

«O Grupo Sousa cresceu muito nos últimos anos. Estamos hoje num projecto interno de informatização e num processo de reestruturação do grupo, para que este se possa adaptar aos novos tempos. Temos um grupo com um líder forte e carismático e onde a capacidade de decisão é, de facto, rápida», comentou Duarte Rodrigues, frisando a postura de «permanente transformação e mudança» que o Grupo Sousa adoptou.

«Estamos numa fase de mudança do sector», afirmou Duarte Rodrigues

«Na área do Shipping, penso que toda a gente tem consciência que o Shipping é, ainda, infelizmente, uma área onde existe muito papel. A verdade é esta. E eu penso que estamos a viver um momento em que começam a surgir soluções (como a JUP e a JUL) que têm finalidades positivas, que vão permitir – espero eu – acabar com muito papel». afirmou, antevendo tempos de mudanças drásticas.

«Julgo que estamos numa fase de mudança do sector, para passarmos de uma fase muito antiquada (penso que o Shipping neste aspecto demorou tempo a adaptar-se) para uma fase muito mais digitalizada e independente do papel e nós estamos a preparar-nos para isso», garantiu. «Mesmo no centro logístico, nós, hoje em dia, estamos aptos a fazer todo o trabalho, de uma ponta a outra, sem papel. Acima de tudo estamos a olhar para o futuro, um futuro em que cada vez mais haverá menos papel», reiterou.

Shipping 4.0: navios autónomos à vista

«Em termos de perspectivas futuras, no contexto do Shipping 4.0, existem, como sabem, experiências com navios sem tripulação. Passará por uma primeira fase em que um comandante em terra comandará, à distância, o navio, com base em sensorização, IoT e machine learning; numa segunda fase, tudo poderá até acontecer sem ter um comandante em terra. Ou seja, o próprio navio, com base em machine learning, terá condições para se orientar de forma autónoma. Temos de acompanhar estas situações a par e passo, e, a qualquer altura do caminho, sermos capazes de ajustarmos trajectórias», declarou.

Desafio da sustentabilidade ambiental acarretará «sobre-custos elevados» a partir de 2020

«Antes disso, teremos outros grandes desafios: a partir de 2020, as exigências ambientais com a redução das emissões de enxofre serão um desafio muito grande que afectarão todos nós. Estamos a falar da introdução de navios que vão ser menos poluentes, e, neste momento, existem três hipóteses: ou usa-se um combustível muito mais caro, como o caso do diesel; ou colocam-se scrubbers, para filtrar essas partículas; ou aquilo que, a médio e longo prazo será mais certo: navios a queimar gás natural», elencou, alertando para os custos inerentes.

«Obviamente que tudo isto tem sobre-custos elevados e já surgem companhias globais como a Maersk, a CMA CGM ou a MSC, que introduziram sobretaxas decorrentes desta questão ambiental. Espero que todos os armadores se ajustem rapidamente para que estes sobre-custos sejam atenuados», rematou.

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