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Elena Aldana (Mercadona): «União entre toda a cadeia agro-alimentar tem sido bastante visível»

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Elena Aldana MercadonaA Mercadona tem intensificado a sua aposta no território português, tendo aberto a sua primeira loja no país em 2019. Desde então, o investimento em Portugal não parou e a pandemia que assolou o globo no arranque de 2020 apenas consolidou a importância da empresa no domínio da cadeia logística agro-alimentar, uma das mais cruciais em tempos de crises sanitárias.

A Revista Cargo teve a especial oportunidade, a 16 de Abril, de se sentar à mesa com Elena Aldana, Directora-geral Internacional Relações Externas da Mercadona, para saber qual o balanço da sua presença em Portugal e como se adaptou a companhia aos complexos e novos desafios e exigências causadas pela disseminação do COVID-19.

O combate à pandemia é liderado, na linha da frente, pelos profissionais de Saúde, mas, o sustentáculo da batalha faz-se também no desafio de manter as cadeias logísticas em pleno funcionamento, para que nada falte – como vê o papel do Retalho e da Logística nesta dura luta contra o COVID-19?

ELENA ALDANA: Toda a Cadeia Agro-alimentar, desde o Sector Primário, a Indústria, os Operadores Logísticos e os Distribuidores, de todo o país, têm sido incansáveis na garantia de bens essenciais à população, como mostrámos, aliás, neste vídeo. Aqui falamos desde os agricultores, produtores e fornecedores aos trabalhadores de fábricas, de operadores de loja, passando pelos responsáveis de transporte e de armazenamento, que continuam a garantir o abastecimento da população portuguesa.

Na Mercadona baseamo-nos num relacionamento de estabilidade e longo prazo junto dos nossos fornecedores, o que tem ajudado a que em conjunto com todos os nossos parceiros, não falte nada em casa dos portugueses. A mensagem que transmitimos – ‘Isto Não Tem de Parar’ – pretende por um lado, racionalizar o medo da situação excepcional em que nos encontramos e, por outro lado, incentivar a continuidade da produção das empresas, motivando-as a gerar o máximo de actividade para que o sector não pare e a economia continue a progredir.

Não podemos deixar de dar uma palavra de agradecimento a todos os que asseguram esta Cadeia de valor. Nas lojas, os nossos colaboradores têm demonstrado o seu esforço e resiliência, mas também optimismo, tendo realizado vários vídeos com a mensagem ‘Isto Passará’. Os nossos ‘Chefes’, como internamente chamamos os nossos clientes, também o reconhecem e têm-nos aplaudido das janelas e deixado desenhos nas fachadas dos nossos supermercados. Todos estes gestos deixam-nos orgulhosos e dão-nos força e motivação para continuar a trabalhar para que nada falte aos portugueses.

Na perspectiva da Mercadona – como tem decorrido o desafio de assegurar a fluidez dos abastecimentos, a comunicação com fornecedores, a gestão de stocks e a distribuição durante este período crítico?

É em alturas como esta que vemos como um bom sistema de logística e de cooperação entre todas as partes da Cadeia Agro-alimentar é essencial à nossa actividade. Na Mercadona trabalhamos com 1.700 fornecedores, dos quais 300 são fornecedores portugueses, que todos os dias se esforçam para garantir que os produtos chegam às lojas e os clientes podem fazer as suas compras habituais. Tendo em conta o período excepcional que estamos a ultrapassar, temos dado prioridade aos produtos básicos e de primeira necessidade para que os nossos clientes possam fazer as suas compras diárias. Ao mesmo tempo, temos assegurado que, todos os dias, as nossas lojas abrem ao público com as prateleiras cheias para que nada falte aos nossos ‘Chefes’.

Em tempos que requerem união e a construção de sinergias, como está, na perspectiva da Mercadona em Portugal, o sector agro-alimentar a responder a estes novos desafios?

A união entre toda a Cadeia Agro-alimentar tem sido bastante visível e na Mercadona estamos em contacto permanente com todos os nossos fornecedores. Num momento em que atravessamos uma crise de saúde sem precedentes, é fundamental que continuemos a acompanhar o tema, adoptando as medidas necessárias, mas também a orientar e tranquilizar a Sociedade nas dúvidas que possam surgir. As prioridades das empresas devem, assim, estar focadas na garantia da saúde e segurança dos clientes e colaboradores e em assegurar que nada falta nos supermercados para que os portugueses continuem a ter acesso a bens essenciais.

Não podemos deixar de salientar que a relação de proximidade, partilha e diálogo que mantemos com os nossos fornecedores através do nosso projecto de Cadeia Agro-alimentar Sustentável da Mercadona é muito forte. Desde sempre a Mercadona deu muita importância ao componente Fornecedor, existindo uma relação de cooperação e uma política de transparência com todos eles, política que é bem visível em todos as marcas próprias da Mercadona, nas quais os fornecedores estão devidamente identificados nos rótulos das embalagens, por exemplo o nosso azeite marca Hacendado (marca própria de alimentação e bebidas da Mercadona) tem no rótulo a identificação do fornecedor, neste caso a empresa portuguesa Riazor. Acreditamos que o facto de fazermos um muito bom trabalho sempre junto dos fornecedores motiva a que, perante novos desafios a vontade de união e trabalhar para um objectivo comum é ainda maior.

O nosso ‘inimigo’ é apenas um – o coronavírus – e só unidos conseguiremos vencê-lo. Por isso a mensagem que queremos transmitir é de tranquilidade e motivação para que toda a Cadeia Agro-alimentar continue a trabalhar e a economia continue a crescer. Foi sob este mote que criámos o hashtag #IstoNÃOtemdePARAR, onde é visível a partilha e a união que existe entre toda a Cadeia Agro-alimentar, através de vídeos e vários conteúdos motivadores.

O que veio mudar o COVID-19 nos procedimentos e práticas operacionais da Mercadona?

Para enfrentar esta fase excepcional que estamos a viver, e para assegurar a saúde e a segurança, tanto dos nossos ‘Chefes’, como dos nossos colaboradores, implementámos uma série de medidas nas nossas lojas para contribuir no combate a esta crise de saúde sem precedente, seguindo as recomendações e indicações das autoridades de saúde e governamentais:

  • Reduzimos o horário de abertura dos supermercados: 09:00 às 19:00 horas, de 2ªfeira a Domingo; [actualmente, o horário vai das 9:00 às 21 horas]
  • Cumprimos o critério de capacidade estabelecido que garante a distância mínima em todos os momentos.
  • Vigilante de segurança para o controle de acessos.
  • Colocámos marcas de distância mínima de 2 metros entre pessoas, tanto na via de acesso público como no interior dos supermercados.
  • Garantimos o atendimento prioritário, a qualquer hora do dia, a idosos, pessoas com deficiência e/ou com mobilidade reduzida, grávidas e acompanhantes necessários, profissionais de saúde, elementos das forças e serviços de segurança, protecção e socorro, forças armadas e prestadores de serviços de apoio social.
  • Não admitimos devoluções de produtos de forma a protegermos a segurança alimentar.
  • Disponibilizámos gel desinfectante e papel em cada supermercado para que os clientes possam limpar o manípulo do carrinho, bem como luvas para os clientes colocarem à entrada do supermercado.
  • Reforçámos a segurança dos nossos colaboradores com equipamentos de higiene e prevenção, bem como com divisórias de acrílico que protegem e separam o colaborador do cliente na linha de caixas.
  • Reforçámos ainda com serviços externos os processos diários de desinfecção e limpeza das nossas instalações.
  • Encerrámos temporariamente os serviços que pressupõem manipulação de produto em loja, como o ponto de corte no talho e na charcutaria e o Pronto a Comer, com o objectivo de reduzir o contacto, com o objectivo de garantir a segurança alimentar; [entretanto, o Pronto a Comer já reabriu. Numa primeira fase abriu apenas o da loja de Matosinhos e posteriormente abrirão os restantes]

Além destas medidas, os nossos clientes são ainda informados das recomendações gerais a ter em conta para realizar as compras, tanto através dos membros da equipa, como por meio de cartazes, altifalante da loja e redes sociais.

A Mercadona abriu a sua primeira loja em solo português em 2019, dando início a uma nova etapa de internacionalização – que balanço faz desta nova fase em Portugal?

O balanço de 2019 é bastante positivo. Graças ao esforço de todos conseguimos alcançar números que nos deixam muito orgulhosos e que reflectem a adesão dos portugueses à entrada da Mercadona em Portugal. Falamos de números tais como as 1.500 sessões junto dos nossos Chefes (clientes) no Centro de Co-inovação de Matosinhos, os 900 colaboradores em Portugal, mais de 300 fornecedores comerciais portugueses, além dos de serviços e de transportes, 217 milhões de euros em compras a fornecedores portugueses, 118 toneladas doadas às Instituições Sociais, 32 milhões de euros em vendas, 11 milhões de euros de contribuição para a criação de riqueza em Portugal através impostos, pela Irmãdona Supermercados S.A. (a sociedade que a empresa criou em Portugal).

Estes números reflectem o esforço dos 900 colaboradores portugueses da empresa que trabalham, todos os dias, para garantir que a Mercadona é uma empresa reconhecida por todos e da qual possam sentir orgulho. Uma forma de recompensar os nossos colaboradores pelo esforço e o resultado conseguidos é o prémio por objectivos; este ano distribuímos 340 milhões de euros pelos nossos colaboradores. Além deste prémio em Março, pelo esforço e empenho durante este tempo de crise, atribuímos um prémio aos 90 mil colaboradores, correspondente a 20% do vencimento bruto mensal, o correspondente a 44 milhões de euros.  Somos conscientes de que o nosso projecto é muito recente e que ainda nos falta muito caminho para percorrer e muito para aprender. Acreditamos que é partindo da humildade de sermos pequenos que poderemos fazer grandes coisas.

Quais os planos futuros para o desenvolvimento da presença da Mercadona em Portugal?

Este ano queremos continuar a abrir lojas em Portugal, tendo previstas mais 10 unidades no Porto, Aveiro e Viana do Castelo (sendo a primeira loja neste distrito), a estudar as necessidades e preferências dos nossos consumidores, através do nosso Centro de Co-inovação, em Matosinhos. Iremos também continuar a desenvolver o nosso plano de transformação até 2023, projectando investir 1.800 milhões de euros este ano em inaugurações, no projecto em Portugal, desenvolvimento do Projecto Frescos Global e implementação da nova secção “Pronto a Comer” em mais 460 lojas, de toda cadeia de lojas da empresa e no projecto Mercadona Online.

Paralelamente, mantemos um forte compromisso com a sustentabilidade e, por isso, estamos a levar a cabo uma estratégia de longo prazo sob o mote ‘Ser Socialmente Responsável’. Queremos ir além das nossas lojas e sensibilizar todos os consumidores para a importância da sustentabilidade, da reciclagem e do ambiente, para tal definimos três grandes objectivos até 2025: reduzir 25% do plástico nas embalagens das nossas marcas próprias, tornar todas essas embalagens recicláveis ou compostáveis e passar a enviar para reciclagem 100% dos resíduos plásticos que geramos (actualmente enviamos 70%).

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